Pragas como lagartas são comumente encontradas em lavouras de soja, causando danos significativos e perdas de produtividade representativas na cultura. Segundo Fernandes (2014), dentre as lagartas desfolhadoras mais comuns presentes no cultivo da soja destacam-se Anticarsia gemmatalis; Pseudoplusia includens; Rachiplusia nu; Chrysodeixis includens e Spodoptera eridania.

A principal injúria resultante do ataque dessas pragas é a redução da área foliar e/ou corte das plantas nos estádios iniciais do seu desenvolvimento. Segundo Bueno et al. (2012), grande parte dos produtores de soja acreditam que é necessário evitar o ataque de pragas nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja.

A produtividade da cultura apresenta relação direta com sua área foliar fotossinteticamente ativa, o fato é explicado pela maior produção de fotoassimilados e, consequentemente, maior produção de biomassa e matéria seca na planta e grãos.

Lagartas como as do gênero Helicoverpa por apresentarem alta capacidade destrutiva, além de causarem redução da área foliar da soja podem reduzir o estande de plantas, comprometendo a viabilidade do cultivo.

Figura 1. Lagarta do gênero Helicoverpa atacando planta de soja.

Sendo assim, o monitoramento e controle de pragas torna-se uma prática fundamental no período inicial do desenvolvimento da soja. Mas você sabe quais os danos ocasionados por injúrias no início do desenvolvimento da soja?

Avaliando o impacto de diferentes injúrias sobre a produtividade de cultivares de soja de hábito de crescimento determinado e indeterminado Barbosa et al. (2012) observaram que, dependendo da intensidade da injúria, perdas significativas de produtividade de soja podem ser ocasionadas.

As cultivares avaliadas pode Barbosa et al. (2012) foram BRS 294 RR de hábito de crescimento determinado e BMX Turbo RR de hábito de crescimento indeterminado.

Os autores simularam diferentes tipos de injurias no período inicial do desenvolvimento da soja, sendo elas:

1) remoção de um cotilédone aos 14 dias após semeadura (DAS);

2) remoção de dois cotilédones aos 14 (DAS);

3) remoção de dois cotilédones e uma folha unifoliolada aos 16 (DAS);

4) remoção de dois cotilédones e duas folhas unifolioladas aos 16 (DAS);

5) remoção de uma folha unifoliolada aos 16 (DAS);

6) remoção de duas folhas unifolioladas aos 16 (DAS);

7) Corte abaixo das folhas unifoliadas aos 22 (DAS);

8) Corte do broto das folhas trifoliolada aos 22 (DAS) e

9) Testemunha, ou seja, sem desfolha (Barbosa et al., 2012).



Os autores destacam que com base nos resultados obtidos no presente estudo, apenas as injurias causadas pela remoção de dois cotilédones e duas folhas unifolioladas, e pelo corte abaixo das folhas unifoliadas causaram reduções significativas estatisticamente na produtividade da soja. Cabe destacar que não foram encontradas diferenças significativas para a produtividade entre as cultivares.

Tabela 1. Produtividade média (±EP) das plantas de soja (corrigida a 13% de umidade) de hábito de crescimento determinado e indeterminado após diferentes intensidades de injúria (Barbosa et al., 2012).

Fonte: Barbosa et al. (2012).

Confira o trabalho completo de Barbosa et al. (2012) clicando aqui! 

Embora somente os tratamentos 4 e 7, os quais consistiam na remoção de dois cotilédones e duas folhas unifolioladas, e no corte da planta abaixo das folhas unifolioladas tenham diferido estatisticamente para a produtividade da soja, cabe destacar que com base na tabela 1 é possível observar redução da produtividade da soja para os demais tratamentos quando comparados com a testemunha a qual não sofreu injurias.

A exemplo, é possível observar uma redução de produtividade da soja de aproximadamente 10% com a perda de apenas um cotilédone, destacando a importância do manejo de pragas nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja.

Embora Bueno et al. (2012) afirme que o nível de ação de 30% de desfolha para o período vegetativo da cultura seja seguro, sem implicar em perdas significativas na produtividade da soja, cabe destacar que nos estádios iniciais do desenvolvimento da cultura, especialmente antes da formações dos trifólios, é fundamental atentar para o manejo e controle de pragas, uma vez que a planta ainda não apresenta plena capacidade em suprir suas necessidades e utiliza as reservas dos cotilédones.

Veja também: Tratamento de sementes: uma das práticas de melhor custo-benefício no cultivo da soja

Referências:

BARBOSA, G. C. et al. IMPACTO DE DIFERENTES NÍVEIS DE INJÚRIAS SOBRE A PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE SOJA DE HÁBITO DE CRESCIMENTO DETERMINADO E INDETERMINADO. VII Jornada Acadêmica da Embrapa Soja, 2012. Disponível em:  <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/67783/1/ID-33358.pdf> acesso em: 02/10/2020.

BUENO, A. F. et al. REPOSTAS DE CULTIVARES DE SOJA DE HÁBITO DETERMINADO E INDETERMINADO À INJÚRIAS NA FASE INICIAL DO DESENVOLVIMENTO DAS PLANTAS. VI Congresso Brasileiro de Soja, 2012.

FERNANDES, E. T. EFEITO DOS DIFERENTES NÍVEIS DE INJÚRIA INICIAL E DE DESFOLHA NO DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DA SOJA. Universidade Federal da Grande Dourados, 2014.

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