As cotações do trigo, para o primeiro mês cotado, voltaram a recuar no final da presente semana. O fechamento desta quinta-feira (11) ficou em US$ 4,60/bushel, contra US$ 4,70 uma semana antes.

O principal motivo do recuo foi o relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 09/04. O mesmo confirmou a safra estadunidense de trigo, em 2018/19, em 51,3 milhões de toneladas, porém, elevou os estoques finais para 29,6 milhões.

Ao mesmo tempo, a safra mundial de trigo foi estabelecida em 732,9 milhões de toneladas, com leve recuo sobre março, enquanto os estoques finais mundiais foram elevados para 275,6 milhões de toneladas, somando 5 milhões sobre o indicado em março.

A produção brasileira passada de trigo foi confirmada em 5,4 milhões e a da Argentina em 19,5 milhões de toneladas. Já as importações do Brasil ficariam em 7,5 milhões de toneladas no atual ano comercial.

Desta forma, o relatório foi baixista para as cotações do trigo em Chicago, puxando os preços nacionais igualmente, na medida em que os valores de importação junto à Argentina igualmente cedem.

Ainda nos EUA, as vendas líquidas de trigo, para o ano 2018/19, iniciado em 1º de junho, somaram 704.700 toneladas na semana encerrada em 28/03. As mesmas ficaram 70% acima da média das quatro semanas anteriores, porém, isso não foi suficiente para reverter o movimento de baixa em Chicago.



No Mercosul, a tonelada FOB para exportação oscilou entre US$ 215,00 e US$ 220,00, enquanto a safra nova Argentina permaneceu em US$ 180,00 na compra.

E no Brasil os preços médios se estabilizaram, com o balcão gaúcho fechando a semana em R$ 41,60/saco, enquanto os lotes se mantiveram em R$ 48,00/saco. No Paraná, o balcão não saiu de valores entre R$ 45,00 e R$ 48,00, enquanto os lotes giraram entre R$ 54,00 e R$ 55,20/saco. Já em Santa Catarina, o balcão se manteve entre R$ 42,00 e R$ 45,00/saco, enquanto os lotes, na região de Campos Novos, estacionam em R$ 51,00/saco.

Os moinhos brasileiros continuam sendo abastecidos por importações feitas antecipadamente, alongando seus estoques e não precisando muito do trigo nacional, que está escasso. Neste momento, a demanda nacional por farinha está menor, fato que reduz a cadência de moagem do cereal.

Com o atual câmbio, os preços internos estão na paridade do produto importado. Dito isso, o câmbio continua sendo o elemento central para definir os preços futuros do trigo no Brasil, além do novo plantio e o clima de outono/inverno que o país terá.

No geral, espera-se baixa liquidez no mercado de trigo nacional, pelo menos até a entrada da nova safra a partir de setembro pelo Paraná. (cf. Safras & Mercado)

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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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