Os preços do trigo em grão consolidaram um movimento de recuperação em abril. Esse avanço ocorreu em um contexto de restrição de oferta e baixa liquidez, características típicas do período de entressafra.
Vendedores estiveram retraídos, limitando a oferta no mercado spot à espera de melhores condições de comercialização. Esse comportamento, somado à menor disponibilidade interna, mantém o ritmo de negócios reduzido. Do lado da demanda, compradores com necessidade imediata acabam cedendo às cotações mais elevadas.
Em abril/26, o preço médio no Paraná foi de R$ 1.317,92/t em abril, aumento de 6,9% frente a março, mas ainda 14,4% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de março/26). No Rio Grande do Sul, a média atingiu R$ 1.208,20/t (o maior patamar desde setembro/25), com alta de 9,3% no mês, mas 16,5% inferior ao de um ano atrás. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.394,77/t em abril, avanço de 4,7% no comparativo mensal e o maior desde agosto/25; porém, com recuo anual de 15,1%. Em Santa Catarina, a média foi de R$ 1.235,04/t, a maior desde outubro/25, elevação de 2,4% no mês, mas 15,1% abaixo do observado em abril/25, em
termos reais – deflacionados pelo IGP-DI de março/26.
DERIVADOS DE TRIGO
A oferta de farelo de trigo aumentou no mercado spot, em um contexto de maior competitividade de produtos substitutos, como farelo e casquinha de soja, além do milho. Diante disso, vendedores reduziram os preços para preservar a competitividade. Há, inclusive, relatos de necessidade de paralisação de moagem em algumas unidades, diante da dificuldade do escoamento e da formação de excedentes.
Conforme dados do Cepea, de março para abril, o farelo a granel se desvalorizou 5,61% e o ensacado, 5,27%.
Para as farinhas de trigo, por outro lado, as cotações subiram, impulsionadas pelo repasse do custo do grão ao produto industrializado. Além disso, preocupações com as tensões geopolíticas reforçaram a firmeza exigida pelos vendedores. De março para abril, houve valorização de 1,28% para farinha integral, 1,08% para massas frescas, 0,95% para panificação, 0,29% para bolacha salgada, 0,09% para pré-mistura, 0,05% para massas em geral e recuo somente nos valores da bolacha doce, de 0,33%.
OFERTA E DEMANDA DOMÉSTICA
A Conab revisou os dados de oferta e demanda para a temporada de 2026 e, embora tenha elevado a estimativa de área em Minas Gerais, reduziu significativamente a projeção para o Rio Grande do Sul. Com isso, a área nacional deve somar 2,22 milhões de hectares, queda de 9,2% em relação a 2025. A produtividade média é estimada em 2.979 kg/ha (-7,5%), resultando em produção de 6,6 milhões de toneladas, 16% inferior à da safra anterior – redução de mais de 1,2 milhão de toneladas. Esse cenário reflete, em parte, a baixa rentabilidade observada nas últimas safras, somada às incertezas climáticas e aos riscos de comercialização.
Do lado da oferta, os estoques iniciais da temporada 2026, em 31 de julho, são estimados em 2,314 milhões de toneladas, recuo de 57,3% frente a 2025. As importações devem alcançar 6,65 milhões de toneladas (-2,5%), levando os suprimentos totais a 15,58 milhões de toneladas, retração de 3,6% no comparativo anual.
Quanto à demanda, o consumo interno é projetado em 11,8 milhões de toneladas entre agosto/26 e julho/27 (-0,8%), enquanto as exportações podem crescer 4,7%, atingindo 2,052 milhões de toneladas. Diante desse balanço, os estoques finais devem cair para 1,73 milhão de toneladas em julho de 2027, retração de 25,2% frente à temporada anterior.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAL
Dados divulgados em abril pelo USDA indicaram produção mundial de 844,152 milhões de toneladas na safra 2025/26, leve alta de 0,2% frente à projeção de março e 5,6% acima da temporada anterior. Para o Brasil, houve revisão negativa de 1,6%, para 7,873 milhões de toneladas. O consumo global foi ajustado para baixo em 0,6% no comparativo mensal, totalizando 820,12 milhões de toneladas, mas ainda está 1,3% acima do ciclo anterior. Já os estoques finais foram revisados para 283,12 milhões de toneladas, avanços de 2,2% frente a março e de 9,3% na comparação anual. O comércio global (exportações e importações) foi estimado em 221,913 milhões de toneladas, com leve aumento mensal de 0,1% e alta de 8,5% em relação à safra passada.
MERCADO EXTERNO
Os preços externos também avançaram em abril, impulsionados por preocupações climáticas nos Estados Unidos. Segundo o Monitor de Seca dos EUA, até 28 de abril, 69% da área cultivada estava sob algum nível de seca, frente a 32% no mesmo período de 2025. Dados divulgados pelo USDA em 4 de maio indicaram que 31% das lavouras de trigo de inverno apresentavam condições entre boas e excelentes, aumento de 1 ponto percentual na comparação semanal, mas 20 p.p. abaixo do observado há um ano.
Em abril, o primeiro vencimento na CME Group apresentou média de US$ 6,0139/bushel (US$ 220,97/t), altas de 1,2% frente a março e de 12,4% em relação a abril/25. Em Kansas, a média do mesmo vencimento foi de US$ 6,3462/bushel (US$ 233,18/t), avanços de 4,5% no mês e de 15,3% no comparativo anual.
Na Argentina, conforme os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia, na média mensal, houve aumento de 6% frente a março/26, embora ainda com recuo de 8,1% na
comparação anual, com média de US$ 227,95/t.
A Bolsa de Cereales indicou, em relatório divulgado no dia 22 de abril, que a área semeada com trigo na temporada 2026/27 deve cair 3% frente à 2025/26, para 6,5 milhões de hectares, embora permaneça 2,8% acima da média das últimas cinco safras. Segundo a Bolsa, o cenário reúne fundamentos climáticos favoráveis, com boa umidade do solo, mas enfrenta limitações econômicas, especialmente pelos elevados custos de insumos, com destaque para a ureia, fator que pode restringir tanto a área final quanto o nível tecnológico empregado.
Fonte: Cepea




