O consumo de água ou a evapotranspiração acumulada do sorgo ao longo do seu ciclo, ou consumo sazonal, varia de acordo com os seguintes fatores: condições edafoclimáticas, duração do ciclo, manejo do solo e nível de estresse hídrico ao qual a cultura está submetida. Em regiões de clima mais quente e seco, o consumo de água é maior. Da mesma forma, o consumo de água de cultivares de ciclo mais longo é mais elevado. Entretanto, para uma mesma condição edafoclimática, o sorgo requer menos água no ciclo que o milho. Em alguns países, é possível obter boa safra de sorgo granífero com apenas 350 mm de água, contra 600 mm ou mais requeridos pelo milho. No Texas, EUA, com irrigação total, o sorgo granífero requer de 491 mm a 533 mm no ciclo, contra 441 mm a 641 mm do milho. Empregando-se irrigação com deficit, é possível produzir sorgo granífero com 206 mm de água no ciclo. Na mesma região, a produção de sorgo forrageiro com irrigação total requer de 489 mm a 671 mm de água, dependendo das condições climáticas. No Kansas, EUA, o consumo sazonal de água do sorgo granífero varia de 457 mm a 559 mm. Em Portugal, o consumo de água do sorgo sacarino foi de 450 mm, enquanto em Pelotas, RS, foi de 460 mm. Na região do Apodi, RN, o consumo de água do sorgo forrageiro foi de 564 mm em um ciclo de 92 dias. De uma forma geral, o requerimento de água do sorgo varia de 380 mm a 600 mm.

Que medidas podem ser utilizadas para reduzir o consumo de água em lavouras de sorgo?

Há diversas estratégias que possibilitam essa redução, quer sejam de ordem genética, quer sejam relacionadas ao manejo do sistema de produção ou da adequação do sistema de irrigação. Podem ser utilizadas cultivares mais tolerantes ao deficit hídrico ou que aprofundem mais o sistema radicular. A manutenção de  palhada na superfície do solo via utilização de sistema de integração lavoura-pecuária e/ou plantio direto, o uso de espaçamento mais adensado, o controle de plantas daninhas e a data de semeadura mais
apropriada para cada região ajudam na redução da evaporação da água pela superfície do solo, na fase inicial de desenvolvimento da cultura do sorgo. Nessa fase, o uso de irrigações menos frequentes também reduz o requerimento de água das culturas. Como regra geral, deve-se manter o solo em torno de 50% da sua água disponível. Entretanto, em algumas regiões e dependendo das datas de semeaduras, o sorgo granífero pode tolerar um esgotamento da água do solo de até 70%.


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Em regiões com escassez de água, em que a irrigação com deficit é uma alternativa, o uso de menor população de plantas reduz o consumo sazonal de água pelo sorgo. Do ponto de vista do sistema de irrigação, podem-se empregar métodos mais eficientes, melhorar a uniformidade de distribuição da água e evitar vazamentos nas tubulações. No Texas, EUA, pivôs centrais com low energy precision application (Lepa) e sistema de gotejamento enterrado são mais eficientes que os equivalentes convencionais, sobretudo quando se faz irrigação com deficit.

Que fases do ciclo da cultura do sorgo são mais sensíveis ao deficit hídrico e, consequentemente, ao uso da irrigação?

O sorgo granífero é mais sensível ao estresse hídrico na fase que vai da folha-bandeira até duas semanas após o florescimento. A falta de água no solo nessa fase reduz o número de sementes  da panícula e atrasa o ciclo do sorgo. A segunda fase mais restritiva é a do enchimento de grãos, período no qual o estresse hídrico reduz o peso dos grãos. Em ambas as fases, o estresse hídrico reduz a produção de biomassa e, sobretudo, o rendimento de grãos. De uma forma geral, o consumo de água pelo sorgo granífero é dividido igualmente entre antes e depois do florescimento, e 75% da água é consumida entre a iniciação da panícula e o estádio de grão leitoso.

É possível utilizar irrigação com deficit na cultura do sorgo?

Por ser uma cultura com características de tolerância à seca, o sorgo é apropriado para utilizar irrigação com déficit. O sorgo tem habilidade para extrair água em profundidades maiores que o milho, além de produzir mais biomassa, apresentar maior índice de colheita e maior eficiência de uso da água sob condições de deficiência hídrica. A irrigação com deficit tem potencial para aumentar a eficiência de uso da água do sorgo granífero. Em algumas regiões  com escassez de água, a redução de até 50% na lâmina de irrigação suplementar às chuvas reduz em mais de 50% a produtividade do sorgo granífero. No Texas, EUA, uma redução de 48% na lâmina de irrigação diminuiu o consumo de água do sorgo de 621 mm para 560 mm no ciclo. A eficiência de uso da água aumentou e não houve efeito na produtividade do sorgo. Na Austrália, para a produção de sorgo granífero, é mais rentável pré-irrigar uma grande área associada a uma pequena área de sequeiro do que irrigar de forma total uma pequena área associada a uma grande área de
sequeiro. No Texas, EUA, o uso da irrigação com deficit para a produção de sorgo para biomassa apresenta maior eficiência de uso da água do que um sistema totalmente irrigado. Entretanto, na Itália, na região do Mediterrâneo, a maior produtividade de biomassa de sorgo está subordinada a um adequado suprimento de água.

Fonte: Coleção 500 perguntas e 500 repostas Embrapa.

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Texto originalmente publicado em:
Embrapa
Autor: Embrapa: coleção 500 perguntas e respostas - Sorgo

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