Na segunda quinzena de março, produtores mato-grossenses de algodão da região Sul de Mato Grosso (Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde) receberam a visita do pesquisador americano Dr. Peter C. Ellsworth, da Universidade do Arizona, cujo foco de estudo é o desenvolvimento e implantação de Programas de Manejo Integrado de Pragas, sendo atualmente a mosca branca uma das principais pragas. A visita foi viabilizada por meio do Instituto Mato-grossense de Algodão (IMAmt).

Esse inseto é conhecido por atacar diversos cultivos, como soja, tomate, feijão, algodão e hortaliças e por apresentar populações resistentes a uma ampla gama de inseticidas utilizados na agricultura. Nos últimos anos, o inseto tem sido muito presente no sistema de cultivo adotado no cerrado, onde há o plantio de diferentes culturas em sistema de rotação, que favorece a ocorrência de várias pragas, entre elas a mosca branca.

No estado americano do Arizona, Ellsworth pesquisa a mosca branca há mais 30 anos, suas particularidades, controle da população e dos danos causados por ela. Segundo o pesquisador, além de introduzir toxinas, o inseto pode transmitir doenças severas nas plantas de diferentes cultivos. A mosca branca é um inseto originário da região do Mediterrâneo e foi coletada e identificada pela primeira vez no Brasil em 1929. Desde então, com a entrada de novos biótipos, as técnicas de manejo da praga foram revistas, buscando sempre o controle eficiente das populações.



Segundo Ellsworth, a mosca branca pode ser encontrada em qualquer região do mundo cujo clima é quente, como na Austrália e Israel, onde aplicou seus estudos ao longo dos anos. “É sempre muito interessante ver outras partes do mundo onde a agricultura existe e, particularmente, onde há problemas com pragas. Em Mato Grosso, foi incrível conhecer os desafios enfrentados com as pragas e com o ambiente que manejam. Vi muitas coisas inéditas, o que tornou a experiência muito enriquecedora. Além de aprender com os produtores, entomologistas e consultores e passar minha experiência adquirida ao longo dos anos no Arizona. Lá, temos um programa de manejo que é único no mundo e ocasionou uma grande mudança em nossas lavouras”, explica Ellsworth.

Para o americano, o trabalho conjunto entre os produtores de algodão do Estado se mostrou uma importante saída para o controle desta praga. “Me impressionou a ótima comunicação entre os homens do campo, o que é bem diferente do que estou acostumado a ver. Observei muitos brasileiros jovens, focados, investindo em estudos e manejo de forma admirável. Foi uma experiência interessante e divertida observar os diferentes sistemas de produção, aprender como as pragas os impactam e o que deve ser feito em relação a este problema, visto que sempre existem outros desafios envolvidos”, frisa.

A visita também foi acompanhada pelo pesquisador Rafael Major Pitta, entomologista da Embrapa Agrossilvipastoril, que realiza uma série de trabalhos sobre Manejo Integrado de Pragas (MPI) e manejo da resistência de insetos-praga aos inseticidas em Mato Grosso. “Em 2017 tive a oportunidade de visitar, junto com alguns diretores da Aprosoja/MT, o trabalho desempenhado pelo Dr. Petter e fiquei impressionado com a eficiência do programa de manejo de pragas que eles conseguiram estabelecer no Arizona. O próximo passo seria trazê-lo a MT para ele entender a lógica dos nossos sistemas produtivos e então definirmos algumas ações, para que cheguemos a um patamar semelhante ao do Arizona. Após as diversas reuniões, ficou claro que temos condições de melhorar muito a qualidade do nosso manejo de pragas e consequentemente reduzirmos os custos produtivos e os riscos de perda de produtividade causada por infestações de pragas desequilibradas devido ao manejo preventivo/errôneo de pragas. Mas, para isso, será necessária maior interação entre pesquisa, indústria, extensão rural e produtores rurais”, explicou Pitta.

Para o pesquisador entomologista do IMAmt, Jacob Crosariol Netto, o trabalho conjunto dos produtores locais tem se mostrado uma ferramenta essencial, a exemplo dos trabalhos do Instituto focados na supressão das populações do bicudo-do-algodoeiro. “Tivemos acesso a trabalhos realizados pelo Dr. Petter nos EUA possíveis de serem replicados ou adaptados para a realidade local. Esses trabalhos evidenciam a importância de se utilizar a metodologia correta no monitoramento de pragas para verificar a infestação da mesma, bem como o tempo correto de aplicação de inseticidas, fator que reflete no melhor manejo da praga. Além disso o Dr. Petter nos colocou vários posicionamentos sobre a utilização de inseticidas mais seletivos aos inimigos naturais, fazendo a pirâmide entre o controle de pragas, preservação de insetos benéficos e inseticidas de alta eficiência, juntamente com o momento correto de aplicação, embasado pelo monitoramento”, frisou Netto.



O momento foi de destaque à pesquisa no campo. “Acima de tudo, o produtor deve acreditar no papel da pesquisa, que visa aplicar o estudo realizado, levando o resultado ao produtor, que por sua vez deve questionar e nos dar o retorno, para desenvolvermos novas pesquisas, sempre com o objetivo de buscar novas alternativas para o melhor manejo das pragas no sistema produtivo”, concluiu.

Além dos pesquisadores do IMAmt, acompanharam as visitas o entomologista do Instituto, Dr. Guilherme Gomes Rolim, além dos assistentes técnicos regionais Edenilson Souza, Gustavo Magnani e Renato Tachinardi.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Ampa

Disponível em: IMAMT 

Texto originalmente publicado em:
ImaMT
Autor: ImaMT

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