O oídio é causado pelo patógeno B. graminis f.sp. tritici, fungo biotrófico de grande ocorrência em lavouras de trigo. É de fácil identificação devido a massa micelial (micélio branco) com aspecto de pó que recobre folhas, caules, ramos, flores e órgãos subterrâneos, por isso também é conhecido como mofo ou cinza. A infecção pode ocorrer em todos os estádios de desenvolvimento.

É disseminado por esporos chamados conídios, que são dispersos pela ação do vento e levados a quilômetros de distância. Não precisam de molhamento foliar para germinarem, pois a água impede a germinação no hospedeiro. Essa doença reduz a fotossíntese e a assimilação de nutrientes, aumentando a respiração e enfraquecendo a planta.

Os danos no rendimento da cultura são variáveis às condições climáticas e à resistência da cultivar ao patógeno, que provoca maiores danos quando instalada nos estádios iniciais. Reduz o número de perfilhos por planta, número de grãos por espiga, peso e qualidade de grãos, podendo chegar a 79% de perdas em anos com clima favorável a doença. Dias secos e temperaturas amenas entre 15 e 22°C são favoráveis ao desenvolvimento da doença.

O uso de cultivares resistentes é uma importante medida de controle da doença, mas muitas cultivares têm tido a resistência quebrada em poucos anos de cultivo, devido a variabilidade genética do fungo.

O manejo de oídio depende da adoção de práticas como:

  • uso de cultivares resistentes, com ciclo precoce e semeadura realizada na época adequada;
  • rotação de culturas com plantas não hospedeiras;
  • tratamento de sementes com fungicidas de efeito residual prolongado nas plântulas;
  • aplicações foliares, quando necessário, quando a massa foliar for de 20 a 25% a partir do alongamento;
  • adubação nitrogenada em excesso favorece a doença.

A partir destas práticas é possível controlar a infecção do oídio e a evolução da doença, evitando que a mesma provoque grandes perdas na cultura do trigo.



Redação: Evangeline Zwirtes, Acadêmica de Agronomia – Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Campus Santo Ângelo

Referências

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