A Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto-praga característico em cultivos de milho, apresenta aparelho bucal do tipo sugador, realizando a sucção de seiva ao se alimentar e transmitindo patógenos que causam “enfezamentos” às plantas. O D. maidis atualmente é considerado uma praga severa para potenciais danos no cultivo de milho e era conhecido por infestar lavouras de milho nas regiões do cerrado brasileiro (ALBUQUERQUE et al., 2006). Contudo, nesta última safra 2020/21, apresentou forte pressão de ataque nos cultivos de milho e milho safrinha nos estados da região sul do Brasil, de modo que sua identificação e manejo são muito importantes para prevenir ou reduzir perdas no cultivo do cereal.

A Cigarrinha-do-milho é um inseto que apresenta tamanho reduzido (0,4 cm quando adulto), possui coloração branca a palha e geralmente é encontrada nas folhas próximas ao cartucho do milho e dentro dele (MARTINS et al., 2008), como é possível observar na Figura 1. Os ovos são colocados dentro dos tecidos foliares, principalmente na nervura central e sua fase de vida adulta pode durar em média 45 dias.

Figura 1 – Fonte: CIDASC

Um dos principais fatores que levou ao aumento considerável de cigarrinha no milho na região sul, decorre da presença quase constante de milho nas lavouras, principalmente do milho tiguera que se desenvolve na entressafra (período de inverno) e pelas áreas cultivadas com milho safra e milho safrinha. Por mais que o D. maidis alimente-se e proteja-se em algumas espécies de Poaceae, é apenas no milho que a praga se reproduz e por isso a permanência dessas tigueras, muitas vezes infectadas com fitoplasmas nas lavouras e o alongamento da presença de milho com duas safras do cereal, favorece a manutenção da praga na propriedade para a próxima safra. Além disso, o inseto possui alta capacidade de migração a longas distâncias, vindo de lavouras que estão em final de ciclo, o que facilita a colonização de lavouras recém instaladas (GRUPO CULTIVAR).

A cigarrinha ataca as plantas de milho durante todo o seu ciclo, mas é nos estágios fenológicos iniciais entre V1 e V5 que apresenta maiores riscos de provocar injúrias que serão notados principalmente a partir do início do estágio reprodutivo. Durante a sucção da seiva de plantas doentes, a cigarrinha adquire os patógenos e após infectada, ao se alimentar, transmite às plantas sadias vírus e molicutes (bactérias responsáveis por provocar os enfezamentos). O Rayado fino (MRFV) ou vírus da risca é causado por um vírus que é transmitido pela saliva da cigarrinha, os sintomas são o aparecimento de pontos cloróticos que se fundem formando riscos finos, como observado na Figura 2.A. As cultivares acometidas com esse vírus podem apresentar redução no crescimento, redução na área fotossinteticamente ativa e o abortamento de gemas florais (WAQUIL, JOSÉ M. 2004).

Os enfezamentos pálidos e vermelho são causados por molicutes que se desenvolvem no floema das plantas. Como se observa na Figura 2.B, o enfezamento pálido causa na base das folhas das plantas de milho listras descoloridas, amareladas ou verde limão que se estendem em direção ao ápice. Além disso, pode apresentar como sintomas o encurtamento dos entrenós que resulta em plantas raquíticas, bonecas pequenas e deformação no pendão, resultando na formação de espigas pequenas e com poucos grãos. Já o enfezamento vermelho causa nas folhas mais velhas cores avermelhadas, podendo ocorrer encurtamento dos entrenós e perfilhamento na base das plantas e nas axilas foliares, como visto na Figura 2.C, afetando o desenvolvimento das espigas e o enchimento de grãos (WAQUIL, José M., 2004).

Figura 2.A; 2.B; 2.C, respectivamente. Fonte das figuras: Epagri

Para o manejo bem sucedido deste inseto-praga é interessante adotar várias estratégias de controle. Um dos primeiros passos do manejo é a eliminação das plantas de milho tiguera nas lavouras, com o intuito de diminuir os hospedeiros para desenvolvimento da cigarrinha na entressafra. O controle químico é outra ferramenta recorrente, os principais inseticidas utilizados são dos grupos químicos organofosforados, neonicotinoides e piretróides que podem ser utilizados via aplicação foliar ou no tratamento de sementes (TS) (OLIVEIRA, Ueder P.,2020). Martins et al.( 2008) mostraram que o uso de thiodicarb + imidacloprid (0,3 L/60000 sementes) em TS avaliado aos 14 dias após a emergência do milho (DAE) resultou no controle de 85% das pragas e o uso de cipermitrina + thiametoxan (Engeo™, Syngenta) na dose de 250 ml/ha do inseticida aplicado aos 10 dias após a emergência ofereceu controle de 81% aos 14 (DAE), diminuindo para 61% aos 40 (DAE).

Para o controle biológico da cigarrinha-do-milho, pode-se utilizar os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana ou Metarhizium anisopliae. DINIZ 2019) estudou o uso de BeauveControl®, Simbiose® (Beauveria bassiana, 4 kg/ha) e MethaControl®, Simbiose® (Metarhizium anisopliae, 26,7 kg p.c./ha) apresentando eficiência de controle 1 dia após a aplicação de 71,8% e 70,3%, respectivamente. A rotação de culturas alterando cultivo de milho com outros cultivos, é outra tática de manejo que auxilia na diminuição da incidência de milho hospedeiro na lavoura por um longo período de tempo. E por fim, buscar utilizar híbridos de milho que possuam maior tolerância aos enfezamentos provocados pela praga, proporcionando maior resistência genética e diminuindo as perdas (OLIVEIRA, 2020).

Dessa forma, é importante que o produtor inicie o manejo da cigarrinha-do-milho ainda na entressafra com a retirada de milhos tiguera e na escolha de um híbrido que possua menor susceptibilidade ao ataque da praga. Realizar um tratamento de semente adequado para controlar o D. maidis no início da instalação da cultura ajuda a prevenir perdas por ataques inicias na entrada na lavoura com pulverizador logo após a emergência do milho e, por fim, monitorar constantemente a lavoura, principalmente nos estágios iniciais, uma vez que este é o momento crítico para causar danos severos, mesmo que os sintomas só apareçam na  fase reprodutiva. Todas essas tomadas de decisões assertivas culminam para a redução nas perdas de produtividade e asseguram uma melhor produtividade.

Autor: Venicius Ernesto Pretto – Acadêmico do 5º semestre do curso de Agronomia e Bolsista do PET Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Referências Bibliográficas.

CIDASC. Site reúne informações sobre doenças que têm causado prejuízos aos produtores de milho. Disponível em: <http://www.cidasc.sc.gov.br/blog/2017/05/21/site-reune-informacoes-sobre-doencas-que-tem-causado-prejuizos-aos-produtores-de-milho/>

DE ALBUQUERQUE, Fernando Alves et al. Eficiência de inseticidas aplicados em tratamento de sementes e em pulverização, no controle de pragas iniciais do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v. 5, n. 01, 2006. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/104598/1/Eficiencia-inseticidas.pdf>

DINIZ João Paulo Debs. Controle da Cigarrinha-Do-Milho, por fungos parasitas, em plantas de Zea mays (Var. Saccharata) em campo. Repositório Institucional do IF Goiano – RIIF Goiano, Sistema Integrado de Bibliotecas. 2019. Disponível em: <https://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/685/1/TCC%20Jo%c3%a3o%20Paulo%20Debs%20Diniz.pdf>

EPAGRI. Epagri divulga recomendações de manejo da cigarrinha-do-milho nas lavouras catarinenses. 2021. Disponível em: < https://www.epagri.sc.gov.br/index.php/2021/02/10/epagri-divulga-recomendacoes-de-manejo-da-cigarrinha-do-milho-nas-lavouras-catarinenses/>

MARTINS, Gustavo Mamoré et al. Eficiência de inseticidas no controle de Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae) na cultura do milho. Revista Caatinga, v. 21, n. 4, 2008. Disponível em: <https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/caatinga/article/view/425/430>

OLIVEIRA, Ueder Peres. Cigarrinha-do-milho: quais os danos para a cultura e como fazer seu controle. Sementes Biomatrix. 2020. Disponível em: < https://sementesbiomatrix.com.br/blog/manejo-de-pragas/cigarrinha-do-milho/>

REVISTA CULTIVAR. Cigarrinha do milho e a transmissão de doenças que afetam a produtividade. Disponível em: <https://www.grupocultivar.com.br/artigos/cigarrinha-do-milho-e-a-transmissao-de-doencas-que-afetam-a-produtividade>

WAQUIL, J. M. Cigarrinha-do-milho: vetor de molicutes e vírus. Embrapa Milho e Sorgo-Circular Técnica (INFOTECA-E), 2004. Disponível em: <https://www.embrapa.br/documents/1344498/2767891/cigarrinha-do-milho-vetor-de-molicutes-e-virus.pdf/17d847e1-e4f1-4000-9d4f-7b7a0c720fd0>

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