Comentários referentes ao período entre 27/02/2026 e 05/03/2026

As cotações do trigo, em Chicago, recuaram nesta primeira semana de março, após dispararem no final de fevereiro, chegando o primeiro mês a US$ 5,91/bushel, puxadas pelas tensões no Oriente Médio. Após caírem para US$ 5,66 no dia 04/03, o fechamento desta quinta-feira (05) voltou a subir, atingindo a US$ 5,82/bushel. A média de fevereiro ficou em US$ 5,48/bushel, sendo 5,8% superior à média de janeiro. Um ano atrás, a média de fevereiro/25 havia sido de US$ 5,77/bushel.

Dito isso, o mercado do trigo continua sob tensão devido a continuidade do conflito armado entre EUA/Israel e o Irã, o qual se estende para outros países do Oriente Médio. Além da sensibilidade do mercado do trigo a este conflito, o mercado de fertilizantes é bastante atingido, assim como o custo da logística aumenta na medida em que o Irã fechou o estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo negociado no mundo. Mas, por enquanto, diante da abundante oferta mundial de trigo, seus preços internacionais ainda não sofreram muitas variações.

Por sua vez, na semana encerrada em 26/02, os EUA exportaram 344.272 toneladas do cereal, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial os embarques estadunidenses alcançam 18,6 milhões de toneladas, superando em 19% o registrado no mesmo período do ano anterior.

Vale, ainda, destacar que a Ucrânia realizou seus primeiros negócios com trigo da safra 2026, com preços entre US$ 200,00 e US$ 208,00/tonelada. Ou seja, é mais um produtor mundial entrando no mercado tritícola, fato que segura os preços internacionais e, por tabela, as cotações argentinas e brasileiras. “A Ucrânia é um dos principais exportadores mundiais de trigo e integra o chamado corredor de exportação do Mar Negro, região estratégica para o abastecimento de países do Oriente Médio e do Norte da África. Quando os preços começam a se formar nesse polo exportador, o mercado internacional passa a ter uma referência antecipada de valor. Para o produtor brasileiro, isso significa que oscilações no Leste Europeu podem afetar indiretamente: o valor do trigo importado; a competitividade do trigo nacional frente ao produto externo; a margem da indústria moageira; e o comportamento dos preços internos ao longo de 2026” (cf. Conab). Assim, preços baixos no mundo, com um Real valorizado como atualmente, isso significa importações baratas de trigo, impedindo aumento dos preços do cereal brasileiro.

Tanto é verdade que os preços internos do trigo se mantiveram ao redor de R$ 56,00/saco, nas principais praças gaúchas, e entre R$ 61,00 e R$ 65,00/saco no Paraná.

Por outro lado, vale destacar que de “janeiro para fevereiro, os preços médios do trigo apresentaram movimentos distintos dentre os estados, sendo que em Santa Catarina e no Paraná as médias mensais caíram em relação às de janeiro, pressionadas por estoques confortáveis e pela baixa necessidade de demandantes de realizar compras no mercado livre. Já em São Paulo e no Rio Grande do Sul, os valores foram sustentados pela postura mais firme do vendedor, que limitou o volume disponível no mercado livre, e por perspectivas de maior demanda no curto prazo. Levantamento mostra que, em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.146,62/tonelada em fevereiro, queda de 1,1% frente a janeiro/26 e de 18% em relação a fevereiro/25. No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.169,18/tonelada, com recuo de 0,8% no mês e de 17,6% no ano. Por outro lado, em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.291,83/tonelada, com avanço de 2,8% frente a janeiro, embora ainda 18,5% abaixo do registrado em fevereiro/25. E no Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.073,10/tonelada, com alta mensal de 2,1%, apesar da queda anual de 17,3%, em termos reais” (cf. Cepea).

Pelo sim ou pelo não, o mercado interno está operando abaixo da paridade de importação, com os moinhos, por enquanto, abastecidos. Com isso, os preços não reagem! Espera-se uma retomada das compras logo adiante, porém, a melhoria dos preços irá depender dos valores no mercado externo e do câmbio. O movimento de novas compras internas tende a se iniciar no começo de abril. Por enquanto, os preços internos, diante dos novos movimentos internacionais, estão mais baixos do que os praticados no mercado externo. Assim, fica evidente que o espaço de alta estará ligado à paridade de importação, pois esta funciona como um balizador dos preços internos.

Esta paridade tem por base os preços internacionais e o câmbio praticado no Brasil. O Brasil deverá importar, em 2026, algo em torno de 7,5 milhões de toneladas de trigo. Segundo analistas locais, hoje o produtor brasileiro de trigo deve observar três aspectos: o comportamento do dólar, as cotações internacionais do trigo e o ritmo de retorno dos moinhos às compras. Em o preço interno se mantendo abaixo do valor de importação, a tendência é aumentar o preço do trigo nacional e vice-versa (cf. Safras & Mercado).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).



 

FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: CEEMA

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.