Objetivo deste trabalho é avaliar qual o subperíodo de desenvolvimento do milho que sofre maior redução na produtividade e número de grãos por espiga por restrição de radiação solar.

Autores: Álvaro de S. Carnellosso¹; Alencar J. Zanon2; Daniella M. Salvadé3; Isabela B. Pilecco3; Victória B. Inklman1; Ioran G. Rossato4 e Luis R. Bergoli¹

Introdução

O milho (Zea mays L.) é uma das culturas responsáveis pela segurança alimentar global (FAO, 2020). O Brasil é o terceiro maior produtor e o maior exportador mundial de milho (USDA, 2020). Tendo em vista, a safra 2020/21, a produtividade média do Brasil foi de 4.3 t ha-1 e do Rio Grande do Sul (RS) de 5.4 t ha-1 (CONAB, 2021), onde o RS apresenta um potencial de produtividade (Yp) de 15,9 t ha-1 e o Brasil 15,3 t ha-1 (Ribeiro et al., 2020), indicando que existe uma lacuna de produtividade de 34% no RS e 28% no Brasil. Assim, Ribeiro et al. (2020) estimou que uma espiga de milho, para alcançar altas produtividades, deve ter 14 fileiras e conter cerca de 519 grãos por espiga.

A radiação solar é a fonte de energia para todos os processos físicos, químicos e biológicos relacionados ao crescimento (Taiz et al., 2017). Em anos ou épocas do ano com baixa incidência de radiação solar, devido à alta nebulosidade, a radiação é um fator limitante para altas produtividades. Dependendo da fase de desenvolvimento da cultura com restrição solar, a perda de produtividade pode ser de até 50%. Além disto, manejando a data de semeadura é possível coincidir maior disponibilidade de radiação solar ocorra nas fases entre pendoamento (VT) até grão farináceo (R5) (Ribeiro et al., 2020), contribui para o aumento de produtividade de grãos. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar qual o subperíodo de desenvolvimento do milho que sofre maior redução na produtividade e número de grãos por espiga por restrição de radiação solar.

Material e Métodos

O experimento foi desenvolvido na área experimental da Universidade Federal de Santa Maria. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições. A semeadura ocorreu no dia 27 de outubro, com população de plantas de 90 mil plantas ha-1. A cultivar utilizada foi de AG9025, de ciclo superprecoce. Os tratamentos foram divididos em 2 fases de sombreamento mais a testemunha, a qual não será sombreada em nenhum momento. O primeiro tratamento foi imposto quando as plantas se encontrarem na fase de emergência, onde as mesmas ficaram sombreadas até o aparecimento da última folha com colar visível. O segundo tratamento foi imposto quando as plantas apresentaram o pendão (VT) e seguiram com restrição de radiação solar até o final de R3 (grão-leitoso).

Uma área de 5 m² de cada parcela foi destinada à colheita e para estimativa da produtividade e dos componentes de produtividade de grãos. O número de grãos por fileira, número de fileiras foram estimados a partir da colheita quando atingirem a maturação fisiológica (Ribeiro et al., 2020). O número final de grãos por espiga foi definido pela associação do número de fileiras por espiga e o número de grãos por fileira. A diferença entre as médias encontradas, para cada variável, foi avaliada utilizando o teste Tukey a 5% de probabilidade de erro.

Resultados e Discussão

A fase de desenvolvimento mais penalizada pela restrição de radiação solar foi quando  sombreamento aconteceu de VT a R3, que compreende ao período de florescimento a polinização, e sem efeitos significativos durante a fase vegetativa no número de grãos potenciais. Segundo o trabalho realizado por Cruz et al. (2010), quando ocorre redução de 30% a 40% de luminosidade, afeta a maturação dos grãos, ocasionando assim, queda da produtividade. Condições de estresse, como a restrição de radiação solar, afetam a produtividade de grãos, sendo que a intensidade varia de acordo com o estágio de desenvolvimento da planta (Yoshida & Parao, 1976). Durante o início da fase reprodutiva, o número de grãos por espiga diminuiu em 23%, e a produtividade em 42%, quando comparados ao tratamento testemunha (Figura 1). Não se observou efeitos significativos durante o sombreamento das plantas na fase vegetativa. Não ocorreu diferença significativa entre os tratamentos no fator número de grãos potenciais. Assim, esses resultados corroboram com os que foram encontrados por Ren (2005) que afirma que o sombreamento afetou negativamente o número de grãos por espiga, e consequentemente, na produtividade de grãos do milho.

Figura 3. Número de grãos por espiga, no tratamento testemunha (Test), vegetativo (VE-Vn) e entre pendoamento (VT) e início do enchimento de grãos (R3) sob restrição de radiação solar de 50% e sua relação com a produtividade. As colunas amarelas indicam o número de grãos, e as colunas em vermelho o número de grãos potenciais. As colunas estão relacionadas com o eixo Y da esquerda. A linha preta indica a produtividade de grãos e está relacionada com o eixo Y da direita. A linha vermelha pontilhada indica a regressão linear entre produtividade de grãos e os tratamentos. As barras de erros indicam a faixa de variação da produtividade nos tratamentos. O p<0,05 indica significância 5% de probabilidade de erro.

Conclusão

Podemos inferir que a fase de desenvolvimento do milho mais afetada pela restrição de radiação solar é de pendoamento, florescimento e início do enchimento de grãos. Nesse sentido, uma atenção maior deve ser dada ao enchimento de grãos, pois o impacto da restrição de radiação solar é mais intenso durante esta fase.

Informações sobre os autores:

  • 1 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS. E-mail: alvarocarnellosso@gmail.com
  • 2 Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.
  • 3 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS. E-mail: danii_salvade@hotmail.com
  • 4 Mestre em Engenharia Agrícola.

Referências

FAO.FAOSTAT: Agricultural production. Online. FAO, Roma: 2020. Disponível em: http://faostat.fao.org/. Acesso em: 17 agosto 2021.

CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Séries históricas. Disponível em: http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1252&. Acesso em: 17 agosto de 2021

CRUZ, J. C. et al. Cultivo do Milho. Embrapa Milho e Sorgo – Sistemas de Produção. 6. ed. Sete Lagoas, MG: Embrapa Milho e Sorgo, 2010. Cap.7. ISSN 1679-012X Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/27037/1/Plantio.pdf. Acesso em: 16 agosto 2021.

REN, G. Y. Climate changes of Chinese mainland over the past half century. Acta Meteorologica Sinica. 63, 942–956, 2005.

RIBEIRO, B. S. M. R. et al. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. Santa Maria, RS: Palloti/SM, 230 p. 2020.

TAIZ, L., ZEIGER, E., MOLLER, I. M., & MURPHY, A.. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. Artmed Editora, 2017.

USDA – UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE. Production, supply and distribution online.Online. Disponível em: http://www.usda.gov/wps/portal/usda/usdahome?navid=DATA_STATISTICS. Acesso em: 16 de agosto 2021.

YOSHIDA, S.; PARAO, F. T. Climatic influence on yield and yield components of lowland rice in the tropics. Climate and rice, v. 20, p. 471-494, 1976.

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