O mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) é uma doença fúngica que vem ganhando território ano após ano na cultura da soja. Várias plantas daninhas e até mesmo cultivadas podem servir como hospedeira do fungo, possibilitando sua sobrevivência em lavouras agrícolas, safra após safra, entretanto, é por meio dos escleródios que se da a maior parte da infecção e desenvolvimento do mofo branco.

Os escleródios são estruturas reprodutivas que possibilitam com que o fungo se disperse com maior facilidade, apresentando grande viabilidade e longevidade. Em condições adequadas de umidade e temperaturas, os escleródios germinam, dando origem a apotécios que produzem e liberam ascósporos (esporos infectivos), possibilitando o desenvolvimento da doença (Agro Bayer Brasil).

Figura 1. Fases do desenvolvimento do mofo-branco.

Segundo Meyer et al. (2014), o mofo-branco pode causar reduções de produtividade de até 70% na cultura da soja, sendo assim, considerada uma doença como elevado potencial em causar danos. Em lavouras onde não há histórico da ocorrência da doença, a principal forma de inserção do mofo branco na área é através da adição de escleródios na lavoura, mas você deve estar se perguntando, como ocorre essa adição?



Nem sempre técnicos ou produtores estão cientes da adição de escleródios de mofo branco na área de produção, isso, porque grande parte desses escleródios é adicionado através do uso de lotes de sementes mal selecionados ou de baixa qualidade sanitária. Em lavouras com ocorrência do mofo branco, os escleródios são colhidos junto a soja, logo, sementes mal selecionadas ou que não passem por um rigoroso processo de inspeção sanitária podem ser fonte de inóculo da doença.

Figura 2. Escleródios de mofo brando em sementes de soja.

Foto: José de Barros França-Neto

As sementes “piratas” por não passar por um rigoroso controle de qualidade podem ser consideradas as “vilãs” do manejo fitossanitário da soja, segundo Krzyzanowsk; França-Neto; Henning (2018), além de escleródios de mofo branco, essas sementes podem ser fonte de outras doenças e pragas da soja, incluindo nematóides fitopatogênicos presentes em partículas de solo.

Logo, o manejo do mofo-branco tem início ainda na escolha e aquisição das sementes, e não só de soja, visto que culturas hospedeiras como o nabo-forrageiro também podem conter escleródios em suas sementes. Com isso em vista, seja na aquisição de sementes de soja ou culturas de cobertura como o nabo-forrageiro, a utilização de sementes certificadas, de qualidade sanitária conhecida e comprovada é essencial para reduzir a incidência de doenças como o mofo branco na cultura da soja.


Veja mais: Atenção com a presença de escleródios de mofo branco nos resíduos no nabo forrageiro!



Referências:

AGRO BAYER BRASIL. MOFO BRANCO: O QUE É E COMO IDENTIFICAR. Agro Bayer Brasil. Disponível em: < https://www.agro.bayer.com.br/mundo-agro/agropedia/mofo-branco-o-que-e-e-como-identificar >, acesso em: 16/07/2021.

KRZYZANOWSK, F. C.; FRANÇA-NETO, J. B.; HENNING. A. A. A ALTA QUALIDADE DA SEMENTE DE SOJA: FATOR IMPORTANTE PARA A PRODUÇÃO DA CULTURA. Embrapa, Circular Técnica, n. 136, 2018. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/177391/1/CT136-online.pdf >, acesso em: 16/07/2021.

MEYER, M. C. et al. ENSAIOS COOPERATIVOS DE CONTROLE QUÍMICO DE MOFO BRANCO NA CULTURA DA SOJA: SAFRAS 2009 A 2012. Embrapa, Documentos, n. 345, 2014. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/985018/1/Ensaioscooperativosdecontrolequimicodemofobranconaculturadasojasafras2009a2012.pdf >, acesso em: 16/07/2021.

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