A rotação de culturas é essencial para a manutenção da qualidade e sustentabilidade do sistema plantio direto (SPD). Tendo em vista que a soja é a principal cultura de verão de interesse econômico de muitas propriedades rurais, o planejamento e execução da rotação de culturas ganha destaque principalmente durante o período do vazio outonal e inverno.

Embora culturas como trigo, aveia e azevém sejam tradicionalmente cultivadas no Sul do Brasil durante o período de inverno, há algumas culturas alternativas que possibilitam a rotação de culturas, sem abrir mão do retorno econômico à propriedade. Umas dessas culturas é a canola (Brassica napus), cujos grãos possuem em torno de 24% a 27% de proteína e, em média, 38% de óleo (Tomm et al., 2009).

A canola é uma espécie de clima temperado/frio que se desenvolve melhor em locais com temperaturas do ar amenas, entre 13°C e 22 °C, no período vegetativo, e, ao redor de 20°C, considerando-se todo o ciclo. A temperatura base, abaixo da qual, teoricamente, o crescimento é mínimo ou não ocorre, é de 5 °C (Embrapa). Embora a canola apresente aptidão para o cultivo em períodos de temperaturas mais baixas, cabe destacar que a geada é prejudicial ao desenvolvimento da cultura, principalmente durante os períodos de plântula e florescimento, podendo causar prejuízos à cultura.

Tendo em vista esses aspectos, o planejamento da implantação da cultura da canola é determinante para o sucesso produtivo, devendo ser seguidas as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático para definir a data de semeadura da cultura, para cada região de cultivo. Além disso, é importante atentar para a escolha da área de produção de canola. Deve-se evitar a semeadura da canola em lavoura situada a menos de 1.000 metros de distância de área em que havia, na safra anterior, canola infectada com canela-preta, doença essa, muito prejudicial à cultura (Tomm).



O controle de plantas daninhas também é fundamental para evitar o desenvolvimento de doenças na canola, uma vez que plantas como o nabo-forrageiro ou nabiça podem atuar como hospedeiras de patógenos, que posteriormente irão acometer a canola. Com relação a pragas, tendo em vista que se utiliza apenas 40 plantas de canola m-2 e a perda de plantas, pelo dano de insetos de solo, pode causar grande redução no rendimento de grãos da lavoura, logo, recomenda-se sempre que possível, evitar o cultivo de canola em áreas com mais de 5 corós (Diloboderus abderus) m-2, grilo-marrom (Anurogryllus muticus) ou outras pragas de solo (Embrapa).

Com relação a inserção da canola na rotação de culturas, recomenda-se que no esquema de rotação, a canola não retorne a mesma área antes de dois anos do cultivo, devendo-se empregar posteriormente, culturas que possam aproveitar melhor os nutrientes e benefícios resultantes do cultivo da canola.

Conforme observado por Castro & Boaretto (2004), avaliando os teores e acúmulo de nutrientes em função da população de plantas de canola, a extração total média de nutrientes aos 45 dias de idade pela cultura da canola é de 172, 183, 127, 64 e 21 kg ha –1 de N; K; Ca; S e de Mg respectivamente, sendo que o máximo acumulado ocorre aos 45 dias que corresponde à fase de florescimento.

Figura 1. Acúmulos de macronutrientes, na parte aérea da canola, em função da idade da planta.

Fonte: Castro & Boaretto (2004)

Após decomposição e mineralização dos resíduos culturais da canola, grande parte dos nutrientes acumulados pela cultura passarão a ficar disponíveis na solução do solo para a cultura sucessora, contribuindo para a manutenção da fertilidade do solo. Além disso, conforme destacado por Tiago Hörbe, Pesquisador da CCGL, por apresentar um agressivo sistema radicular, a canola contribui também para a melhoria de atributos físicos e biológicos do solo, proporcionando uma melhor ambiente de cultivo para a cultura em sucessão, sendo uma interessante alternativa para compor o sistema de rotação de culturas.

Confira o vídeo abaixo com as dicas do Pesquisador da CCGL, Tiago Hörbe.


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Referências:

CASTRO, A.M.C.; BOARETTO, A.E. TEORES E ACÚMULO DE NUTRIENTES EM FUNÇÃO DA POPULAÇÃO DE PLANTAS DE CANOLA. Scientia Agraria, vol. 5, 2004. Disponível em: < https://www.redalyc.org/pdf/995/99517145014.pdf >, acesso em: 10/05/2022.

EMBRAPA. CULTIVO DA CANOLA. EMBRAPA: SISTEMAS DE PRODUÇÃO EMBRAPA. Disponível em: < http://canolabr.com/system/filemanager/files/tecnologias_anexos_2_74_117_1537376421.pdf >, acesso em: 10/05/2022.

TOMM, G. O. et al. TECNOLOGIA PARA PRODUÇÃO DE CANOLA NO RIO GRANDE DO SUL. Embrapa, Documentos, n. 113, 2009. Disponível em: < http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do113.pdf >, acesso em: 10/05/2022.

TOMM, G. O. INDICAÇÕES PARA CULTIVO DE CANOLA NO RIO GRANDE DO SUL. Embrapa. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/142411/1/ID38581-2003FL7469canola.pdf >, acesso em: 10/05/2022.

 

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