A soja necessita de uma elevada quantidade de nitrogênio para alcançar boas produtividades. Felizmente, esse nitrogênio é fornecido através da fixação biológica de nitrogênio (FBN), um processo simbiótico entre a planta e bactérias do gênero Bradyrhizobium. Contudo, assim como a baixa quantidade dessas bactérias, a deficiência de micronutrientes especialmente Cobalto e Molibdênio pode comprometer a FBN, resultando em uma baixa fixação de nitrogênio e redução da produtividade da soja.
Segundo Sfredo & Oliveira (2010), o Molibdênio (Mo) está intimamente ligado ao transporte de elétrons durante as reações bioquímicas, servindo como cofator nas enzimas nitrogenase, redutase do nitrato e oxidase do sulfeto. Ele apresenta média mobilidade no floema e mais de 58% do Mo requerido pela soja é absorvido nos primeiros 45 dias de desenvolvimento da planta.
Já com relação ao Cobalto (Co), Sfredo & Oliveira (2010) explicam que o micronutriente é essencial para a fixação do N2, pois participa da síntese de cobamida e leghemoglobina nos nódulos. O Co é considerável móvel no floema e parcialmente móvel quando aplicado via foliar, o que possibilita o fornecimento desse micronutriente durante o período vegetativo da soja.
Tanto o Molibdênio quando o Cobalto, apresentam relação com o processo de fixação biológica de nitrogênio e a deficiência de ambos pode prejudicar esse processo. Sendo assim, quando em níveis abaixo do recomendado, é possível realizar a complementação desses micronutrientes, sendo a aplicação foliar uma das alternativas.
Avaliando a aplicação de Cobalto e Molibdênio via foliar na cultura da soja, Agnes et al. (2018) observaram respostas positivas em componentes de produtividade e produção de soja, quando aplicado Co e Mo em soja.
A cultivar avaliada pelos autores foi a PIONNER 96Y90 RR e os tratamentos analisados consistiam em diferentes doses de Cobalto e Molibdênio (CoMo Platinum), aplicados via foliar em V5. Foram utilizados 8 mL e 10 mL de CoMo ha–1.
Com base nos resultados obtidos por Agnes et al. (2018), é possível observar um aumento no número de vagens por planta, peso de mil grãos e produtividade final. Conforme destacado pelos autores, quando comparado com a testemunha a qual não recebeu Co e Mo, os tratamentos que receberam a aplicação foliar dos micronutriente obtiveram um aumento de produtividade de até 1040kg.ha-1, destacando a importante contribuição da aplicação de Co e Mo na produtividade da soja.
Veja também: A Lei de Liebig (ou Lei do mínimo) e a produtividade das lavouras
Tabela 1. Média da altura (cm planta ha–1), número de vagens por plantas (NVPP) (unidade planta ha–1), peso de mil grãos (g) e produção (sacas por ha–1) da soja sob diferentes doses de CoMo (Agnes et al., 2018).

Tendo em vista a importância desse micronutrientes na FBN e consequentemente produtividade da soja, conforme observado no estudo conduzido por Agnes et al. (2018), o fornecimento via foliar de Co e Mo pode ser uma alternativa interessante para o aumento da produtividade da soja. Mas atenção, a aplicação via foliar permite apenas um ajuste fino da produção, em casos de baixa fertilidade do solo, o fator limitante será a baixa disponibilidade de algum nutriente frente as exigências da planta, ou seja, a velha e conhecida lei de mínimo.
Confira o trabalho completo de Agnes et al. (2018) clicando aqui!
Referências:
AGNES, B. A. P. et al. APLICAÇÃO DE COBALTO E MOLIBDÊNIO NA CULTURA DA SOJA. Journal of Agronomic Sciences, Umuarama, v.7, n.2, p.53-60, 2018. Disponível em: < http://www.dca.uem.br/V7N2/06.pdf >, acesso em: 15/12/2020.
SFREDO, G. J.; OLIVEIRA, M. C. N. SOJA: MOLIBDÊNIO E COBALTO. Embrapa, Documentos, n. 322, 2010. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/18872/1/Doc_322_online1.pdf >, acesso em: 15/12/2020.
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