O sistema de produção Arroz–Soja é notavelmente empregado em áreas de terras baixas na região Sul do Rio Grande do Sul (RS), bem como no estado do Mississippi (Estados Unidos) e em algumas regiões da Colômbia, Venezuela e Paraguai. Ele consiste na rotação de cultura entre a semeadura de soja e o cultivo de arroz irrigado.

Nessas áreas, os fatores que limitam a produtividade da soja diferem daqueles observados nas áreas de terras altas, sendo comuns as seguintes características edáficas:

  1. Camada subsuperficial compactada;
  2. Baixa condutividade hidráulica e baixa capacidade de armazenamento de água;
  3. Baixo pH do solo (exceto na Venezuela e em certas localidades da Colômbia, onde o pH tende à alcalinidade).

As características edáficas peculiares das terras baixas impõem a necessidade de um manejo diferenciado, priorizando fatores que poderiam ser negligenciados em terras altas. Ambientes de várzea são naturalmente mais propícios à ocorrência de excesso hídrico no solo, um grande limitante para a produtividade da soja.

Para minimizar os efeitos negativos do excesso hídrico, diversas estratégias de drenagem devem ser adotadas de forma conjunta. Uma das principais estratégias durante a semeadura é a utilização de microcamalhões. Esta prática visa melhorar a aeração do solo e proporcionar o aprofundamento radicular das plantas, atenuando a ocorrência ou a intensidade do encharcamento.

A época de semeadura da soja em terras baixas possui uma influência distinta daquela observada em terras altas, especialmente em função do risco climático e das condições hídricas do solo. Uma análise realizada pela Equipe FieldCrops em 161 lavouras de arroz no RS identificou que a janela de semeadura que maximiza a produtividade está entre 21 de outubro e 18 de novembro que apresentaram as maiores produtividades de grãos de soja (5 T ha-1) (Figura 1), quando as semeaduras são realizadas antes do dia 20 de outubro, resulta-se em perdas de produtividade de 95 quilos por hectare por dia  (kg ha-1 d-1), enquanto semeaduras realizadas após 17 de novembro resultam em perdas de 68 (kg ha-1 d-1).

Figura 1. Produtividade de grãos de soja (t ha-1) em função da data de semeadura (dias após 20 de setembro) para lavouras de soja em rotação com arroz em terras baixas no Rio Grande do Sul, Brasil (A). Análise de probabilidade de produtividade de grãos de soja de 3 t ha-1 (linha tracejada preta) em função de duas épocas de semeaduras, em terras baixas no Rio Grande do Sul, Brasil (B).
Fonte: Equipe Field Crops

Com base em duas épocas de semeaduras (antes de 18 de novembro e a partir de 18 de novembro) foi determinada a probabilidade de atingir produtividades de grãos, acima ou abaixo, de 3 t ha-1 (Figura 1B). A análise de probabilidade indica que há 54% de chance de produzir igual ou mais que 3 t ha-1 em semeaduras de antes de 18 de novembro. Enquanto, semeaduras a partir de 18 de novembro a probabilidade é de 34%.

Referências Bibliográficas.

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

 

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