As cotações do trigo em Chicago, após ensaiarem um recuo durante a semana, voltaram a se recuperar na quinta-feira (06), quando o fechamento atingiu a US$ 5,10/bushel no primeiro mês cotado, contra US$ 5,14 uma semana antes.

O excesso de umidade nas regiões produtoras estadunidenses alavancou os preços do cereal, porém, a melhoria no clima em algumas regiões nestes últimos dias acabou pressionando os preços para baixo.

Além disso, o Conselho Internacional de Grãos (CIG) apontou que a safra mundial de trigo está estimada em 766 milhões de toneladas, acima das 762 milhões de toneladas de abril, e superando, também, as 733 milhões de toneladas de 2018/19. (cf. Safras 7 Mercado)

Por sua vez, há uma boa demanda pelo trigo dos EUA, diante de expectativas de safras menores na Rússia. As inspeções de exportação somaram 592.744 toneladas na semana encerrada no dia 30/05, superando o que os analistas esperavam. Com isso, o acumulado do ano soma 24,8 milhões de toneladas, contra 23,8 milhões em igual período do ano anterior.

Já as vendas líquidas de trigo somaram 153.000 toneladas na semana encerrada em 23/05, ficando 63% acima da média das quatro semanas anteriores. Para o ano 2019/20 o volume chegou a 411.800 toneladas. A soma dos dois anos superou o esperado pelo mercado.

Ao mesmo tempo, as condições das lavouras de trigo de inverno nos EUA, até o dia 02/06, indicavam 61% entre boas a excelentes e 9% entre ruins a muito ruins. Já o plantio do trigo de primavera atingia a 93% da área, contra 96% na média histórica.

A aplicação de tarifas sobre as importações mexicanas causa preocupações no setor tritícola estadunidense já que o México também é o maior importador deste cereal nos EUA.



No Mercosul, os valores da tonelada FOB para exportação subiram, ficando entre US$ 220,00 e US$ 230,00, enquanto a safra nova argentina passou a US$ 200,00 em valor nominal, para compra.

E no Brasil os preços pouco se modificaram. A média gaúcha no balcão ficou em R$ 40,38/saco, enquanto os lotes se mantiveram em R$ 46,80/saco. No Paraná, o balcão oscilou entre R$ 44,00 e R$ 46,50/saco, enquanto os lotes ficaram entre R$ 54,00 e R$ 54,60. Já em Santa Catarina, o balcão registrou R$ 41,00 a R$ 42,00, enquanto os lotes, na região de Campos Novos, ficaram em R$ 50,40/saco.

O mercado está voltado ao plantio da nova safra brasileira de trigo, o qual se apresenta atrasado no Rio Grande do Sul, atingindo neste início de junho ao redor de 20% da área esperada. Vale salientar que o ritmo de plantio no Rio Grande do Sul melhorou nesta última semana graças a um clima mais seco.

No Paraná o mesmo está próximo do término, com as condições das lavouras largamente melhores do que o registrado no ano anterior (95% entre boas a excelentes, contra 74% no ano passado). Já na Argentina, o plantio chegava a 8% no início do mês, esperando-se que os vizinhos semeiem 6,4 milhões de hectares do cereal.

Como o período ideal de plantio do trigo ficou mais curto, especialmente no Rio Grande do Sul, não se descarta uma área geral menor em relação àquela projetada inicialmente.

Quanto à comercialização, a mesma continua lenta, sem liquidez, por falta de produto de qualidade no interior do país. A partir de agora o clima ganhará importância ainda maior, pois uma frustração novamente na atual safra trará problemas de abastecimento, com elevação de preços.

Especialmente agora que os preços externos subiram e o câmbio torna mais caro o produto importado, apesar da revalorização recente do Real. Mesmo assim, o mercado já começa a antecipar a possibilidade de uma redução nos preços caso a safra atual transcorra bem daqui em diante, fato que se confirma no Paraná, primeiro a colher já em setembro.


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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