A atividade agropecuária em qualquer parte do mundo é multiplicadora de riquezas e benefícios, não apenas porque o ser humano necessita de alimentos para sobreviver, mas porque ele consegue movimentar outros setores da economia a partir do campo. A indústria e comércio, independentemente do seu ramo, de uma forma ou outra, tem relação com o agro, que consome produtos e faz girar a economia em todos os setores. Desde os combustíveis, passando pelas máquinas, implementos e insumos agrícolas, culminando com as embalagens e o transporte que movimenta os produtos advindo do campo. Poucas pessoas dos centros urbanos se dão conta que a roupa que vestem, os calçados, as bolsas que usam e o alimento que consomem todos os dias vem do trabalho dos agricultores.

Para fazer chegar até a mesa ou as casas da população, os produtores rurais enfrentam inúmeras adversidades, muitas vezes correndo riscos com intempéries e de mercado, sem garantias de recuperação das perdas. Mesmo assim, o trabalho dos agricultores é pouco valorizado pela população e até mesmo pelas autoridades com o poder de estabelecer regras. Muitas são as variáveis que podem afetar os resultados das atividades agropecuárias, algumas incontroláveis, como é o caso do comportamento do clima, mas outras, bem que poderiam ter mais atenção não apenas dos governantes, como de outros setores que costumam olhar apenas seu umbigo, sem se preocupar com o que está ao seu redor, mesmo que direta ou indiretamente dependa deles.

Na produção agropecuária tudo tem um início para que a fila ande. Para plantar precisamos do uso de tecnologia, e a fertilização do solo torna-se necessidade premente para se obter o produto final, o alimento. Poucos se preocupam com isso, e quando podem até prejudicam o setor de fertilizantes, querendo levar vantagem individual em outras atividades, onerando os custos que muitas vezes inviabilizam economicamente a atividade agropecuária. Lamentavelmente em nosso país ainda temos carência de competência na gestão nos portos, por exemplo, por onde passam mais de 90 por cento dos fertilizantes utilizados em nossos solos. Além dos já costumeiros custos elevados nos portos, vez por outra aparecem atitudes que privilegiam outros setores, em detrimento dos fertilizantes.

A Fecoagro que atua nesse setor tem sentido na carne as consequências desses comportamentos incompatíveis com a ética na utilização dos portos. Infelizmente o tráfego de influência, ou qualquer outro benefício oculto, tem priorizado atendimento a outros produtos, importantes, mas não tão nobres e temporais como é o fertilizante. E o que é pior, as autoridades portuárias têm sido coniventes, numa verdadeira demonstração de que não conhecem as necessidades do setor agropecuário.

Plantar tem seu tempo certo, portanto, os produtos que irão para a terra têm que estar disponíveis na hora certa e não podem ficar aguardando nos portos, pagando elevados custos de estadia nos navios, por ter sido priorizado outros produtos que não seguem o mesmo calendário agrícola. Há que ter uma reforma nesse país também na área portuária, pois se não houver prioridades ao setor mais importante para o restante da economia, dificilmente seremos competitivos no mercado internacional com nossos produtos finais, que são os alimentos que exportamos, cujo início do processo vem dos insumos que precisamos importar na hora certa para garantir o sucesso das atividades agropecuárias. Com a palavra, quem de direito de resolver esse problema. Pense nisso.

Fonte: Fecoagro/SC

Texto originalmente publicado em:
Fecoagro/SC
Autor: Fecoagro/SC

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