A mosca-branca (Bemisia tabaci) está entre as principais pragas em crescimento populacional para o Rio Grande do Sul, sua ampla capacidade de dano e alta proliferação em diferentes culturas têm preocupado produtores e técnicos. Recentemente temos encontrado em diferentes localidades sua presença na cultura da soja, porém em Cruz Alta e região, a cada safra observamos que sua frequência tem sido maior e mais precoce, fazendo com que seja necessário um monitoramento constante e por vezes o emprego de métodos de controle (Figura 1).

Figura 1 Histórico de ocorrência de Bemisia tabaci em soja. Cruz Alta, RS, safras 2015 a 2018. Fonte: Pasini et al., 2018.

Diante da sua ocorrência cada vez mais cedo nas lavouras de soja, buscamos verificar possíveis hospedeiros que permitam que essa praga complete ao menos mais uma geração. Há duas safras estamos analisando esses hospedeiros, porém já podemos identificar a própria soja como potencial, não somente para mosca branca, mas também para outros insetos de importância econômica (Figuras 2 e 3).

No Rio Grande do Sul, nos acostumamos com a ideia de “controle através da geada”, contudo, quando não temos uma constância de temperaturas abaixo da amplitude térmica dos insetos, isto pode acarretar em maior pressão populacional pela sobrevivência e reprodução destes organismos em períodos de entressafra.

Figura 2 Bemisia tabaci e Caliothrips brasilienisis em soja tiguera. Panambi, RS, 2019. Imagens: Eduardo Engel.
Figura 3 Bemisia tabaci e Caliothrips brasilienisis em soja tiguera. Panambi, RS, 2019. Imagens: Eduardo Engel.

Em função de não termos controle sobre variáveis climáticas, nos resta mitigar a presença de plantas tiguera como a soja, essa situação apresenta-se principalmente em áreas de pousio, onde plantas daninhas e tigueras desenvolvem-se sem nenhum tipo de controle. Desta forma, manter a área cultivada durante o ano todo com base na rotação de culturas, auxilia também no controle de plantas tiguera, reduzindo a pressão populacional de pragas como a mosca branca.

Autores:


Eduardo Engel – Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ.

 

Eng. Agr. Dr. Mauricio P. B. Pasini – Coordenador do Laboratório de Entomologia e da Área Experimental da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ. Consultor e pesquisador na INTAGRO Pesquisa e Desenvolvimento.

 

O Grupo de Pesquisa em Fitotecnia liderado pelos Professores Dr. Mauricio P. B. Pasini e Msc. José Luiz Tragnago trabalha com temas como: bioclimatologia e ecofisiologia dos cultivos agrícolas, fitossanidade, irrigação e drenagem e manejo de cultivos agrícolas. Você pode conferir os trabalhos realizados clicando aqui.


Foto de capa: Professor Jonas Arnemann

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