Atualmente, uma das mais preocupantes e agressivas plantas daninhas infestantes da cultura da soja é o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), também conhecido como caruru gigante. Mesmo que sua distribuição geográfica ainda seja limitada no Brasil, o impacto dessa planta daninha em culturas agrícolas como a soja tem assustado agricultores.

Segundo Gazziero & Silva (2017), dependendo da densidade populacional da planta daninha e estádio em que infesta as culturas, perdas de produtividade superiores a 91% podem ser observadas em milho, 70% em soja e até 77% em algodão. Além da elevada habilidade competitiva, essa planta daninha apresenta algumas características particulares que conferem a ela difícil controle e, maior persistência em áreas de cultivo.

Sob condições ideais ao seu crescimento e desenvolvimento, uma planta de caruru-palmeri pode crescer até 4 cm por dia, além de produzir elevada quantidade de sementes, podendo chegar a 250.000 por planta em alguns casos (Gazziero & Silva, 2017).

Figura 1.  Planta de caruru-palmeri (Amaranthus palmeri) em estádio inicial do desenvolvimento.

Foto: Dionísio Luiz Pisa Gazziero

Em função do tamanho, peso e formado das sementes do caruru, sua dispersão ocorre principalmente por máquinas e equipamentos agrícolas, além de animais e pela água. Após inserida em áreas de cultivo, as plantas de caruru são dificilmente erradicadas, principalmente em função da elevada produção de sementes, longo período de viabilidade no solo e resistência de algumas populações a herbicidas.

Ainda que não apresente tantos casos de resistência a herbicidas como nos Estados Unidos da América (EUA), segundo Heap (2023), no Brasil há relatos de dois casos de resistência do A. palmeri a herbicidas, um deles em 2015, na cultura do algodão, no Estado do Mato Grosso, cuja resistência relatada foi ao herbicida glifosato (herbicida inibidor da enzima enol-piruvil-shiquimato-fosfato sintase – EPSPs).

Já o segundo caso de resistência foi relatado em 2016, também no Estado do Mato Grosso, nas culturas da soja, milho e algodão. Nesse caso em específico, foi observada a resistência múltipla de plantas de A. palmeri aos herbicidas clorimuron-etil, cloransulam-metil, glifosato e imazetapir, herbicidas pertencentes aos grupos químicos dos herbicidas da EPSPs e herbicidas inibidores da enzima acetolactato sintase (ALS).



Mesmo que a resistência a herbicidas seja um fator a se considerar para o manejo e controle eficiente do caruru-palmeri, um dos fatores que mais preocupa é a elevada produção de sementes da planta, uma vez que a resistência e/ou tolerância a herbicidas pode ser herdade da planta mãe.

Considerando a produção de 100.000 sementes (40 ml ou 32g),  de A. palmeri por planta, supondo que 10% das sementes produzidas tivessem condições de emergir (10.000 plantas) e o controle realizado sobre essas plantas resultasse em 90% de eficácia, ainda assim, 1000 plantas sobreviveriam e teriam a capacidade de produzir novas sementes. Levando em consideração que as plantas sobreviventes produzissem apenas 10% do potencial produtivo em função de estresses, mesmo assim seriam adicionadas mais 10.000.000 de sementes (4L ou 3,22 kg) ao solo como resultado da primeira geração de indivíduos (Gazziero & Silva, 2017).

Figura 2. Capacidade de multiplicação de caruru como resultado de apenas uma geração de plantas, ainda que em condições desfavoráveis.

Foto: Dionísio Luiz Pisa Gazziero

Dessa forma, fica evidente a elevada capacidade do cururu em infestar áreas de cultivo, causando grande impacto, tornando extremamente necessário o manejo e controle dessa planta daninha antes que atinja a produção de sementes. Ainda que apresente difícil erradicação em áreas de cultivo, algumas alternativas de manejo contribuem para a redução do fluxo de emergência do caruru e controle efetivo dessa planta daninha.


Veja mais: MISSÃO CARURU Episódio 27 – Palha, luz e o caruru



Referências:

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159778/1/Doc-384-OL.pdf >, acesso em: 03/02/2023.

HEAP. I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2023. Disponível em: < http://www.weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 03/02/2023.

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