O presente trabalho teve por objetivo avaliar a incidência de três doenças
radiculares: Podridão Cinzenta (PC) (Macrophomina phaseolina), Podridão Geográfica (PG) (Phomopsis spp.), Podridão Vermelha das Raízes (PVR (Fusarium spp).

Autores: Marcelo G. Madalosso1, Rafael Cardoso2, Filipe Andres Dalenogare3; Jéssica S. Boff4. Mateus C. Dorneles5, Dionatan Frescura Nunes6, Higor da Silva7

Introdução

Nos últimos anos tem aumentado a incidência de doenças de solo e morte de plântulas na cultura da Soja (Glycine max), sendo que incidência depende muito da cultivar. O aumento dos tombamentos, pode prejudicar o estande de planta e a uniformidade da lavoura, além de facilitar a mato competição. Os patógenos de solo não são novidade na agricultura. Grande parte dos produtores não mudam o cultivo de soja, fazendo com que a monocultura, facilite a disseminação e permanência do patógeno no solo. Isso se deve a característica desses necrotróficos em permanecerem no solo saprofitando e/ou em estruturas de resistência. Esses fungos têm características distintas para sua ocorrência, como, por exemplo, a Podridão Cinzenta (PC), que ocorre mais em áreas compactadas e déficit hídrico. Já a Podridão Vermelha das Raízes (PVR) é uma doença de maior ocorrência em anos chuvosos, e em solos mal drenados, e a Podridão Geográfica (PG) acontece em ambas situações. A melhor alternativa seria a rotação de cultura, porém devido aos custos e infraestrutura, a grande maioria dos produtores não consegue executar esta pratica. Assim, a opção mais viável para o produtor seria identificar a doença em suas áreas e buscar uma cultivar que tenha maior rusticidade para o patógeno que atacou a cultura. O presente trabalho teve por objetivo avaliar a incidência de três doenças radiculares: Podridão Cinzenta (PC) (Macrophomina phaseolina), Podridão Geográfica (PG) (Phomopsis spp.), Podridão Vermelha das Raízes (PVR) (Fusarium spp).

Material e Métodos

O presente trabalho foi realizado no município de Capão do Cipó, na propriedade do produtor rural Adelmo Fracaro Cardoso, à qual fica localizada nas coordenadas, S 28° 54’ 32,7” e WO 54° 33’ 19”. Foi realizada a semeadura no dia 04/12/2018 em área com histórico dessas doenças radiculares, usando uma densidade de 18 sementes/metro linear, para todas as cultivares. Utilizou-se as 7 linhas de semeadura, com 9 metros de comprimento, assim proporcionando uma parcela de 27,71 m². Foram semeadas 20 cultivares de soja, fornecidas pela empresa 3 Tentos com TSI padrão da empresa (2ml/kg de Standak Top®, 2ml/kg de Yaravita Raiz®, Pó Secante, Polímero): 5959, 5947, 5838, 6410, 7063, Ativa, Lança, Raio, Ícone, Ponta, Elite, Zeus, Delta, Fibra, Compacta, 5892, 5601, 5909, 4823, Garra e Garra produtor. A cultivar Garra foi a única que teve as duas possibilidades, TSI e sem, por isso chamada de Garra produtor. As demais cultivares não foram encontradas sem TSI. Foram coletadas dezessete raízes de forma aleatória na parcela de cada cultivar, para fazer a avaliação. As raízes foram examinadas individualmente no laboratório de fitopatologia da URI Santiago, com o intuito de avaliar a incidência das doenças presentes em cada uma dessas raízes.

Resultados e Discussão

A exemplo de outras doenças do sistema radicular, ainda não estão disponíveis formas eficientes de controle da PVR. Entre as possíveis táticas de controle da doença pesquisadas atualmente, a seleção de cultivares resistentes é apontada como a mais promissora (Chang et al., 1996; Rupe et al., 1991). A cultivar 5601 foi a que apresentou a menor incidência de PVR, seguida da Raio, com 12 e 18%, respectivamente. Assim, se constatada a PVR na área, seria interessante o uso dessas cultivares (Gráfico 1).

Gráfico 1. Porcentagem de incidência de doenças radiculares em 21 cultivares de soja:

Nas cultivares com ciclo precoce os sintomas dificilmente aparecem, ou quando aparecem os danos são pequenos, sendo que a doença é mais severa em baixas temperaturas e alta umidade (Rupe et al., 1991). Já se a área for de histórico dessa doença, o uso da cultivar Lança não seria indicado, apresentando a maior incidência de todas as cultivares estudadas. As cultivares Ativa, 5838, 5947, Zeus e 5959 ficaram com incidência próxima a 50%, apresentando alto risco de utilização em áreas de histórico.

A contínua produção de soja em campos de semeadura direta (monocultura) pode resultar no acúmulo de palha, a qual é citada como agente favorecedor de enfermidades de PC e como um problema ao sistema de semeadura direta (Saraiva e Torres 1999). A longevidade dos microescleródios viáveis de PC, no solo, varia de três meses a três anos (Dhingra e Slincair 1978). Na avaliação de PC, a incidência desse patógeno foi alta em todas as cultivares, ficando as menores incidências com as cultivares (Fibra, 6410, Zeus, Ícone e 5959): 71%. A maior incidência ficou com a cultivar Ponta (100%), onde todas as raízes apresentaram sintomas de ataque de Macrophomina phaseolina.

Assim, em áreas com histórico, essa cultivar precisa ser evitada. Além dela, cultivares como 5838 e Garra produtor (sem TSI), apresentaram alto risco para uso em áreas com PC, pois ficaram com incidências de 94%. A incidência de PG nas raízes de soja estudadas foi alta. Quase todas as cultivares estudadas apresentou incidência de 100% para esta doença. Apena a cultivar 5892 apresentou incidência em torno de 70%, as demais ficaram acima. É importante o monitoramento desta doença, visto que produz grãos de menos peso e tamanho que são removidos no processo de limpeza (Sinclair e Backman, 1989). A análise dos dois tratamentos na cultivar Garra, que foi a única possível comparar com e sem TSI, apresentou resultados distintos. Para as três doenças analisadas, o uso do TSI resultou em menor incidência para todas elas, mostrando que auxiliou na proteção do sistema radicular contra o ataque dos patógenos.

Conclusão

De acordo com os resultados encontrados, foi possível concluir que as cultivares apresentam rusticidade diferentes com relação ao tipo de doença de solo. É fundamental conhecer o histórico da área para a escolha da cultivar com maior rusticidade. Além disso, é importante a disponibilidade dessa informação da cultivar. O uso do TSI mostrou ser eficiente para as três doenças de solo, comparada a semente sem tratamento na cultivar Garra, resultando e maior produtividade.


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Referências

CHANG, S.J.C., DOUBLER, V.K., SUTTNER, R., KLEIN, J., SCHMIDT, M.E., GIBSON, P.T. & LIGHTFOOT, D.A. Two additional loci underlying durable field resistance to soybean sudden death syndrome. Crop Science 36:1684-1688. 1996.

DHINGRA, O.D; SINCLAIR, J.B. Biology and pathology of Macrophomina phaseolina. Viçosa: UFV, 1978. 166P.

SARAIVA, O. F. ; TORRES, E. Manejo dos resíduos da colheita condicionado por sistemas de preparo do solo. In: EMBRAPA SOJA. Resultados de pesquisa da Embrapa Soja 1999. Londrina, 2000.

SINCLAIR, J.B.; BACKMAN, P.A. Compendium of Soybean diseases. 3th ed. The american Phytopathologicay Society. St. Paul, MN, USA, 1989.

RUPE, J.C.; GBUR JR. E.E. Effect of plant age, maturity group and environmental on disease progress of Sudden Death Syndrome of Soybean. Plant Disease. v.79, n.2, p.139 143, 1995.

Informações dos autores

1Professor do curso de Agronomia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus Santiago/RS e St. Ângelo/RS. madalossomg@gmail.com;

2, 3, 4, 5, 6, Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Regional Integrada do Uruguai e das Missões (URI), Santiago/RS.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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