As lagartas da soja são capazes de reduzir a área foliar e causar injúrias nas vagens e nos grãos. O manejo desta praga depende do entendimento do seu comportamento e do seu ciclo de vida.

Mas você sabe a importância de conhecermos o ciclo de vida desses insetos? Neste texto vamos estudar quantos dias elas vivem para que você acerte o momento mais adequado de realizar o manejo e combater as principais lagartas da soja!

Na Figura 1, vamos aprender os momentos mais críticos de ocorrência das principais lagartas da soja. Note que todas apresentam a capacidade de incidir na fase vegetativa e permanecer até próximo à colheita. Por isso, monitore constantemente sua lavoura.

Figura 1. Ocorrência de lagartas na soja.

É importante que saibamos quantos dias ocorre a duração de cada estágio da praga (ovo, lagarta, pupa e mariposa) para acertarmos o manejo no momento mais apropriado.

Alguns inseticidas não controlam as lagartas em estádio de ovo. Os produtos apresentam ação lagarticida e, por isso, este é o momento correto de manejo. Lembrando que os estágios iniciais do desenvolvimento da lagarta, são mais indicados para o controle da praga.



Lagarta-do-velho-mundo (Helicoverpa armigera)

Esta praga, considerada exótica no Brasil, iniciou as infestações nas lavouras do país na safra de 2012, acarretando prejuízos de R$ 2 bilhões de reais em 2013. Tamanho foi a preocupação com a lagarta que houve registros de inseticidas de forma emergencial. A praga incide na lavoura de soja, principalmente, na fase reprodutiva da cultura, consumindo as vagens e os grãos.

Considerando que as lagartas sofreram com controle químico e a eficiência do manejo foi em torno de 85%, as sobreviventes irão infestar novamente. As lagartas que não foram suscetíveis aos inseticidas, irão pupar e se transformarão em mariposas. Essas, por vez, irão depositar seus ovos, que são colocados em torno de 2.200 até 3.000 (Ávila et al., 2013). Assim, reinicia o ciclo da lagarta. Note que a oviposição apresenta números elevados, caracterizando o potencial reprodutivo da praga.

Depois da primeira aplicação, o monitoramento deve ser intensificado em torno de 1 mês após o controle, pois as sobreviventes precisam pupar e depois se transformarão em mariposas, como mostra a Figura 2. Contudo, deve-se continuar averiguando as áreas da lavoura, pois os momentos de reinfestações podem variar conforme as condições climáticas.

Temperaturas mais quentes e com alta umidade relativa do ar, podem antecipar o seu ciclo (Bueno et al., 2017). Quanto menor o número de dias na fase de lagarta, mais rápido ocorrerá a reprodução e mais descendentes serão gerados. Fato indica que regiões com temperaturas elevadas e alta umidade são cenários ideais para o desenvolvimento dessa praga devastadora.

Figura 2. Ciclo de vida da Helicoverpa armigera

Lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

Apresenta este nome por se movimentar “medindo palmos”. A lagarta apresenta coloração verde clara e causa sintomas nas folhas com aspecto rendilhado por não consumir as nervuras.

A fase de ovos dura cerca de 3 dias. As lagartas apresentam cerca de 12-20 dias (possuem 6 estágios larvais). A fase de pupa é em torno de 7-9 dias e as mariposas duram de 1-2 semanas. A média de oviposição é de 300 a 1000 ovos. Potencial de reprodução menor que a Helicoverpa armigera.

O ciclo de vida desta lagarta é mais curto, em média dura 30 dias, como visualizamos na Figura 3. Por isso, após 3 semanas do seu controle, o monitoramento deve ser intensificado. Entretanto, durante todo este período deve ser realizado da mesma forma.

Como as demais lagartas, as condições ambientais podem interferir na velocidade do ciclo de vida da praga, antecipando as suas fases e produzindo maior número de indivíduos.

Entretanto, a temperatura pode não interferir nas taxas de consumo e elas conseguem manter a alimentação em condições extremas. Carvalho (2017) relatou que temperaturas de 25, 30 e 40°C possibilitam desfolha de 30%. Característica importante para iniciarmos o manejo, pois desfolhas acima deste valor podem afetar o rendimento econômico da cultura.

Figura 3. Ciclo de vida da falsa-medideira

Complexo Spodoptera (S. frugiperda, S. eridania e S. cosmioides)

A lagarta-do-cartucho é a principal na cultura do milho. Na leguminosa, as mais frequentes são S. eridania e S. cosmioides, conhecidas por atacarem as vagens. O seu ciclo de vida varia com os hospedeiros e as condições ambientais. Mas em média, na soja dura em torno de 30-40 dias.

Da mesma forma que as demais lagartas, após o controle algumas podem sobrevivem e possibilitam a reinfestação. As mariposas possuem a capacidade de ovipositar de 935 a 1.050 ovos (Mendes & Cruz, 2019).

A sua fase de lagarta dura no máximo 25 dias. É um período longo quando comparamos com as demais pragas, por isso apresenta alto potencial de causar injúrias. Quando ocorre controle neste momento, os indivíduos que sobrevivem precisar terminar o ciclo para ocorrer as reinfestações. Por isso, em torno de 1 mês após as aplicações, deve-se intensificar o monitoramento.

Quando encontra boas condições, podem gerar mais de 10 gerações anuais da praga (Bueno et al., 2017).

Veja também: Lagartas do Complexo Spodoptera: danos e controle

Figura 4. Ciclo de vida de Spodoptera eridania

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

A lagarta-da-soja apresenta ciclo que varia de 30-40 dias conforme as estações do ano, plantas hospedeiras, sexo do inseto e, principalmente devido a temperatura.

Visôtto (2007), relatou que a oviposição pode se elevar conforme as condições climáticas. Destacou que as fêmeas em temperaturas a 32,2°C produziram 310 ovos/fêmea, enquanto em temperaturas reduzidas para 27°C, ocorreu oviposição de 842 ovos.



Como visualizamos na Figura 5, seu ciclo larval também é longo. Da mesma forma que as demais lagartas estudadas, o controle geralmente, não apresenta supressão total. Por isso devemos conhecer seu ciclo e saber qual o momento da provável reinfestação. Considerando os dias de lagartas, pupa, mariposas e ovos, saberemos que a lagarta-da-soja poderá reincidir próximo a 1 mês após a primeira aplicação.

Figura 5. Ciclo de vida da lagarta-da-soja

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As principais lagartas da parte aérea da soja são a falsa-medideira, lagarta-da-soja, complexo Spodoptera e Helicoverpa armigera.

O ciclo de vida das pragas é em média de 30-40 dias. Entretanto, diversos fatores podem alterar esse número, como as condições climáticas (temperatura, umidade relativa do ar, precipitações), hospedeiros disponíveis, sexo dos insetos, estações do ano e o próprio manejo, sendo cultural, biológico ou químico.

Lembre-se que mesmo com utilização de moléculas químicas algumas pragas sobrevivem e se reproduzem, infestando novamente a lavoura. O controle é satisfatório quando atingir no mínimo 80% das pragas. Mesmo com este valor considerado eficiente, alguns indivíduos sobrevivem e reinfestam a lavoura, iniciando novamente outro ciclo da praga. Conhecendo a duração de cada período, podemos supor quando elas voltarão a atacar de forma mais intensa.

O monitoramento deve ser levado em consideração durante todo o ciclo da soja, pois nos possibilita um manejo mais assertivo e sustentável. O conhecimento das fases da praga nos garante realizá-lo no momento mais adequado para combater as principais lagartas da soja.

Lembre-se: o controle em seus instares iniciais possibilitam o melhor manejo, pois são mais suscetíveis aos produtos com ação lagarticida.

REFERÊNCIAS

ÁVILA, Crébio José; VIVAN, Lúcia Madalena; TOMQUELSKI, Germison Vital. Ocorrência, aspectos biológicos, danos e estratégias de manejo de Helicoverpa armigera (Hübner)(Lepidoptera: Noctuidae) nos sistemas de produção agrícolas. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, v. 12, 2013.

BUENO, Adeney et al. Efeitos do aquecimento global sobre pragas de oleaginosas. Aquecimento Global e Problemas Fitossanitários, p. 280, 2017.

CABI. Invasive Species Compendium. Spodoptera eridania. Disponível em: < https://www.cabi.org/isc/datasheet/44518 >. 2020

CARVALHO, Marina Mouzinho. Arranjos de semeadura e acão da temperatura na resposta de plantas de soja ao ataque de Euschistus heros (Fabricius)(Hemiptera: Pentatomidae) e Chrysodeixis includens (Walker)(Lepidoptera: Noctuidae). 2017.

MENDES, Caio Luís Ramos; CRUZ, Ivan. Ciclo biológico da Spodoptera eridania criada em dieta artificial. In: Embrapa Milho e Sorgo-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA PIBIC/BIC JÚNIOR/FAPEMIG, 14., 2019, Sete Lagoas.[Trabalhos apresentados]. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2019., 2019.

VISÔTTO, Liliane Evangelista et al. Contribuição da microbiota bacteriana para o processo digestivo e desenvolvimento da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis) e caracterização de bactérias proteolíticas associadas ao seu trato intestinal. 2007.

Redação: Equipe Mais Soja. 

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