Autores: Maikely Luana Feliceti¹; Ilana Niqueli Talino dos Santos²; Renan Quisini2; Marcieli da Silva1; Thayllane de Campos Siega1; Victor Iago Braatz da Silva2; Jean Carlo Possenti3

Introdução 

A soja (Glycine max L. Merril) é considerada uma das culturas de maior potencial econômico tanto para a comercialização interna bem como também para a exportação. É também, uma das mais importantes oleaginosas do mundo e apresenta um crescente uso como fonte de alternativa de biocombustível (JUNIOR; KRUEL, 2019).

No Brasil, recentemente, foi desenvolvido um sistema que permite o resfriamento das sementes no momento do ensaque, após o beneficiamento, chamado Cool Seed (aeração artificial). E o sucesso desta nova técnica se fundamenta na possibilidade de manutenção da temperatura inicial das sementes ensacadas em níveis seguros, sem a necessidade de novo ciclo de resfriamento. Sendo um equipamento importante também, frente ao armazenamento das sementes de soja (DEMITO, 2018).

Diante do exposto, viu-se a necessidade de avaliar o resfriamento das sementes de soja no início do processo, para ver se o mesmo auxilia na qualidade das sementes. O objetivo do trabalho foi avaliar o resfriamento artificial previamente de sementes de soja após o ensaque.

Materiais e Métodos 

O presente trabalho foi realizado no Laboratório de Sementes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, campus Dois Vizinhos, Paraná. Foram utilizadas sementes de duas cultivares de soja, sendo: TMG 7262 RR e TMG 7063 IPRO, produzida na safra 2017/2018. Buscou-se utilizar duas peneiras de cada cultivar de tamanho 5,5 e 6.5.

No momento do beneficamente os tratamentos foram separados, em amostras que passaram pelo resfriamento (Cool Seed), ou não. Cada cultivar de peneira diferente e resfriada ou não, representou um diferente tratamento.

Em laboratório, os lotes foram amostrados de acordo com a Regras de Análise de Sementes – RAS (BRASIL, 2009). As amostras simples após homogeneizadas e quarteadas resultaram na amostra de trabalho.

As seguintes variáveis respostas foram avaliadas:

– Teste de germinação: O teste foi realizado de acordo com a RAS (BRASIL, 2009), com quatro repetições de 50 sementes cada, em rolo de papel (RP). A leitura do teste foi realizada aos cinco dias.

– Envelhecimento acelerado: Realizado conforme a metodologia de Krzyzanowski et al. (1999), em câmera de B.O.D por um período de 48 horas a 41°C, em caixas Gerbox® contendo 40 ml de água, sobre uma tela adaptada. Definiu-se o teor de água ao início e ao final para determinar a embebição das sementes. Posteriormente, efetuou-se o teste de germinação, com quatro repetições de 50 sementes em substrato RP, de acordo com a metodologia adaptada das RAS (BRASIL, 2009).

O teste foi realizado em delineamento experimental inteiramente casualizado (DIC), com quatro repetições. O conjunto de dados foi submetido ao teste de normalidade e homogeneidade. Após compridos os pressupostos, os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e sendo constatado significância entre os tratamentos, aplicou-se teste de comparação de médias (Tukey a 5% de probabilidade) com auxílio do programa estatístico Genes.

Resultados e Discussão 

Para a variável germinação, não houve diferença estatística entre os fatores (cultivar x não resfriadas e resfriadas x diferentes peneiras). No entanto, houve diferença estatística entre as cultivares e o fator não resfriadas e resfriadas.

Na tabela 1 é possível observar que os resultados das médias de porcentagem de germinação de sementes de soja, demonstram que houve diferença estatística entre as variáveis, sendo que a cultivar TMG 7262 RR quando não foi submetida ao resfriamento, obteve valor superior de germinação, em comparação com as sementes que foram resfriadas. Já a cultivar TMG 7063 IPRO não apresentou diferença estatística entre as duas condições analisadas.

Já para os resultados de envelhecimento acelerado, demonstram que não houve diferença estatística entre as sementes não resfriadas e resfriadas, nas diferentes peneiras (Tabela 2). Porém dentro do fator peneira 5.5 mm, a germinação de sementes não resfriadas foi maior e se diferindo estatisticamente das que foram resfriadas. Dentro da peneira 6.5 mm não houve diferença estatística.

Zuchi et al. (2013), em seu trabalho com três cultivares de soja enfatiza a importância da temperatura das sementes resfriadas, onde a temperatura das sementes resfriadas permaneceu menor que as sementes não resfriadas apenas nos primeiros 15 dias. Fato ligado ao armazenamento que foi feito em bags, não permanecendo em um ambiente resfriado.

Para Carvalho e colaboradores (2014), relatam que em condições não controladas, principalmente após 6 meses de armazenamento, as sementes têm seu vigor ou a germinação reduzida.

Conclusão 

Podemos inferir que o resfriamento pode ter causado uma desestruturação das organelas, influenciando o vigor das sementes de soja.

Referências 

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília: 2009.

CARVALHO, E.R.; MAVAIEIE, D.P.R.; OLIVEIRA, J.A.; CARVALHO, M.V.; VIEIRA, A.R. Alterações isoenzimáticas em sementes de cultivares de soja em diferentes condições de armazenamento. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.49, n.1, p. 967-976, 2014.

DEMITO, A.; AFONSO, A. D. L. Qualidade das sementes de soja resfriadas artificialmente. Engenharia na Agricultura, Viçosa, MG, v.17, n.1, 7-14 Jan./Fev., 2009.

JUNIOR, E. L. T.; KRUEL, I. B. Avaliação de qualidade de sementes fiscalizadas e sementes salvas de soja. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 10, n. 2, 2019.

ZUCHI, J.; FRANÇA-NETO, J. de B.; SEDIYAMA, C. S.; FILHO, A. F. de L.; REIS, M. S. Physiological quality of dynamically cooled and stored soybean seeds. Journal of Seed Science, v.35, n.3, p.353-360, 2013.

Informações dos autores: 

1 Doutoranda em Agronomia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pato Branco/PR. E-mail: maikk_lu@hotmail.com;
2 Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos/PR. E-mail: ilananiquelitdossantos@gmail.com;
3 Docente no curso de Agronomia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos/PR. E-mail: jpossenti@utfpr.edu.br.


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