Com a proibição do uso, aquisição e importação do Paraquete em território brasileiro na última terça-feira (22/09/2020), esse importante princípio ativo deixou de ser uma ferramenta usual na agricultura brasileira alterando o cenário do controle de plantas daninhas.

Em vídeo o professor da Universidade Federal do Paraná e supervisor do Grupo Supra Pesquisa Alfredo Albrecht aborda o banimento do Paraquete explicando como fica o cenário do controle de plantas daninhas sem esse importante princípio ativo. Alfredo destaca que o banimento do Paraquete tem preocupado agricultores, uma vez que em virtude da diversidade de plantas daninhas e sistemas de cultivo, o uso Paraquate possibilitava certa flexibilização no controle dessas plantas daninhas, espécies de folhas largas e estreitas.


Veja também: Com o Paraquate banido, qual a opção para substitui-lo?


Dentre os principais herbicidas indicados para a substituição do Paraquate, Alfredo explica que o Diquat, o qual apresenta mesmo mecanismo de ação e grupo químico apresenta menor eficiência no controle de plantas daninhas de folhas estreitas quando comparado ao Paraquate, contudo, apresenta bom controle de plantas daninhas de folhas largas. Outro fator que deve ser levado em consideração é que plantas de Buva (Conyza spp.)  que apresentam resistência ao Paraquate também apresentam resistência ao Diquat por se tratar de herbicidas de mesmo mecanismo de ação a grupo químico, sendo assim em áreas infestadas com buva resistente ao Paraquate, o Diquat não é uma alternativa interessante para o controle dessa daninha.



No entanto, embora tenha aumentado a complexibilidade do manejo de plantas daninhas, Alfredo destaca que algumas alternativas interessantes podem auxiliar no manejo dessas daninhas possibilitando um controle eficiente, sendo uma delas o uso de herbicidas inibidores da Protox. Dentre esses herbicidas pode-se destacar o Saflufenacil, o Carfentrazone e o Flumioxazin, esses dois últimos especialmente no controle de Trapoeraba (Commelina spp.) e Poaia-branca (Richardia brasiliensis) respectivamente.

Sendo assim, o uso de herbicidas inibidores da Protox pode proporcionar uma “substituição parcial” do Paraquate, principalmente quanto associados a outros produtos. Entretanto Albrecht comenta que até então não há um produto que substitua totalmente o Paraquate no controle de plantas daninhas atuando com tal abrangência.

Com isso práticas de manejo como o monitoramento e identificação das espécies daninhas nas áreas de cultivo tornam-se cada vez mais importantes para a determinação do herbicida ou associação de herbicidas a serem utilizados. Alfredo explica que produtos como Saflufenacil, o Carfentrazone e o Glufosinato podem ser associados a outros herbicidas como Glifosato ou herbicidas auxínicos no controle de plantas daninhas.

Contudo, tal prática pode aumentar o custo de controle de plantas daninhas, entretanto com o banimento do Paraquate podem se tornar medidas necessárias para evitar perdas de produtividade por matocompetição.

Confira o vídeo abaixo com as explicações do professor Alfredo Albrecht.


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