Com o surgimento da tecnologia RR para culturas como soja e milho o glifosato passou a ser o herbicida mais utilizado no controle de plantas daninhas. Em muitas regiões a soja é a principal cultura de verão, sendo sucedida pelo milho segunda safra ou milho “safrinha” como é popularmente conhecido.

Entretanto, com o cultivo do milho RR plantas espontâneas de milho (milho tiguera) passaram a se tornar comuns nas culturas sucessoras do milho safrinha, assumindo papel de planta daninha e causando perdas de produtividade na cultura da soja.  Como as plantas de milho tiguera apresentam tolerância ao glifosato, novas alternativas são necessárias para o controle da planta daninhas, sendo a principal delas a utilização de herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

No trabalho intitulado “Interação de herbicidas ACCase e ALS com glyphosate™ no controle do milho tiguera RR” Rodrigues et al. (2018), avaliaram e eficiência de diferentes herbicidas no controle do milho tiguera com e sem a adição do glifosato. A aplicação dos herbicidas foi realiza no milho em estádio V8.



Para o presente estudo foram avaliados quatro herbicidas inibidores de ACCase e um herbicida inibidor da ALS, além do glifosato nos tratamentos que continham o herbicida. Os tratamentos bem como os herbicidas utilizados no presente estudo podem ser visualizados na tabela 1.

Tabela 1. Descrição dos tratamentos utilizados para avaliação do controle de milho tiguera.

Rodrigues et al. (2018).

O primeiro fator do experimento foi composto por Testemunha, Haloxyfop-pmethyl,Tepraloxydim, Sethoxydim, Fenoxaprop-pethyl, Imazethapyr. O segundo fator foi composto pelos mesmos tratamentos, com adição do herbicida glyphosate (Rodrigues et al., 2018).

Cabe destacar que o milho utilizado para compor o experimento foi cultivado em parcelas experimentais visando obter uma densidade populacional de 70 mil plantas.ha-1. Ou seja, o milho não estava presente no cultivo da soja como planta espontânea, mas sim em cultivo solteiro, entretanto ambos os herbicidas avaliados apresentam seletividade para soja.

Conforme observado pelos autores, aos 30 dias após a aplicação (DAA), os herbicidas haloxyfop e fenoxaprop apresentaram controle superior aos demais não havendo diferenças significativas para ambos com a adição do glifosato. Já aos 45 DAA, assim como o maior controle, a menor altura de plantas também foi observada quando utilizados os herbicidas haloxyfop e fenoxaprop. A adição do glifosato possibilitou o aumento significativo do controle de milho tiguera com os herbicidas Sethoxydim e Tepraloxydim, entretanto, valores inferiores aos obtidos com haloxyfop e fenoxaprop. A adição do glifosato ao herbicida Imazethapyr reduziu a porcentagem de controle do milho tiguera aos 45 DAA, não sendo indicada essa interação para o controle da planta daninha.

Veja também: Perdas por matocompetição em soja: o caso da buva e do amargoso

Tabela 2. Altura de planta e porcentagem de controle do milho “tiguera” aos 30 e 45 DAA.

Fonte: Rodrigues et al. (2018).

Com base nos resultados obtidos por Rodrigues et al. (2018), pode-se dizer que os herbicidas haloxyfop e fenoxaprop promovem bom controle do milho tiguera com ou sem a adição do glifosato, sendo ótimas alternativas para o controle da planta daninha. Um dos fatores que pode definir a adição ou não do glifosato a esses herbicidas no controle do milho tiguera é a presença de outras espécies daninhas nas áreas de cultivo, sendo fundamental a identificação dessas espécies e a definição do período de aplicação.

Confira o trabalho completo de Rodrigues et al. (2018) clicando aqui.



Referências:

RODRIGUES, L. M. et al. INTERAÇÃO DE HERBICIDAS ACCASE E ALS COM GLYPHOSATE™ NO CONTROLE DO MILHO TIGUERA RR. Sci. Elec. Arch. Vol. 11, 2018. Disponível em: <https://www.semanticscholar.org/paper/Herbicides-ACCase-interaction-and-ALS-with-on-corn-Silva-Rodrigues/cf55d9974d73b6e233df30ad3e8a066f92a60d87?p2df>, Acesso em: 16/09/2020.

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