O mercado brasileiro de arroz não pode reclamar do ano de 2020. Apesar da acomodação atual dos preços, o ano foi extremamente positivo, com alta acumulada próxima de 100% para a saca de arroz em casca do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional.

O cereal foi um dos principais beneficiados pelo novo coronavírus. Desde que a pandemia foi declarada, em meados de março, houve uma corrida da população aos supermercados, que queria estocar o alimento básico do prato brasileiro.

Também como reflexo do Covid-19, houve uma disparada do dólar frente ao real, em meio aos temores gerados nas economias pelo mundo todo. Com isso, o arroz brasileiro ficou competitivo no mercado internacional e as exportações ganharam força, enxugando os estoques domésticos. Além disso, a moeda norte-americana em alta dificultava as importações, que seriam necessárias em uma safra de oferta apertada.

Na temporada 2019/20, entre março até agosto, o Brasil havia exportado 664 mil toneladas de arroz base casca e importado 586 mil toneladas. “Já na 2020/21, entre março e agosto, foram exportadas 1,311 milhão de toneladas e a importação foi de 440 mil toneladas”, lembra o analista de SAFRAS & Mercado, Gabriel Viana.

Neste contexto, a média da saca gaúcha de 50 quilos chegou a ultrapassar a barreira da R$ 105,00. Mesmo com a retirada da TEC para a importação de 400 mil toneladas até dezembro, o cereal seguiu buscando suporte nos preços internacionais e no dólar alto.

Somente agora no final do ano, quando o dólar começou a perder força frente ao real, o preço do arroz buscou uma acomodação, pois as importações ficaram mais acessíveis. Assim, a saca de 50 quilos valia R$ 95,50 no dia 22 de dezembro, com uma queda de 9,39% em relação a igual período de novembro. Na comparação com o mesmo momento de 2019, ainda havia alta de 98,22%.

Fonte: Agência SAFRAS

Texto originalmente publicado em:
Safras e Mercados
Autor: Rodrigo Ramos - Agência SAFRAS

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