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Sistema ILP e os cuidados para a manutenção da qualidade do solo para a lavoura

Em diversas propriedades agrícolas, a associação entre lavouras e a pecuária contribui para a sustentabilidade da atividade agrícola e maior uso da terra, aumentando a eficiência do uso de recursos e melhorando a qualidade do solo e água. Entretanto, para que os efeitos benéficos dessa associação sejam observados, o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), deve seguir algumas premissas, tendo como base, a manutenção da sustentabilidade e qualidade da produção agropecuária.

Com a implementação do sistema plantio direto (SPD), a otimização do uso da terra em função da ILP tem se mostrado uma opção viável para o aumento da rentabilidade e sustentabilidade da produção de soja (Balbinot et al., 2020). Na Região Sul do Brasil, é comum observara o cultivo de espécies forrageiras seja para a produção de forragem e/ou para a cobertura do solo durante o período de inverno.

Em virtude da carência de espécies economicamente atrativas para o cultivo no inverno, em uma grande parte das propriedades é possível observar o cultivo de espécies forrageiras para a alimentação animal, especialmente durante o período de Abril a Setembro, onde há certa carência de vegetação espontânea para suprir a demanda da pecuária.

Conforme destacado por Balbinot et al. (2020), várias espécies de pastagens anuais de inverno que apresentam adequados rendimento, qualidade e são adaptadas às condições edafoclimáticas do Sul do Brasil, como aveia-preta (Avena strigosa), aveia-branca (Avena sativa), centeio (Secale cereale), azevém (Lolium multiflorum) e ervilhacas (Vicia sp.), são cultivadas fornecendo alimento aos animais no período de maior escassez de forragem oriunda de campos naturais e de pastagens perenes melhoradas de verão.

Tabela 1. Esquema representando os meses destinados ao cultivo de lavoura de verão e pastagem de inverno na região Sul do Brasil.

Fonte: Balbinot et al. (2020)

Contudo, além de definir a cultura a ser inserida no período do inverno, outro fator importante para a sustentabilidade e qualidade do sistema de ILP está é a lotação de animais por área. A elevada carga animal sobre as pastagens pode entre outros fatores, resultar na compactação do solo, comprometendo sua qualidade física para o crescimento e desenvolvimento de culturas anuais em sucessão, como soja e milho.

Normalmente, os efeitos da compactação do solo em virtude do uso contínuo e inadequado da ILP, são observados nas camadas superficiais do solo, especialmente na camada de 0 cm a 12 cm, entretanto, na maioria das vezes não atingindo valores que possam comprometer o crescimento e desenvolvimento das culturas anuais (Conte et al., 2011). Em circunstâncias onde há uma leve compactação do solo, especialmente nas camadas superficiais, a ação dos próprios mecanismos de semeadura como a haste sulcadora podem reduzir o grau de compactação e os efeitos decorrentes dessa compactação.

Sobretudo, vale destacar que a ação de bovinos sobre o grau de compactação do solo depende de uma série de fatores, tais como lotação de animais, sistema de pastejo, características de solo e condições climáticas e ambientais. Nesse sentido, os efeitos da presença de animais nas propriedades físicas do solo devem ser observados e analisados para cada situação de ambiente e manejo (Balbinot et al., 2020).



Visando mitigar os efeitos da compactação do solo pelo pisoteio animal, Balbinot et al. (2020) destacam que algumas estratégias de manejo podem ser adotadas. As principais consistem na adequada densidade populacional das forrageiras para implantação das pastagens, a retirada dos  animais da área 20 dias a 30 dias antes da dessecação da pastagem; e retirada dos animais da área conduzida sob sistema ILP em períodos em que o solo possui umidade próxima ou acima da capacidade de campo, colocando-os em áreas de pastagens perenes; a adequação da taxa de lotação de animais com base nas características do sistema de pastejo e espécie forrageira, entre outras.

Conforme destacado por Girardello et al. (2014), a compactação do solo (mensurada pela resistência do solo à penetração), é um dos principais fatores responsáveis pela redução da produtividade da soja, podendo resultar em significativas perdas produtivas para a cultura (figura 1).

Figura 1. Produtividade da cultura da soja em função da resistência da penetração, determinada após o manejo da cultura de cobertura e classificada de acordo com Arshad et al. (1996), em Latossolo Vermelho na safra de 2008/09 (Girardello et al., 2014).

Fonte: Girardello et al. (2014)

Além da taxa de lotação de animais, um dos principais fatores que contribuem para o aumento da compactação do solo em função do pisoteio animal é a umidade do solo. Levando em consideração que solos úmidos, e/ou em capacidade de campo estão mais propensos à compactação, o manejo dos animais com relação a entrada e/ou retirada das áreas de ILP nos períodos de maior umidade é imprescindível para o manejo da compactação do solo.

Figura 2. Efeito do pisoteio animal (bovino) em solo úmido.

Vale destacar que a taxa de lotação pode variar em função da espécie forrageira e sistema de pastejo, bem como período e entrada dos animais na área de produção, variando normalmente de 1 a 3 animais ha-1 conforme destacado por Zimmer et al. (2012). Para as estações, frias, em função da menor produção de matéria seca pelas culturas forrageiras, deve-se atentar para o posicionamento dos animais frente a cultura implementada. Quando bem manejado o sistema de produção, ganhos significativos podem ser observados inclusive na produção animal.

Tabela 2. Carga animal, produção de massa seca de forragem, ganho médio diário e ganho de peso vivo (kg PV/ha), de bovinos em pastagem de estação fria (consórcio de leguminosas + gramíneas), sob diferentes doses de nitrogênio, Londrina, PR.

Fonte: Assmann et al. (2010), apud Zimmer et al. (2012)

Embora exija uma série de cuidados para garantir a sustentabilidade e viabilidade do sistema de ILP, sob condições adequadas de manejo, é possível observar significativas contribuições ao sistema produtivo, possibilitando além do maior uso da terra, o maior retorno produtivo à propriedade.


Veja mais: Compactação do solo e sua relação com a produtividade da soja



Referências:

BALBINOT, A. A. et al. SOJA EM SISTEMA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA. Embrapa, Tecnologias de Produção de Soja, Cap. 6, Sistemas de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 27/02/2023.

CONTE, O. et al. EVOLUÇÃO DE ATRIBUTOS FÍSICOS DE SOLO EM SISTEMA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 46, p. 1301- 1309, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pab/a/mwDDqhNnJZ6vZQDtFhKSZ4v/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 27/02/2023.

GIRARDELLO, V. C. et al. RESISTÊNCIA À PENETRAÇÃO, EFICIENCIA DE ESCARIFICADORES MECÂNICOS E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM LATOSSOLO ARGILOSO MANEJADO SOB PLANTIO DIRETO DE LONGA DURAÇÃO. R. Bras. Ci. Solo, 38:1234-1244, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbcs/a/GL9npmLBjc5x5wY8zdVtCWS/abstract/?lang=pt >, acesso em: 09/05/2022.

ZIMMER, A. H. et al. USO DA ILP NA MELHORIA DA PRODUÇÃO ANIMAL IN: SIMPAPASTO – SIMÓSIO DE PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO. UEM/Sthampa, 2012. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1354377/1743380/Uso-ILP-estrategia-melhoria-producao-animal-Ademir-Zimmer.pdf/863043fb-9f09-455c-be8e-6b9cddbebcd4?version=1.0 >, acesso em: 27/02/2023.

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Equipe Mais Soja
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