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Oídio em soja: Em qual período do desenvolvimento da soja a doença causa maiores danos?

Em anos onde condições de clima seco predominam no verão, uma doença em especial tem seu desenvolvimento favorecido na cultura da soja. Trata-se do oídio, doença causada pelo fungo Erysiphe diffusa, cuja nomenclatura Microsphaera difusa é sinônima para o patógeno. O oídio tem seu desenvolvimento favorecido por condições de baixa umidade relativa do ar e temperaturas amenas, variando de 18°C a 24°C. A doença pode ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da soja, sendo mais observada por ocasião no início da floração (Henning et al., 2014).

Os danos podem variar em função da suscetibilidade da cultivar e intensidade da doença. Segundo Godoy et al. (2021), sob condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo, os danos em cultivares suscetíveis podem resultar em perdas de até 35% da produtividade.

Figura 1. Sintomas típicos de oídio em soja (fina cobertura esbranquiçada pulverulenta, constituída de micélio e esporos do fungo sobre as folhas).

Oídio – Foto: Rizobacter

Além da suscetibilidade da cultivar, um dos principais fatores que influenciam no nível de danos em decorrência do oídio em soja é o período em que a planta é infectada. O desenvolvimento do oídio em soja reduz a área fotossinteticamente ativa da folha, reduzindo consequentemente a produção de fotoassimilados e sua translocação para os grãos e legumes, afetando a produtividade final da soja.

A queda na produção é em razão do estresse causado à planta pelo ataque do fungo, pois folhas infectadas pelo oídio consomem mais do que exportam, tanto em solutos orgânicos como inorgânicos, quando comparadas com folhas sadias (Igarashi et al., 2010).



Conforme observado por Igarashi et al. (2010), analisando as perdas de produtividade causadas pelo oídio em soja, infectada em diferentes estádios do seu desenvolvimento, quando as infecções iniciaram em R1 -R2 e R3 -R4, a porcentagem de área foliar afetada foi maior (41% e 38%, respectivamente), resultando me menores produtividades, indicando que o início do período reprodutivo da soja pode ser um dos mais sensíveis da cultura ao desenvolvimento do oídio.

Tabela 1. Produtividade (kg ha-1), peso de 1.000 sementes (g), número de vagens por plantas e altura da planta (cm) obtido no experimento. Londrina, PR.

*Média de 30 plantas avaliadas por parcela. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste Scott Knott à 5% de probabilidade. **Dados transformados em “(x+k)^1/2” com k = 1. ***Dados transformados em “1/(x^1/2)”. Fonte: Igarashi et al. (2010)

Visando um controle eficiente da doença, é essencial utilizar cultivares resistentes e empregar fungicidas quando necessário. Embora os níveis de ação para a doença estabeleçam que o controle do oídio deva ocorrer quando a doença apresentar severidade de 40% a 50%; visando reduzir a interferência do fungo, principalmente quando acomete a soja no início do período reprodutivo, recomenda-se que o controle químico seja realizado logo após observados os primeiros sintomas de desenvolvimento da doença.

Dentre os principais e mais utilizados fungicidas para o controle do oídio em soja, é possível destacar os triazóis e morfolinas como grupos com maior eficiência para controle do fungo. Dentro desses grupos, os princípios ativos são: tebuconazol, epoxiconazol, difenoconazol, tetraconazol e fenpropimorfe (Guterres, 2021).


Veja mais: Controle do oídio em soja – Confira a eficiência dos fungicidas


Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DO OÍDIO, NA SAFRA 2020/2021: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 178, 2021. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1135749/1/Circ-Tec-178.pdf >, acesso em: 09/01/2023.

GUTERRES, C. W. OÍDIO NA SOJA: Pesquisa RTC: CCGL. Rede Técnica Cooperativa – RTC, 2021. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=k5miqc4Rs6g&ab_channel=RedeT%C3%A9cnicaCooperativa-RTC >, acesso em: 09/01/2023.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 09/01/2023.

IGARASHI, S. et al. DANOS CAUSADOS PELA INFECÇÃO DE OÍDIO EM DIFERENTES ESTÁDIOS FENOLÓGICOS DA SOJA. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.77, n.2, p.245-250, abr./jun., 2010. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/aib/a/wVGKLGVN9mt3t47xWYhQGjc/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 09/01/2023.

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Equipe Mais Soja
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