Autores: Luiz Francisco Warpechowski¹, Eduardo Argenta Steinhaus¹, Luiz Eduardo Braga¹ e Roberto Ávila Neto².

O cultivo agrícola evoluiu em diversos aspectos no decorrer dos anos, um dos principais pontos a serem mencionados é referente a intensificação do aproveitamento das janelas de plantio. O cultivo de soja seguido por milho safrinha busca estabelecer uma ocupação constante da área produtiva deixando pouco ou nenhum intervalo entre a colheita e a semeadura. Porém esse tipo de manejo pode gerar alguns desafios, um deles diz respeito ao controle de plantas daninhas.

Durante a safra da soja há a possibilidade de controle de algumas plantas daninhas como é o caso das gramíneas, que são controladas principalmente por meio do uso de inibidores da síntese de ACCase (GEMELLI et al., 2013; BARROSO et al., 2010). Em caso de escape essas plantas podem ser controladas antes do cultivo da segunda safra de milho, fato esse que deve requerer um maior cuidado, pois existe uma falta de estudos que testam o efeito residual desses herbicidas sobre o solo (SPADER et al., 2012), além disso sabe-se de situações de campo em que houve problemas de estabelecimento de plântulas após a aplicação de ACCase.

O uso de ACCase anterior a cultura do milho ainda deve ser muito discutido. Em estudos testando a utilização de graminicidas no milho, mostrou-se que a aplicação com mais de dois dias de intervalo até a semeadura não afeta o desenvolvimento das plantas (BECKER et al., 2019; SPADER et al., 2012). Porem esse intervalo pode ser muito relativo, pois ainda pode ser constatado problemas de germinação e desenvolvimento inicial na cultura em algumas situações (BECKER et al., 2019). Esses efeitos tendem a variar muito em relação ao herbicida utilizado, dose e condições físicas e químicas do solo.

Outro fator relevante diz respeito a casos de resistência, como por exemplo o de glifosato, causando escapes no controle. Podendo ser observadas em plantas como o azevém (Lolium multiflorum), o pé-de-galinha (Eleusine indica) e o capim-amargoso (Digitaria insularis) (TABELA 1) (HEAP, 2021). A utilização de ACCases pode trazer uma alternativa de controle sobre gramíneas, possibilitando assim alternativas de um plantio em condições adequadas, sempre estando atento as condições de aplicação.

Tabela 1 – Casos de plantas resistentes nos últimos anos no Brasil para as plantas daninhas de azevém, pé-de-galinha e capim-amargoso.

Informações sobre os autores:

  • ¹ = Estudante do curso de agronomia URI Campus Santo Ângelo e membro do Grupo de Proteção de Plantas URI Santo Ângelo.
  • ² = Professor Me. da URI Campus Santo Ângelo e coordenador do grupo de proteção de plantas URI Santo Ângelo.

Referências:

SPADER, V.; LOPES, E.C.P.; FABBRIN, E.G.S.; MENDONÇA, C.G.; PELISSARI, A. Atividade Residual de Herbicidas Inibidores da Enzima ACCase Aplicados em Pré-Semeadura do Milho. Revista Brasileira de Herbicidas, v.11, n.1, p.42-48, 2012.

DOS SANTOS BECKER, A.; PLACIDO, H.F.; ALBRECHT, L.P.; ALBRECHT, A. J.P.; DOS SANTOS, W.G. Efeito residual de clethodim aplicado em pré-semeadura do milho. Revista Brasileira de Herbicidas, v. 18, n. 1, p. 635-1, 2019.

GEMELLI, A.; OLIVEIRA JR., R.S.; CONSTANTIN, J.; BRAZ, G.B.P.; JUMES, T.M.C; GHENO, E.A.A.; RIOS, F.A.; FRANCHINI, L.H.M. Estratégias para o Controle de Capim-amargoso (Digitaria insularis) resistente ao glyphosate na cultura Milho Safrinha. Revista Brasileira de Herbicidas, v.12, n.2 p.162-170, 2013.

BARROSO, A.L.L.; DAN, H.A.; PROCÓPIO, S.O.; TOLEDO, R.E.B.; SANDANIEL, C.R.; BRAZ, G.B.P.; CRUVINEL, K.L. Eficácia de herbicidas inibidores da ACCase no controle de gramíneas em lavouras de soja. Planta Daninha, v. 28, p. 149-157, 2010.

HEAP, I. The International Survey of Herbicide Resistant Weeds. Disponível em: <http://www.weedscience.org/Home.aspx>. Acesso em: 06/10/2021

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