O mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) é uma das principais doenças fungicas que acometem a cultura culta da soja. Segundo Meyer et al. (2020), a doença está presente em aproximadamente 28% da área de produção de soja no Brasil, causando perdas de produtividade que podem chegar a 70% em cultivares suscetíveis.

Os escleródios desenvolvidos pelo mofo-branco são estruturas formadas por um aglomerado de hifas de fundamental importância para a sobrevivência do fungo. Sob condições adequadas de temperatura e umidade, os escleródios germinam, dando origem a apotécios, sendo essa a principal fonte de infecção em plantas de soja.

Além do uso de sementes mau beneficiadas (contendo escleródios), algumas espécies de plantas de cobertura ou até mesmo culturas comerciais podem servir como plantas hospedeiras do mofo-branco, possibilitando a sobrevivência do fungo. Sendo assim, além do uso de sementes livres de escleródios e da rotação de cultura, o controle químico é essencial para reduzir as perdas de produtividade em soja.



Levando em consideração que os escleródios são a principal fonte de entrada da doença na lavoura e que é necessário realizar o controle do mofo-branco, uma alternativa complementar ao emprego de fungicidas químicos é o uso do controle biológico. Conforme observado por Fagundes (2015), alguns isolados de Trichoderma possuem a capacidade de inibir a germinação de escleródios de mofo branco, atuando como antagonistas ao desenvolvimento do fungo, agindo no controle biológico.

Avaliando a inibição do crescimento de Sclerotinia sclerotiorum por Trichoderma spp. in vitro, Delgado et al. (2007) observaram significativa inibição da Sclerotinia sclerotiorum pelos isolados de Trichoderma spp., destacando o potencial uso do Trichoderma no manejo do mofo-branco (figura 1). Para o experimento os autores utilizaram os isolados de Trichoderma pseudokoningii (CEN 209), T. inhamantum (CEN 277), T. aureoviride (CEN 278), T. stromaticum (CEN 279), T. longibrachiatum (CEN 280), Trichoderma sp. (CEN 281, CEN 282, CEN 283, CEN 284, CEN 285, CEN 286 e CEN 219) e Sclerotinia sclerotiorum (CEN 217) (Delgado et al., 2007).

Figura 1. Porcentagem de inibição da Sclerotinia sclerotiorum pelos isolados de Trichoderma spp.

Fonte: Delgado et al. (2007)

Os resultados obtidos por Fagundes (2015) corroboram os resultados encontrados por Delgado et al. (2007), destacando o potencial do Trichoderma em atuar no controle biológico do mofo-branco.  Segundo Fagundes (2015), alguns isolados de Trichoderma  podem inibir em até 99% a germinação de escleródios do mofo-branco que iriam resultar em apotécios caso germinassem. Embora ainda não se possa atribuir todo o controle do mofo-branco ao uso do Trichoderma, esse pode ser visto como uma importante ferramenta auxiliar no manejo da doença, especialmente em áreas infestadas ou com grande presença de escleródios.


Veja mais: Eficiência de fungicidas no controle do mofo-branco em soja



Referências:

DELGADO, G. F. et al. INIBIÇÃO DO CRESCIMENTO DE Sclerotinia sclerotiorum POR Trichoderma SPP. IN VITRO. Embrapa, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 214, 2017. Disponível em: < https://core.ac.uk/download/pdf/15424884.pdf >, acesso em: 29/09/2021.

FAGUNDES, I. R. F. SELEÇÃO DE ISOLADOS DE Trichoderma spp. ANTAGONISTAS A Sclerotinia sclerotiorum. Dissertação apresenta a Universidade Federal de Viçosa, 2014. Disponível em: < https://www.locus.ufv.br/bitstream/123456789/7511/1/texto%20completo.pdf >, acesso em: 29/09/2021.

MEYER, M. C. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2019/2020: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica n. 165, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/217684/1/Circ-Tec-165.pdf >, acesso em 29/09/2021.

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