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Qual a perda tolerável de colheita do milho?

A colheita da lavoura é uma dos momentos mais esperados do ciclo da cultura. No entanto, para que as perdas de colheita não causem danos expressivos, é preciso definir o ponto adequado para a colheita do milho, bem como avaliar se as perdas obtidas estão dento do aceitável.

Infelizmente, é extremamente difícil obter condições de colheita em que não tenhamos alguma porcentagem de perdas. As perdas podem ocorrer na pré-colheita pela quebra e/ou debulha das plantas, na plataforma de corte e também no sistema de trilha da colhedora.

Níveis aceitáveis de perdas na colheita

Segundo Mantovani (2021), para a cultura do milho, são consideradas perdas aceitáveis de colheita, até 1,5 sc ha-1.

Fatores relacionados a perdas de colheita

Um dos principais fatores relacionados a perda de colheita no milho é o adequado ponto de colheita. O fim do ciclo do milho é marcado pela maturação fisiológica da cultura, período conhecido na fenologia como R6. Esse período é a última etapa do desenvolvimento do milho, ocorrendo normalmente de 50 a 65 dias após o início da polinização (Fancelli, 2015).

A maturação fisiológica do milho é marcada pela característica visual de “ponto negro” na base dos grãos (figura 1), o que demonstra que o grão já não apresenta mais ligação com a espiga.


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Figura 1. Ponto negro em milho (camada preta), característica marcante da maturação fisiológica da cultura.
Foto: José Carlos Madalóz

No entanto, não quer dizer que ao atingir a maturação fisiológica o milho esteja pronto para a colheita. Ao atingir a maturação fisiológica, normalmente os grãos de milho apresentam umidade em torno de 30% a 38%, umidade considerada elevada para o processo de colheita.

A umidade elevada dos grãos dificulta o processo de trilha, acentuando as perdas de colheita, pela dificuldade em separar a matéria seca dos grãos. Além disso a colheita sob elevada umidade pode ocasionar em danos internos nas sementes, reduzindo a qualidade fisiológica delas. Sendo assim, a colheita sob condições adequadas de umidade é ainda mais importante em lavouras destinadas a produção de sementes.

Com cerca de 18 a 25% de umidade, a colheita já pode acontecer, desde que o produto colhido seja submetido a uma secagem artificial antes de ser armazenado. Para o armazenamento, a umidade de massa de grãos deve estar entre 13% e 15% para evitar problemas na armazenagem, e reduzir a deterioração dos grãos por umidade (Magalhães & Durães, 2006).

Outro fator diretamente relacionado as perdas de colheita é a velocidade de deslocamento da colhedora. Estudos demonstram que, mesmo com o avanço tecnológico das colhedoras, o índice de perdas na colheita é maior a medida em que há o aumento na velocidade de deslocamento da colhedora. Logo, deve-se trabalhar dentro do estabelecido pelo fabricante.

A manutenção e regulagem das colhedoras também influencia nas perdas de colheita. Deve-se trazer a manutenção da colhedora sempre em dia, evitando não só elevadas perdas de colheita, como também a quebra por falta de manutenção.

No geral, deve-se assumir o limite de 1,5 sc ha-1 de perdas durante a colheita do milho. Casos as perdas sejam superiores, deve-se atentar para a regulagem da colhedora, velocidade de descolamento e sistema de trilha.


Veja mais:  Atenção com o manejo da Buva



Referências:

FACELLI, A. L. MANEJO BASEADO NA FENOLOGIA AUMENTA A EFICIÊNCIA DE INSUMOS E PRODUTIVIDADE. Visão Agrícola, n. 13, 2015. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/Esalq-VA13-Milho.pdf >, acesso em: 07/06/2024.

MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F. O. M. FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO DE MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 76, 2006. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPMS/19620/1/Circ_76.pdf >, acesso em: 07/06/2024.

MANTOVANI, E. C. MILHO: PERDAS DE COLHEITA. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/milho/producao/colheita-e-pos-colheita/perdas-na-colheita >, acesso em: 07/06/2024.

Equipe Mais Soja
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