O mofo-branco é uma das mais antigas doenças da soja, ocorrendo em diversas regiões produtoras do Brasil. A doença teve rápido crescimento na cultura da soja nos últimos anos, ocasionando perdas de até 70% na produtividade. Furlan (2005) cita que, em condições de clima favorável para o desenvolvimento do fungo, uma lavoura pode sofrer, em média, perdas que podem variar de 30% a 100 % em períodos chuvosos e quando não forem tomadas medidas preventivas de controle. Na soja, a maior incidência vai da floração plena (estádio R2) ao início da formação de grãos (estádio R5).


Leia Também: Mofo branco – Como manejar esse inimigo silencioso?


Em condições de umidade prolongada e temperaturas entre 10°e 21°C, os escleródios presentes no solo (estruturas de sobrevivência do fungo que podem sobreviver por até cinco anos à espera de condições favoráveis) germinam, dando origem aos apotécios. Entre as recomendações de controle da doença, destaca-se o manejo da palhada, que serve de barreira física para passagem de luz até ao solo, fator importante para que ocorra a germinação do patógeno, formando assim um empecilho que acaba evitando a disseminação do fungo. A manutenção da palhada têm se mostrado de extrema eficiência na redução do número de escleródios no solo e/ou taxa de progresso da doença. Essa palhada deve ser preferencialmente constituída por gramíneas, que não são hospedeiras do patógeno.



Em relação às plantas utilizadas como cobertura de solo em clima temperado, podemos destacar as culturas da aveia, centeio e triticale, por apresentarem grande produção de massa seca, possuírem alta relação C/N, o que favorece a lenta degradação, permanecendo por mais tempo no solo. Feller (2014) em estudo da incidência de S. sclerotiorum sobre diferentes gramíneas observou 77,66% e 76,58% a menos de incidência da doença na soja plantada sobre palhada de centeio, com relação a testemunha, sem palhada, no municípios de Palmas e Guarapuava no Paraná.


Leia +: Incidência de mofo branco em soja cultivada em monocultura ou rotação com milho


Na tabela 1, Feller (2014) avaliou a incidência de mofo branco (%) na cultura da soja, em experimentos conduzidos sobre palhada de aveia, centeio e triticale nas regiões de Guarapuava e Palmas – PR, na safra 2012/2013.

Fonte: Feller (2014).

Nesse experimento, pode-se verificar que a testemunha apresentou incidência da doença bem mais elevada, comprovando que o uso da palhada tem resultado significativo no controle do mofo branco. A palhada de centeio reduziu em 92,31%; 88,44% e 77,66% a incidência do mofo branco nas avaliações INC1, INC2 INC3, respectivamente, em relação à testemunha em Palmas. Outro fator importante a ser observado é de que conforme a cultura vai se desenvolvendo a palhada vai se degradando e a incidência da doença pode aumentar, evidenciando a importância de uma palhada mais resistente e de degradação lenta presente no solo para um controle mais eficiente.

Leia o trabalho completo clicando em: clique aqui.



Entre as práticas de manejo que também possibilitam maior controle do mofo branco, pode-se citar:

  • Utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas adequados;
  • Rotação ou sucessão com culturas não hospedeiras (exemplo: gramíneas);
  • População de plantas e espaçamento entre linhas adequados às cultivares;
  • Escolha de cultivares com arquitetura de plantas que seja favorável a uma boa aeração entre plantas (pouco ramificadas e com folhas pequenas) e com intervalo mais curto de florescimento;
  • Emprego de controle químico, através de pulverizações foliares de fungicidas principalmente no período em que a planta está mais vulnerável ao ataque da doença (estádio R1, início da floração, até início da formação de vagens ou frutos);
  • Emprego de controle biológico através da infestação do solo com agentes antagonistas e a limpeza de máquinas e equipamentos após uso em área infestada, a fim de evitar a disseminação dos escleródios para áreas livres do patógeno.

Com isso, ressalta-se que para um manejo eficiente do mofo branco, a adoção de culturas não hospedeiras e formação de palhada destas culturas compõem um dos fatores que devem ser adotados, assim como rotação de cultura, dentre outras, para minimizar a pressão da doença e facilitar o controle químico/biológico, evitando perdas de produtividade.

Redação:  Equipe Mais Soja.

1 COMMENT

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.