A presença de plantas daninhas em áreas de produção agrícola traz inúmeros malefícios ao sistema, reduzindo a produtividade de culturas agrícolas, servindo ainda como ponte verde para a sobrevivência e disseminação de pragas e doenças. Além das tradicionais e já conhecidas Buva (Conyza spp.) e capim-amargoso (Digitaria insularis), outras espécies vem ganhando importância em virtude da elevada capacidade de infestação e elevados danos ocasionados a cultura da soja.

Uma dessas espécies é o caruru, cuja espécie mais comum em áreas de soja é o Amaranthus hybridus. O Amaranthus hybridus possui uma elevada habilidade competitiva, o que aliado a elevada produção de sementes e rápidos crescimento, fazem desse caruru uma preocupante planta daninha no sistema produtivo. Além disso, a daninha apresenta casos de resistência conhecida a herbicidas, o que dificulta ainda mais o controle dela.


Veja mais: MISSÃO CARURU – Episódio 1 – Por que o caruru é uma planta preocupante?


Conforme Heap (2021), atualmente no Brasil tem-se casos de resistência múltipla do caruru aos herbicidas chlorimuron-ethyl e glifosato, respectivamente pertencentes aos herbicidas inibidores da ALS e EPSPs. Já em solo argentino, o A. hybridus apresenta resistência múltipla aos inibidores da EPSPs, Mimetizadores da Auxinas; e inibidores da ALS e EPSPs; demonstrando também resistência simples a todos os mecanismos citados anteriormente, fato preocupante, já que na Argentina a área infestada com caruru é superior a área cultivada com soja (Aapresid – REM, 2019).

No Brasil, recentemente por meio de um levantamento realizado por instituições de pesquisa, foram relatados 46 casos de plantas de caruru, da espécie A. hybridus, com suspeita de resistência aos herbicidas glifosato e inibidores da ALS (Penckowski et al., 2021). A disseminação do caruru se da principalmente por máquinas e implemento agrícola, pássaros e ovinos, fato que vinculado a elevada produção de sementes da espécie facilita o surgimento de novas infestações da planta daninha.

Figura 1. Dispersão de Amaranthus hybridus em áreas com suspeita de resistência ao glifosato e inibidores da ALS. Levantamento realizado na safra 2019/20 pelas instituições de pesquisa: Fundação ABC; CCGL; Coamo; Embrapa; UEM; UFSM e UPF.

Fonte: (Penckowski et al., 2021)

Embora o manejo do caruru seja extremamente difícil e a limitada disponibilidade de produtos para uso em pós-emergência da cultura da soja dificulte ainda mais seu controle, alternativas de manejo podem ser utilizadas visando um controle mais eficiente da planta daninha. Dentre elas: o uso de plantas de cobertura na entressafra das culturas agrícolas para promover cobertura do solo, o uso de herbicidas pré-emergentes e também, o controle do caruru nos estádios iniciais do seu desenvolvimento.



Conforme observado por Braz et al. (2011), o estádio em que é realizada a aplicação de herbicidas no caruru está relacionada a eficiência de controle da daninha, sendo que plantas menores (de duas a quatro folhas) são melhor controladas em comparação e plantas em estádio de desenvolvimento mais avançado.

Figura 1. Estádio limite para o controle eficiente do caruru com dessecação utilizando herbicidas.

Cabe destacar que não se deve subestimar essa planta daninha, sua capacidade de infestação é surpreendente e os danos ocasionados nas culturas agrícolas são assustadores. Tendo em vista os aspectos observados, pode-se dizer que o caruru é uma preocupante planta daninha com elevado potencial para infestar diversas áreas de produção, sendo necessário cuidado redobrado para que o Brasil não passe compartilhas do mesmo senário que a Argentina.

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Referências:

AAPRESID REM. ¿LAS MALEZAS SIGUEN GANANDO TERRENO? Aapresid rem, 2019. Disponível em: < http://www.aapresid.org.ar/rem/las-malezas-siguen-ganando-terreno/?utm_source=email_marketing&utm_admin=26524&utm_medium=email&utm_campaign=Cuntas_hectreas_afectan_las_principales_malezas_y_mucha_info_para_su_manejo >, acesso em: 13/05/2021.

BRAZ, G. B. P. et al. EFICÁCIA DE HERBICIDAS NO CONTROLE DE AMARANTHUS HYBRIDUS EM ALGODÃO. 8º Congresso Brasileiro de Algodão & I Cotton Expo 2011, São Paulo, SP, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/51709/1/FIT-055Poster.239.pdf >, acesso em: 13/05/2021.

HEAP, I. THE INTERNATIONAL SURVEY OF HERBICIDE RESISTANT WEEDS, 2021. Disponível em: < http://www.weedscience.org/Summary/Species.aspx >, acesso em: 13/05/2021.

PENCKOWSKI, L. H. et al.  CONTROLE DE PLANTA DANINHA RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO. Cultivar Grandes Culturas, 2021. Disponível em: < https://www.grupocultivar.com.br/noticias/controle-de-planta-daninha-resistente-ao-herbicida-glifosato#:~:text=No%20Brasil%2C%20recentemente%20foram%20relatados,da%20ALS%20(Figura%202). >, acesso em: 13/05/2021.

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