A semente é um dos principais insumos da produção agrícola, sendo responsável pelo bom estabelecimento da lavoura, estande de plantas e por garantir a carga genética da cultivar. Segundo FRANÇA NETO et. al (2007), a produção de sementes de qualidade depende de uma série de fatores os quais podem interferir em atributos de qualidade fisiológica, genética, física e sanitária das sementes. Garantir a qualidade desses atributos é uma tarefa difícil e distingue o manejo de uma lavoura para produção de grãos do manejo de uma lavoura para produção de sementes.

Tendo em vista o importante papel que a semente desempenha no sistema de produção, trabalhos avaliando a relação da qualidade de seus atributos genéticos, físicos, sanitários e fisiológicos vem sendo desenvolvidos no meio científico. SCHEEREN et. al (2010) avaliando a relação entre o vigor de sementes de soja e a produtividade da cultura, encontraram resultados que demonstram que sementes de alto vigor apresentam maior produtividade quando comparadas a sementes de baixo vigor.

Contudo, muitas vezes o custo de aquisição de sementes é visto como um oneroso investimento por parte de alguns produtores rurais, o que tendência esses produtores a produzir a própria semente, as conhecidas “Sementes Salvas”. O ato de produzir sementes Salvas é permitido desde que o produtor siga as orientações e normas presentes na legislação brasileira e declare a produção do material.

Veja também: Pirataria de sementes – ilegalidades de A a Z 

Produzidas as sementes e atestada sua qualidade, é necessário garantir a sanidade e integridade dessas sementes quando colocadas ao solo, a principal forma de se fazer isso é pelo uso do tratamento de sementes (TS). Segundo GOULART (200) o Tratamento de sementes consiste no recobrimento das sementes utilizando inseticidas e fungicidas para proteger as sementes do ataque de microrganismos do solo e insetos, além de diminuir a deterioração das sementes. O tratamento de sementes com inseticidas de efeito residual  também auxilia no controle de insetos no período inicial do desenvolvimento da cultura.

O TS pode ser realizado a nível de indústria (TSI) e a nível de fazenda (on Farm). Ambos trazem vantagens e desvantagens, as quais devem ser analisadas cuidadosamente pelo produtor e técnico responsável.

No tratamento de sementes on Farm, o custo é normalmente inferior, contudo necessita de mão de obra qualificada, além de impor riscos de contaminação e nem sempre apresentar boa uniformidade e recobrimento das sementes. Já no TSI, a quantidade de produto utilizada é uniforma, há um bom recobrimento das sementes e apresenta maior comodidade ao produtor, pois a semente já vem com o tratamento.

Figura 1. A esquerda TSI (figura a), a direita tratamento on Farm (figura b).

Foto: Dr. Thomas N. Martin

É notória a diferença de uniformidade e recobrimento das sementes quanto ao seu tratamento, especialmente quando polímeros são utilizados. Agronomicamente, o TSI traz mais benefícios ao sistema produtivo, pois garante que a semente utilizada será tratada, contudo a realização do tratamento na fazenda é uma opção para áreas de replantio, sementes produzidas na própria fazenda e adequação do tratamento padronizado aos problemas observados em cada talhão.

No entanto, o TS é apenas um dos cuidados necessários para garantir um bom estande de plantas e a produtividade da lavoura e deve ser realizado com cuidados, para que On farm ou industrial, tenha seus benefícios assegurados. No curso “Os 10 ”S” da produtividade da soja” o Dr. Thomas N. Martin trata dos principais cuidados e práticas de manejo que visam garantir altas produtividades da cultura.

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Referências:

FRANÇA NETO, J. B. et. al. TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA DE ALTA QUALIDADE – SÉRIE SEMENTES. Circular Técnica, n. 40. Embrapa, Londrina, mar. 2007.

GOULART, A. C. P. IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES DE SOJA COM FUNGICIDAS EM CONDIÇÕES DE DÉFICIT HÍDRICO DO SOLO. Comunicado Técnico, n.106.  Embrapa, Dourados, jun. 2005.

SCHEEREN, B. R. et. al. QUALIDADE FISIOLÓGICA E PRODUTIVIDADE DE SEMENTES DE SOJA. Revista Brasileira de Sementes, vol. 32, n.3 p. 035-041, 2010.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

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