Em função dos benefícios proporcionados ao sistema de produção agrícola, os herbicidas pré-emergentes têm sido cada vez mais adotados nas culturas, especialmente em áreas com histórico de ocorrência de plantas daninhas de difícil controle em pós-emergência, como o caruru (Amaranthus spp.), a buva (Conyza spp.), o azevém (Lolium multiflorum) e o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica).
Além da resistência já consolidada a diferentes mecanismos de ação de herbicidas pós-emergentes, essas e outras espécies infestantes típicas dos sistemas de produção de grãos apresentam elevada capacidade reprodutiva, produzindo grandes quantidades de sementes. Falhas no manejo ao longo do ciclo das culturas e/ou o controle inadequado na entressafra favorecem a produção e a dispersão dessas sementes, contribuindo diretamente para a reposição e o aumento do banco de sementes no solo.
Figura 1. Plantas de caruru no final do ciclo da soja. Possível dispersão de sementes do caruru durante o processo de colheita.
Considerando que as sementes dispersas passam a compor o banco de sementes do solo e podem germinar sempre que encontram condições favoráveis de temperatura, luminosidade e umidade, a redução dos fluxos de emergência torna-se estratégica para diminuir a pressão de controle no período pós-emergente e favorecer o estabelecimento inicial da cultura no limpo.
Além da manutenção de uma boa cobertura do solo com palhada, o uso de herbicidas pré-emergentes se destaca como uma ferramenta eficiente nesse processo, uma vez que esses produtos atuam diretamente sobre o banco de sementes, interferindo na germinação e no desenvolvimento inicial das plântulas, inibindo ou até mesmo impedindo sua emergência.
Entretanto, a eficácia dos herbicidas pré-emergentes está condicionada a diversos fatores, como condições climáticas e ambientais, características do solo, seletividade à cultura, espectro de controle, residualidade e o correto posicionamento da aplicação. Nesse cenário, a escolha do produto mais adequado para cada situação pode ser complexa, exigindo conhecimento técnico, experiência prática e entendimento das particularidades de cada sistema de produção.
Auxiliando em um melhor posicionamento dos herbicidas pré-emergentes, um estudo desenvolvido por Silva e colaboradores (2025) reuniu os avanços recentes sobre a eficiência, seletividade e sustentabilidade dos herbicidas pré-emergentes, destacando os principais mecanismos de ação (HRAC), classes químicas e fatores edafoclimáticos que influenciam seu desempenho (tabela 1).
Tabela 1. Principais herbicidas pré-emergentes utilizados no manejo de plantas daninhas na cultura da soja, seus mecanismos de ação, grupo HRAC.

Adaptado: Silva et al. (2025)
Esses resultados contribuem para um melhor compreensão dos pré-emergentes para um melhor posicionamento na cultura da soja, demonstrando que herbicidas pré-emergentes exercem papéis distintos no manejo químico, variando em espectro de controle, residual, seletividade e resposta às condições edafoclimáticas.
Vale destacar que, resultados experimentais demonstram que herbicidas pré-emergentes com mais de um mecanismo de ação em sua formulação têm possibilitado um melhor controle de plantas daninhas, tanto de folhas largas como de folhas estreitas, fato associado especialmente ao maior espectro de ação (Borsato & Silva, 2024).
Confira o estudo completo desenvolvido por Silva e colaboradores (2025) clicando aqui!
Referências:
BORSATO, E. F.; SILVA, W. K. USO DE PRÉ-EMERGENTES – UM RELATO SOBRE O USO NO GRUPO ABC COM BASE EM DADOS DE 17 SAFRAS. Fundação ABC, 2024. Disponível em: < https://fundacaoabc.org/wp-content/uploads/2024/09/202410revista-pdf.pdf >, acesso em: 17/04/2026.
SILVA, A. N. et al. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA NO MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS. Enciclopédia Biosfera, 2025. Disponível em: < https://www.conhecer.org.br/enciclop/2025D/herbicidas.pdf >, acesso em: 17/04/2026.






