A soja é carro chefe em muitas propriedades brasileiras, sendo a principal cultura de verão, cultivada de norte a sul. No entanto, algumas propriedades visando maximizar o uso da terra e aumentar a rentabilidade, optam pelo sistema de integração lavoura-pecuária.

O sistema se caracteriza pela alternância entre a produção de grãos e pastejo de animais em uma mesma área, é um sistema que permite a diversificação da produção, indução de rotação de culturas e ciclagem de nutrientes (Kunz et al., 2013). Entretanto, o pisoteio de bovinos em áreas de lavoura pode agravar a compactação do solo (Spera et al., 2010). Segundo Albuquerque et al. (2001) a compactação do solo ocasionada pelo pisoteio de animais pode restringir o crescimento radicular das culturas agrícola, interferindo negativamente na produtividade das lavouras.



Avaliando o efeito da integração lavoura-pecuária nas propriedades físicas do solo e características da cultura do milho, Albuquerque et al. (2001) observaram que tanto para o sistema plantio direto quanto para o sistema convencional de cultivo do milho, quando comparados à mata, uma degradação das propriedades físicas do solo é ocasionada em decorrência da integração lavoura-pecuária. Segundo os autores, a integração proporcionou uma redução da macroporosidade do solo, reduzindo a condutividade hidráulica do solo e também aumentando a resistência do solo à penetração.  Os autores destacam que para o sistema plantio direto, maiores valores de resistência do solo à penetração foram observados nas camadas mais superficiais do solo, enquanto que para o cultivo convenciona, maiores valores foram observados nas camadas de 10 a 20cm de profundidade.

Figura 1. Resistência do solo à penetração nos sistemas de preparo convencional, plantio direto e mata em um Nitossolo Vermelho.

Fonte: Albuquerque et al. (2001).

Tendo em vista que as camadas superficiais do solo são as mais exploradas pelas plantas no estádio inicial do desenvolvimento vegetal, o aumento da resistência do solo à penetração nessas camadas pode representar certa dificuldade à planta para o crescimento radicular. Em consequência, a absorção de água e nutrientes por parte das plantas pode ser limitada as camadas superficiais, prejudicando assim a produtividade da cultura e diminuindo a tolerância das plantas a períodos de estresse hídrico.

Com base nisso, alguns cuidados necessitam ser tomados para minimizar os danos causados pelo pisoteio animal. Uma das alternativas é o planejamento e manutenção do intervalo entre pastejo, pois segundo observado por Lanzanova et al. (2007) a redução do intervalo de pastejo prejudica propriedades físicas do solo, diminuindo a taxa de infiltração de água no mesmo.

A diminuição da taxa de infiltração de água do solo representa que menos água está infiltrando em dado período de tempo, isso é prejudicial a agricultura, pois além de diminuir a água armazenada no solo também pode resultar em erosão superficial.

Avaliando o impacto do pisoteio animal na compactação do solo sob integração lavoura-pecuária no oeste Baiano, Marchão et al. (2009) observaram assim como Albuquerque et al. (2001) que as áreas onde foi realizado o pastejo animal apresentaram maior resistência do solo à penetração, destacando o influência do pisoteio animal na compactação do solo.

Figura 2. Comparação entre perfis de resistência do solo à penetração (MPa) em área de integração lavoura-pecuária (com pastejo) e na mesma área, sob palhada de milho com Brachiaria ruziziensis sem pastejo (piquete isolado).

Adaptado: Marchão et al. (2009).

O aumento da resistência do solo à penetração pode acarretar em visível impedimento no crescimento radicular de culturas agrícolas, assim como demonstrado por Marchão et al. (2009) para a cultura do algodão em sucessão ao pastejo.

Figura 3. (A) imagens das trincheiras abertas em uma das áreas mostrando a avaliação da compactação no perfil do solo e detalhe da camada menos adensada; (B) avaliação do sistema radicular do algodoeiro dentre da parcela sem pastejo, com detalhe do crescimento lateral da raiz principal; (C) avaliação do sistema radicular do algodoeiro fora da parcela (área pastejada), (D) com detalhe do crescimento lateral do sistema radicular na profundidade de 10cm.

Fonto: Lourival Vilela e Robélio Leandro Marchão.

Veja também: Você sabe quanto está perdendo em produtividade pela compactação do solo?


Sendo assim, é fundamental pensar em estratégias que possibilitem a diminuição da degradação física do solo, buscando diminuir a compactação pela pisoteio animal no sistema integração lavoura-pecuária. Dentre as alternativas, evitar o uso de máquinas pesadas, assim como retirar os animais da área comum lavoura-pecuária quando o solo estiver com umidade acima do ponto de friabilidade são fundamentais para evitar a compactação do solo.



 Entretanto, a rotação de culturas, utilizando culturas com potencial de descompactação do solo ou mesmo com alta produção de resíduos vegetais antes e após a utilização da área para pastejo auxiliam na diminuição dos danos, proporcionando condições mais favoráveis ao crescimento e desenvolvimento vegetal. Outra estratégia interessante é atentar para a entrado dos animais na área de pastejo, não colocando os animais em áreas que não apresentam pastagem bem desenvolvida. Em casos mais severos de compactação do solo, medidas mais extremas podem ser tomadas para solucionar o problema a curto prazo, como a escarificação, entretanto a melhor alternativa ainda é o planejamento do sistema e rotação de culturas. Consulte um engenheiro agrônomo.

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Referências:

ALBUQUERQUE, J. A. et al. EFEITOS DA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA NAS PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO E CARACTERISTICAS DA CULTURA DO MILHO. R. Bras. Ci. Solo, p.717-723, 2001.

KUNZ, M. et al. COMPACTAÇÃO DO SOLO NA INTEGRAÇÃO SOJA-PECUÁRIA DE LEITE EM LATOSSOLO ARGILOSO COM SEMEADURA DIRETA E ESCARIFICAÇÃO. R. Bras. Ci. Solo, p.1699-1708, 2013.

LANZANOVA, M. E. et al. ATRIBUTOS FÍSICOS DO SOLO EM SISTEMA DE INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA SOB PLANTIO DIRETO. R. Bras. Ci. Solo, p. 1131-1140, 2007.

MARCHÃO, R. L. et al. IMPACTO DO PISOTEIO ANIMAL NA COMPACTAÇÃO DO SOLO SOB INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA NO OESTE BAIANO. Embrapa, Comunicado Técnico, n.163, mar. 2009.

SPERA, S. T. et al. EFEITO DE INTEGRAÇÃO ENTRE LAVOURA E PECUÁRIA SOB PLANTIO DIRETO, EM ALGUNS ATRIBUTOS FÍSICOS DO SOLO APÓS DEZ ANOS. Bragantia, Campinas, v. 69, n. 3, p695-704, 2010.

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