A presença de chuvas na maioria das regiões do Estado fez avançar os plantios que já totalizam 90%, além de contribuir para a melhoria do desenvolvimento dos cultivos.

Na região de Bagé, as lavouras de milho semeadas a partir de 20 de novembro estão apresentando bom desenvolvimento e alto vigor inicial, com a sequência de dias com temperaturas diurnas adequadas e noturnas amenas, além da ótima disponibilidade de umidade no solo. As semeadas anteriormente apresentam falhas entre plantas e nas entrelinhas, com danos variáveis de produtividade, mas irreversíveis. Na Fronteira Oeste, algumas lavouras com maior dano foram substituídas por soja. Produtores seguem com o controle de ervas daninhas e com as aplicações de fertilizantes nitrogenados. Nas lavouras com maior potencial produtivo, foi efetuada a segunda aplicação de ureia. Alguns produtores aproveitam a operação de dessecação e o baixo custo dos inseticidas fisiológicos e fazem o controle preventivo para o ataque de lagartas. Na Campanha, a semeadura deve seguir por mais algumas semanas, considerando a estratégia de escalonamento como forma de reduzir os riscos de frustração da safra.

Na de Frederico Westphalen, 9% dos cultivos destinados para grãos já estão colhidos. A grande maioria dos danos provocados pela estiagem são irreversíveis; no entanto, a chuva trouxe alento às lavouras. Em decorrência do estresse hídrico, a perda estimada para a região é de 65% da produtividade esperada de oito mil quilos por hectare. Nas áreas destinadas à silagem, a colheita avançou e já alcança 40% da área total de 33.849 hectares. Há perdas na produção de massa verde, estimada em 60% do rendimento esperado de mais de 33 mil quilos por hectare. O retorno das chuvas faz com que o milho vegete e mantenha suas folhas mais túrgidas; assim o enchimento dos poucos grãos nas espigas será melhor e poderá trazer qualidade superior ao que vinha sendo observado.

Na região de Soledade, a ocorrência de chuvas frequentes nas últimas semanas favorece as lavouras de milho, especialmente as que se encontram nas fases críticas de florescimento e enchimento de grãos, que demandam grandes volumes de água e que definem os componentes de rendimento: o número e o peso de grãos. As chuvas recorrentes têm evitado o agravamento das perdas, que já atingem 25% das lavouras do cedo e que não serão recuperadas. Nas áreas destinadas à silagem que tiveram elevadas perdas, a colheita e a ensilagem estão sendo antecipadas; apesar de ter havido perda na qualidade, o fato de ter antecipado a colheita favorece o aumento da massa verde. Nos casos de perdas elevadas, os agricultores estão solicitando Proagro. Seguem ocorrendo os manejos de adubação nitrogenada em cobertura e de controle de pragas e plantas invasoras nos plantios recentes (meados de novembro).

Na regional de Caxias do Sul, a fase de desenvolvimento dos cultivos tem variações. Nos municípios de menor altitude, as lavouras estão em floração e enchimento de grãos; já nas partes altas dos Campos de Cima da Serra, se encontram em desenvolvimento vegetativo. Em geral, o aspecto das lavouras é muito bom, mantendo a expectativa inicial de rendimento de 8.272 quilos por hectare. O tempo seco favoreceu o desenvolvimento de pragas, especialmente a Spodoptera frugiperda, cuja intensidade de ataque aumentou nesta safra.

Na regional de Ijuí, as lavouras em estádio de enchimento de grãos estão dentro da normalidade após a regularização das precipitações, mas sem recuperar o potencial produtivo comprometido no período de falta de chuvas, devido ao tamanho reduzido das espigas e à falha da fecundação dos óvulos que originam o grão. Com a melhora das condições de umidade no solo, não houve avanço da morte das folhas baixeiras, contribuindo para o bom enchimento de grãos.

Na de Porto Alegre, avançou o plantio. A área destinada a grãos já chega a 85% do total de 33.252 hectares e, a de silagem, a 82% dos 12.503 hectares. As chuvas que têm ocorrido com frequência na região favorecem os cultivos e asseguram a evolução das plantas dentro da normalidade. O tempo também tem contribuído para o bom estado fitossanitário. Não há grande incidência de ataque de lagartas, devido às chuvas e ao uso de sementes transgênicas. O preço médio da silagem é de R$ 355,00/ton., e entre R$ 0,15 e R$ 0,50/kg.

Na de Pelotas, seguem as semeaduras aproveitando a umidade do solo ainda existente. As áreas destinadas ao milho grãos alcançam 72% da área de intenção de cultivo, de 50.956 hectares. Nas destinadas à silagem, as atividades estão mais adiantadas, chegando a 88% dos 15.338 hectares previstos. Há áreas que serão implantadas após a colheita do tabaco, durante janeiro. Os cultivos mais adiantados já se encontram na fase de enchimento de grãos. Em geral, o desenvolvimento está dentro da normalidade, sem perdas significativas. Em Morro Redondo, houve perdas devido ao granizo. Os produtores realizam adubação em cobertura nas áreas em condições favoráveis para esta prática e aplicações de herbicidas para o manejo das ervas invasoras. O ataque de pragas segue em monitoramento, principalmente da lagarta do cartucho.

Nas regionais da Emater/RS-Ascar de Erechim e Passo Fundo, o período com chuvas favoreceu os cultivos. Na de Erechim, as condições de umidade no solo permitiram o replantio de cerca de dez mil hectares, correspondendo aos cultivos já colhidos ou eliminados pelo fato de ter havido perda total. As áreas apresentam boa germinação. Nas áreas destinadas à silagem, começam as colheitas e a realização da ensilagem. Os cultivos estão com baixa produtividade e qualidade inferior. Na de Passo Fundo, nos 63.150 hectares plantados nessa safra, 20% se encontram na fase de floração e 80% em enchimento de grãos, fases críticas para a necessidade de água. Produtores estão preocupados com o potencial produtivos dos cultivos devido ao estresse hídrico acumulado durante setembro, outubro e novembro, período de ausência de chuvas.

Na de Santa Maria, a previsão de plantio nesta safra é de 42.335 hectares. A área plantada está estabilizada em torno de 50% da área total prevista, e o plantio será retomado após a colheita do tabaco. As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, favorecidas pelas condições de umidade e tempo favorável do tempo em dezembro. Apesar disso, são estimadas perdas de rendimento em média de seis por cento.

Na regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, 16% das lavouras de milho grão já foram colhidas e correspondem às áreas plantadas no cedo que apresentavam perdas superiores a 70%, sendo destinadas para silagem ou como massa verde para alimentação animal. Agricultores anteciparam o plantio da safrinha ou segundo plantio, aproveitando a umidade do solo das últimas chuvas. Das lavouras, 5% estão em desenvolvimento vegetativo – plantios ocorridos entre novembro e dezembro – e se desenvolvem bem com as chuvas dos últimos 30 dias; 6% estão na fase de floração (pendoamento), 40% em formação/enchimento dos grãos e 33% em maturação. Nas áreas irrigadas, que deverão alcançar produtividade de 10.800 quilos por hectare, as chuvas contribuíram para diminuição da demanda por irrigação. Já nas de sequeiro, apesar das chuvas, as perdas na cultura estão consolidadas e já chegam a 70%, reduzindo a produtividade média para 2.559 quilos por hectare. É expressivo o número de pedidos de vistoria de lavouras para amparo do Proagro na região, ultrapassando 1.042 comunicados de ocorrência de perdas – COPs.

Mercado (saca de 60 quilos)

No levantamento semanal realizado pela Emater/RS-Ascar no Estado, o preço médio do milho chegou a R$ 74,07, com aumento de 0,34% em relação ao da semana anterior.

Na região de Ijuí, o preço do produto teve alta, sendo praticado entre R$ 73,00 e R$ 80,00. Produto disponível em Cruz Alta, a R$ 89,00. Na de Bagé, o preço médio é R$ 75,00; na de Frederico Westphalen, segue estável entre R$ 70,00 e R$ 71,00; Santa Rosa, R$ 71,80. Na regional de Pelotas, o valor médio é de R$ 90,00. Nas regionais de Erechim, Passo Fundo e Caxias do Sul, o preço médio é de R$ 71,00; na de Soledade, R$ 73,30; na regional da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, R$ 72,80; e em Porto Alegre, R$ 79,00/sc.

Fonte: Emater/RS-Ascar – Informativo Conjuntural – nº 1638

Texto originalmente publicado em:
Emater/RS-Ascar
Autor: Informativo Conjuntural - nº 1638

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