Semioquímicos, conheça a classe de produtos biológicos desenvolvidos a partir de substâncias químicas provenientes de insetos e plantas.

Uma prática bastante sustentável que vem crescendo nos últimos anos entre os produtores rurais é o uso de semioquímicos. Trata-se de uma tecnologia que faz parte dos produtos biológicos de controle e, que tem sido muito eficiente no manejo integrado de pragas (MIP), estratégia bastante utilizada na agricultura moderna.

Ao falarmos em produtos biológicos de controle ou controle biológico é comum lembrarmos apenas dos inimigos naturais muito utilizados no controle de pragas por meio de parasitismo ou predação. No entanto, dentro desse universo também existem os semioquímicos – uma classe de produtos derivados de substâncias químicas naturais.

Conheça os semioquímicos?

Os semioquímicos são substâncias químicas produzidas por seres vivos e capazes de modificar o comportamento de outros seres vivos. É um termo de origem grega e vem da palavra semeion que significa “sinal”. Essas substâncias ainda podem ser classificadas em dois grandes grupos: os feromônios e os aleloquímicos.

Os feromônios são utilizados para a comunicação entre insetos da mesma espécie. Quando são liberados, interferem na capacidade dos insetos machos localizarem as fêmeas interrompendo o acasalamento. Já os aleloquímicos, ou alelomônios, são utilizados para a comunicação entre indivíduos de espécies diferentes, podendo ser insetos ou plantas.

De todos os semioquímicos utilizados no manejo de pragas, os feromônios são os que se destacam. Estes compostos estão entre as substâncias mais eficientes hoje conhecidas, por serem ativas mesmo quando usadas em concentrações extremamente baixas.

Por isso, hoje é possível utilizá-las como ingredientes ativos de produtos biológicos de modo a reduzir o acasalamento de insetos e diminuir a população de espécies que atacam as lavouras.

Os semioquímicos podem ser úteis para a agricultura de várias maneiras

Os semioquímicos são uma classe de produtos biológicos, podendo apresentar diferentes ações:

  • Atrair ou repelir pragas;
  • Estimular ou inibir a alimentação;
  • Confundir ou inibir o voo de pragas.

Por isso, antes de adquirir um semioquímico o produtor deve definir o objetivo a ser alcançado e buscar pelo produto mais adequado. Geralmente, os semioquímicos são utilizados em estratégias do manejo integrado de pragas, que incluem:

  • Monitoramento de pragas: que consiste em um acompanhamento da população de pragas de uma determinada área, utilizando armadilhas com feromônios;
  • Coleta massal: utiliza-se muitas armadilhas para conseguir capturar o maior número possível de insetos-praga, de modo a mantê-lo abaixo do nível de dano econômico;
  • Atração e morte: quando se utiliza feromônios misturadas com inseticidas para atrair e matar os insetos que entram em contato;
  • Confusão sexual: liberação de feromônio em uma determinada área para evitar ou reduzir o encontro entre parceiros e de modo a diminuir o acasalamento e formação de futuras gerações.

Os semioquímicos trazem vantagens aos produtores

A adoção de feromônios tem favorecido o manejo da resistência de insetos a defensivos químicos, assim como a redução de resíduos no campo. Isso acontece porque o emprego de feromônios acaba diminuindo a necessidade do uso de inseticidas o que também reflete em economia de combustíveis (que seria utilizado na aplicação de defensivos) e redução da emissão de gases do efeito estufa (GEE).

semioquimicos

Os benefícios dos semioquímicos em números

trabalho publicado em 2016 por pesquisadores brasileiros revelou os benefícios econômicos do uso, a longo prazo, de armadilhas com iscas de feromônio sexual da broca-dos-citros Gymnandrosoma aurantianum na região Centro-Sul do Brasil.

Os dados mostraram que de 2001 a 2013 os citricultores evitaram perdas de 132,7 milhões de dólares a 1,32 bilhão de dólares na receita bruta, em uma área de 56.600 a 79.100 hectares.

Além disso, após anos sucessivos de uso de armadilhas, os produtores alcançaram uma redução de, aproximadamente, 50% no uso de inseticidas para controlar a broca dos citros G. aurantianum.

Perdas evitadas em 12 anos com o uso de Semioquímicos
Benefício econômico: US $ 132,7 milhões a US $ 1,32 bilhão
Benefício Ambiental: 50% menos inseticidas

O estudo demonstrou que, além dos benefícios inestimáveis ​​ao meio ambiente, os feromônios sexuais são ferramentas de grande valor ​​para os produtores, pois quando usados no monitoramento de populações de pragas possibilitam menor uso de inseticidas, uma situação ganha-ganha.

O uso de semioquímico vem ganhando espaço na agricultura brasileira

O mercado mundial de semioquímicos ainda é muito pequeno, mas sofreu significativa expansão nos últimos anos, assim como todo o setor de biológicos. Atualmente, cerca de 10% dos produtos biológicos de controle registrados pertencem aos semioquímicos.

Pesquisadores tem atribuído esse crescimento como consequência do surgimento de novas tecnologias, mais eficientes, na identificação, isolamento e avaliação dessas substâncias químicas no campo. Ou seja, são avanços tecnológicos que viabilizaram uma nova geração de produtos.

Além disso, hoje já é possível utilizar os semioquímicos nas lavouras com o mesmo custo e eficiência dos inseticidas tradicionais. Outro avanço foi na produção desses produtos biológicos, já existem métodos de biotecnologia, com leveduras e bactérias, para uma produção de semioquímicos em maior escala, eficiência, qualidade e redução de custos.

A diferença é bastante significativa: produzir feromônio utilizando a química sintética convencional chega a custar 1.500 dólares por quilograma e produzir biotecnologicamente custa menos do que 300 dólares por quilograma, um valor cinco vezes menor.

Fica evidente as oportunidades de utilização de semioquímicos na agricultura como mais um recurso para o controle de pragas. Os benefícios dos semioquímicos são claros, a maior disponibilidade de feromônios e outros semioquímicos poderia aumentar os benefícios de um manejo mais direcionado de pragas, incluindo redução do uso de defensivos químicos.

Fonte: CropLife Brasil

Principais fontes:

Araújo, H. M., et al. Uso de semioquímicos no controle de lepidópteros. Scientific Electronic Archives, 2021.

Bento, J.M.S., et al. How much is a pheromone worth? F1000Research, 2016.

Blassioli-Moraes, M. C., et al. Semiochemicals for Integrated Pest Management. Sustainable Agrochemistry, 2019.

Ezzat, S.M., et al. Semiochemicals: A Green Approach to Pest and Disease Control. Natural Remedies for Pest, Disease and Weed Control, 2020.

Texto originalmente publicado em:
CropLife Brasil
Autor: CropLife Brasil

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