Na safra de inverno desse ano (2019), tem sido constatada a presença de lagarta-do-cartucho: Spodoptera frugiperda e lagarta-do-trigo: Mythimna (Pseudaletia) sequax ocasionando danos à cultura do trigo. Nota-se que há maior proporção de S. frugiperda em áreas onde houve o cultivo de milho na safra de verão. Essa espécie está causando danos na região do colo das plantas de trigo, podendo causar o tombamento das mesmas. Os danos causados por Mythimna (Pseudaletia) sequax ocorrem preferencialmente na parte aérea das plantas por meio da raspagem das folhas. Normalmente a ocorrência de Mythimna (Pseudaletia) ocorre próximo ao emborrrachamento do trigo, mas nesse ano a sua ocorrência tem sido observada já no perfilhamento da cultura.

Figura 1 Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Fonte: Alessandro Braucks.

Figura 2 Danos na parte aérea das plantas de trigo. Fonte: Alessandro Braucks

Figura 3 Lagarta “cortando” planta de trigo. Fonte: Alessandro Braucks.

Figura 4: lavoura danificada devido ao ataque. Fonte:: Alessandro Braucks.

 

Elaboração: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Rafael Paz Marques, do Molecular Insect Laboratory.

Colaboração: Alessandro Braucks.

Conheça melhor estas lagartas:

Nome Científico: Mythimna (Pseudaletia) sequax

Ordem: Lepidoptera

Família: Noctuidae

Status Regulatório: Praga não regulamentada

Nomes Comuns: Lagarta-do-trigo

Hospedeiros: Oryza sativa, Avena sativa, Saccharum officinarum, Hordeum vulgare, Zea mays, Triticum aestivum, Secale cereale, Citrus sp., Triticale sp..

Parte(s) afetada(s): Folhas

Fase(s) em que ocorre o ataque: Crescimento vegetativo

Identificação: As mariposas adultas têm uma envergadura de 35 mm com asas anteriores de coloração cinza-amarelada e uma faixa escura na área apical. A pupa é de coloração marrom. As asas posteriores são de coloração acinzentada. A lagarta possui três faixas de cor branco-amareladas nas laterais do corpo que é verde-escuro. Os ovos são brancos.

Bioecologia: É uma praga polífaga, alimenta-se de uma grande variedade de plantas, dentre as preferências estão trigo, milho, arroz, sorgo e aveia. A fêmea coloca os ovos em linha, um ao lado do outro sobre as folhas e colmos cobertos de uma secreção pegajosa, coloca entre 200 e 600 ovos durante o período de oviposição. As lagartas passam por cinco instares de desenvolvimento. Nos dois primeiros instares elas locomovem-se como mede-palmo e nos instares posteriores abandonam essa forma de movimentação. O estágio de pupa ocorre no solo. As lagartas têm por hábito alimentar-se durante a noite, e durante o dia procuram abrigo da luz do sol na base da planta. Caso a fonte de alimento se esgote, migram para novos locais em grupos semelhantemente a lagarta-militar. As populações conseguem sobreviver alimentando-se de gramíneas utilizadas na cobertura de solo no início da primavera. Quando ocorre a dessecação natural das gramíneas as lagartas passam a atacar as culturas .

Sintomas: Em plantas de trigo, as lagartas consomem todo o limbo foliar, arista e espigueta, sobrando por vezes apenas o colmo e parte do ráquis. A desfolha pode ser superior a 30% e a taxa fotossintética diminui devido a redução da área foliar. Causa também a queda das espigas dos afilhos mais atrasados.

Controle: Controle químico: Uso de produtos autorizados pelo Ministério da Agricultura.

Texto sobre as características da espécie Elaborado por: Giliardi Alves, disponível no Portal Defesa Vegetal.Net

Spodoptera frugiperda

Nome Científico: Spodoptera frugiperda

Ordem: Lepidoptera

Família: Noctuidae

Status Regulatório: Praga não regulamentada

Sinonímias: Laphygma frugiperda

Nomes Comuns: Lagarta militar, Lagarta-do-cartucho

Hospedeiros: Lactuca sativa, Medicago sativa, Arachis hypogaea, Oryza sativa, Asparagus officinalis, Avena sativa, Solanum tuberosum, Ipomoea batatas, Solanum melongena, Beta vulgaris, Brassica oleracea, Saccharum officinarum, Allium cepa, Daucus carota, Hordeum vulgare, Cichorium intybus, Pisum sativum, Spinacia oleracea, Phaseolus vulgaris, Citrus sinensis, Citrus limon, Citrullus lanatus, Zea mays, Prunus persica, Cucumis sativus, Capsicum annuum, Glycine max, Citrus reticulata, Solanum lycopersicum, Triticum aestivum, Vitis vinifera, Vigna unguiculata, Secale cereale, Cicer arietinum, Zingiber officinale, Cyperus rotundus, Chrysanthemum sp., Capsicum sp., Gossypium sp., Panicum miliaceum, Pennisetum glaucum, Sorghum bicolor, Nicotiana tabacum, Setaria italica, Sorghum halepense, Brassica oleracea var. botrytis, Brassica oleracea var. capitata, Chrysanthemum morifolium, Dianthus caryophyllus, Malus domestica, Trifolium repens, Hevea brasiliensis, Beta vulgaris var. saccharifera, Carya illinoinensis, Zea mays subsp. mays, Agrostis gigantea, Poa pratensis, Sorghum sudanense, Allium sp., Brassica rapa subsp. rapa, Gladiolus hybrids, Trifolium pratense, Citrus aurantium, Chenopodium album, Setaria viridis, Trifolium sp., Atropa belladonna, Hibiscus cannabinus, Chenopodium quinoa, Dahlia pinnata, Mucuna pruriens, Amaranthus sp., Ipomoea purpúrea, Pelargonium sp., Portulaca oleracea, Fagopyrum esculentum, Musa sp., Chloris gayana, Gossypium herbaceum, Brassica rapa subsp. oleifera, Echinochloa colona, Alcea rosea, Viola odorata, Brassica oleracea var. viridis, Convolvulus sp., Conyza bonariensis, Xanthium strumarium, Andropogon virginicus, Carex sp., Cenchrus incertus, Codiaeum variegatum, Eryngium foetidum, Fragaria chiloensis, Pennisetum clandestinum, Phleum pratense, Platanus occidentalis, Poa annua, Rorippa nasturtium-aquaticum, Sorghum caffrorum, Vaccinium corymbosum, Zea mays subsp. mexicana, Vitis sp., Plumeria sp., Agrostis sp., Carya sp., Beta vulgaris L. var. cicla.

Parte(s) afetada(s): Semente ou grão, Folhas, Flores, Frutos

Fase(s) em que ocorre o ataque: Crescimento vegetativo, Floração, Frutificação

Identificação: Ovos: possuem coloração verde-clara tornando-se alaranjados. Larvas: inicialmente são claras, passando para pardo escuro a esverdeadas até quase pretas, possuem três pares de pernas no tórax e cinco pares de falsas pernas no abdome, podendo atingir 50 mm de comprimento. Pupas: cerca de 15 mm de comprimento, de coloração avermelhada ou amarronzada. Adultos: medem cerca de 35 mm de envergadura, coloração das asas anteriores é pardo-escuras e as posteriores branco-acinzentadas.

Bioecologia: O inseto tem hábito noturno, coloca cerca de 100 ovos na parte superior da folha das plantas. A fase de ovo dura 3 dias com temperatura 25ºC. Lagartas recém-eclodidas alimentam-se da própria casca do ovo, depois permanecem em repouso entre 2 a 10 horas. As lagartas preferem alimentar-se de folhas novas e normalmente encontra-se uma por planta devido ao seu hábito canibal. As larvas trocam de pele sete vezes e na última ecdise deixam o cartucho, penetram no solo a 0,5 cm de profundidade, onde se transformam em pupas. A fase de pupa dura cerca de 10 a 12 dias nas épocas mais quentes do ano. A longevidade do adulto é de cerca de 12 dias e o ciclo completo da praga é pouco mais de 30 dias.

Sintomas: Folhas raspadas e perfuradas, cartucho destruído e espigas danificadas. Observam-se excreções das lagartas nas plantas, reduzindo a área foliar das plantas. Favorece o ataque de patógenos. As lagartas perfuram a base da planta, causando o sintoma de “coração morto”. A lagarta ataca preferencialmente o cartucho, destruindo-o, principalmente na fase próxima do florescimento. Plantas são cortadas rente ao solo, causando falhas.

Controle: Controle biológico: Utilizar Baculovirus spodoptera e Bacillus thuringiensis. Parasitoides: Telenomus remus, Trichogramma pretiosum e Trichogramma atopovirilia. Controle cultural: Realizar tratamento de sementes. Controle químico: Utilizar inseticidas específicos.

Texto sobre as características da espécie Elaborado por: Juliana Aparecida Dias e disponível no Portal Defesa Vegetal.Net

 

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