Se tinha alguém que pensava que os preços do trigo e, com ele, os preços das farinhas, iriam cair no primeiro semestre de 2021, pode tirar o cavalo da chuva. Mesmo que o dólar caia (e não há certeza sobre isto), a greve portuária na Argentina mudou completamente a feição do mercado para o próximo ano civil brasileiro.

E os principais motivos são os seguintes:

  1. O assunto “greve portuária” não figura entre as manchetes dos principais jornais argentinos desta terça-feira, como Clarín, La Nación, La Capital, nem os de Rosário, como Rosário3, mostrando que nem a mídia, nem o governo argentino dão nenhum valor ao problema, em que pese que mais de US$ 1,9 bilhão já deixaram de ingressar no país desde 9 de dezembro, data do início da greve. Parecem não saber que o principal problema do país é a falta de divisas e que a principal fonte de divisas está na exportação e embarques de produtos pelos portos.
  2. Hoje houve uma tentativa de acordo, os empresários melhoraram sua oferta aos trabalhadores, mas até o fechamento desta edição não havia ainda um desfecho.
  3. Não há certeza, mas, se esta greve não acabar ainda este ano, vai colocar em cheque o abastecimento de pelo menos metade dos moinhos brasileiros, de São Paulo para cima. Atualizamos ontem o Line Up de trigo do Brasil e percebemos que aproximadamente 208 mil toneladas de trigo argentino já nomeadas para o Brasil estão com embarques atrasados, mais 174 mil toneladas destinadas ao Brasil para carregar nos portos argentinos estão paradas, à espera do fim da greve. Isto significa algo como 382 mil toneladas de trigo atrasadas, ou quase um mês de moagem dos moinhos brasileiros que dependem diretamente do trigo argentino.
  4. Ressalte-se que o problema, por enquanto, está restrito aos portos e que não afeta o fornecimento de farinhas argentinas que vem ao Brasil por via rodoviária e que poderão ter a sua demanda aumentada.
  5. Se os moinhos brasileiros tiverem que importar trigo americano, ou russo ou canadense, terão que arcar com custos de aproximadamente US$ 30,00/t a mais em relação ao trigo argentino, o que encareceria os preços  finais junto aos moinhos, os preços das farinhas e dos subprodutos na mesa do consumidor.
  6. A curto prazo (janeiro) este atraso dos embarques de trigo nos portos argentinos poderá desencadear um aumento da demanda por trigo nacional, elevando os seus preços na já próxima semana, para os níveis de, pelo menos, R$ 1.400,00/t FOB aceitos pelos compradores, com vendedores aumentando proporcionalmente as suas pedidas. E, depois disto, em fevereiro, com o fim da disponibilidade nacional, os preços tomarão o rumo dos trigos importados, mesmo os produzidos no Brasil.


Fonte: T&F Agroeconômica

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