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Com relatórios do USDA e semeadura avançando no país, cotações da soja oscilam em Chicago

As cotações da soja, nesta semana, oscilaram bastante, porém, o comportamento esteve muito ligado às expectativas do relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 12/06.

Assim, o fechamento desta quinta-feira (13) ficou em US$ 11,89/bushel, para o primeiro mês cotado, contra US$ 12,00 uma semana antes. Lembrando que no dia anterior, 12/06, o fechamento havia sido de US$ 11,77. Nota-se, nestes primeiros dias de junho, um forte recuo no valor do farelo de soja em Chicago.

O relatório pouco trouxe de novidades em relação a maio, com a expectativa da nova  safra de soja dos EUA permanecendo em 121,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais daquele país, para 2024/25, foram aumentados em 270.000 toneladas, ficando em 12,38 milhões de toneladas. Já em termos mundiais, a produção global, para o novo ano comercial, foi mantida em 422,3 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais sofreram um recuo de 600.000 toneladas, para ficarem em 127,9 milhões de toneladas. As produções do Brasil e da Argentina foram mantidas em 169 e 51 milhões de toneladas respectivamente, enquanto a do Paraguai continuou em 10,7 milhões. Já as importações chinesas de soja, neste novo ano, estão projetadas em 109 milhões de toneladas, não sofrendo alterações sobre o indicado em maio passado. Assim, o preço médio da soja, ao produtor dos EUA, foi mantido em US$ 11,20/bushel para 2024/25.

Dito isso, o plantio da soja, nos EUA, atingia a 87% da área esperada, no dia 09/06, contra a média de 84%. Cerca de 70% da área estava germinada, contra 66% na média histórica. Em termos das condições das lavouras, 72% estavam entre boas a excelentes, contra apenas 59% um ano atrás nesta data.

Em paralelo, os EUA, na semana encerrada em 06/06, embarcaram 231.002 toneladas de soja, volume este levemente acima do nível mínimo esperado pelo mercado. No somatório do atual ano comercial, o volume chega a 40,5 milhões de toneladas, ou seja, 17% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Pelo lado da demanda mundial, a China informou que importou 10,22 milhões de toneladas de soja em maio passado. Tais compras recuaram 15% em relação ao recorde atingido em maio de 2023, e também ficaram abaixo do esperado pelo mercado. Nos primeiros cinco meses de 2024 a China importou 37,4 milhões de toneladas de soja, ou seja, 5,4% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. A maior parte das importações chinesas de soja, neste ano, são oriundas do Brasil. Em tal contexto, vale salientar que a China recebeu 50.000  toneladas de soja brasileira livre de desmatamento e conversão, em 31/05, sendo que o país está “procurando obter produtos mais sustentáveis, o que, segundo os agentes do setor, é um marco para um país que prioriza o preço em detrimento da sustentabilidade em suas importações agrícolas.”. Enfim, a primeira lei de segurança alimentar da China, com o objetivo de alcançar a “autossuficiência absoluta” em grãos básicos, entrou em vigor neste início de junho, reforçando os esforços para reduzir sua dependência de compras no exterior. (cf. Administração Geral de Alfândega da China)

Em paralelo, os produtores rurais estadunidenses estão solicitando aos políticos de seu país que não incluam os alimentos em uma eventual guerra comercial com a China, a qual parece estar novamente próxima. Para se ter uma ideia, no mês passado, o governo dos EUA impôs tarifas pesadas sobre produtos chineses, de seringas a baterias, levantando preocupações de que isso poderia prejudicar ainda mais as já instáveis exportações agrícolas dos Estados Unidos para a China. Pequim prometeu retaliação, chamando a medida de “bullying”. Lembrando que desde a guerra comercial sob a administração Trump, os EUA perderam significativamente sua participação no mercado chinês, com os embarques de produtos como soja, sorgo e carne suína sendo atingidos. (cf. Reuters)

E no Mercosul, o Paraguai exportou, em maio, 1,13 milhão de toneladas de soja, com um aumento de 34% sobre abril. Mais uma vez, os embarques paraguaios foram paralisados nos últimos meses devido aos baixos níveis dos rios, fundamentais para as barcaças que transportam os grãos. A situação começou a melhorar em maio. Até o  final de maio, as exportações totais de soja paraguaia, no corrente ano, atingiram a 4,6 milhões de toneladas. Dentre seus compradores, o Paraguai conta com a Argentina, principal exportador mundial de farelo e óleo de soja. O ciclo de maior esmagamento argentino seria entre julho e agosto. Mas a seca no Pantanal atinge a vazão do rio Paraguai e complica as exportações do vizinho país.

Segundo a Câmara Paraguaia de Exportadores de Sementes Oleaginosas e Grãos (CAPECO), “o nível do rio Paraguai perto do principal porto de grãos de Villeta, ficou em 0,85 metros no dia 10/06, de acordo com dados oficiais, bem abaixo dos 3,5 metros de um ano atrás, embora melhor do que em março, quando estava perto de zero.”. Lembrando que as “hidrovias que transportam barcaças para os portos marítimos a jusante na Argentina e no Uruguai são essenciais para o Paraguai. Quase todas as 4 milhões de toneladas de soja que ainda serão exportadas nesta temporada devem ser transportadas por via fluvial, pelo vizinho país.”.

Em paralelo, na Argentina as vendas de soja melhoraram, subindo para 20,2 milhões de toneladas no início da presente semana, ou seja, 40,7% do total a ser exportado. Com expectativa de colher 49,7 milhões de toneladas de soja neste ano, até o final da semana anterior 94% da área argentina havia sido colhida. (cf. Reuters)

E no Brasil, puxados por um câmbio que levou o Real a R$ 5,40 por dólar durante a semana, os preços melhoraram. As principais praças gaúchas voltaram a registrar R$ 123,00/saco, enquanto nas demais regiões do país os preços oscilaram entre R$ 116,00 e R$ 125,00/saco.

Com isso, a comercialização da atual safra acelera, com o total atingindo a 64,6% da produção calculada, até o dia 10/06, contra 56,7% no mesmo período do ano anterior e contra 70,1% na média histórica. Já em relação à futura safra 2024/25, que começa a ser semeada em setembro, as vendas estariam em 9,9% de um total esperado na colheita de 149,7 milhões de toneladas, sendo que a média para o período é de 17,6%. (cf. Safras & Mercado)

 No Mato Grosso, a comercialização da futura safra de soja teria atingido a 16,5% na atual semana, sendo que o total a ser colhido está projetado em 43,7 milhões de toneladas, ou seja, 11,8% acima do colhido nesta última safra. O preço obtido para esta futura safra está em R$ 108,11/saco naquele Estado, com aumento de 4,5% sobre a média de maio passado. Mesmo assim, o volume já vendido está abaixo da média histórica, para a data, que é de 26,4%. Por outro lado, a comercialização da recente safra colhida chegou a 77,9% do total.

Ainda durante a semana, a Secex informou que o Brasil exportou 724.700 toneladas de soja ao dia, na primeira semana de junho, representando uma alta de 10,7% sobre a média do mesmo mês completo do ano passado.

Enfim, na semana pesou sobre o mercado nacional as incertezas sobre a Medida Provisória 1.227/24 proposta pelo governo federal no início de junho. A mesma altera a forma como os créditos do PIS/Cofins podem ser utilizados, penalizando o setor produtivo em geral. O mercado da soja praticamente paralisou nesta semana, devido a isso, pois a aplicação de tal medida fará com que as empresas retirem do produtor, no preço pago ao mesmo, algo entre R$ 5,00 a R$ 8,00/saco. As primeiras análises indicam que, no curto prazo, a medida é altista para a formação do preço da soja safra velha, porém, no longo prazo, se aprovada, a medida é baixista para a formação do preço da soja, sobretudo na origem (desconto via prêmios no mercado interno). (cf. Brandalizze Consulting e Amius) Por enquanto, as discussões políticas sobre o assunto prosseguem no país e nada está definido.

Autor/Fonte: CEEMA UNIJUÍ – Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Comentários referentes ao período entre 07/06/2024 e 13/06/2024

FONTE

Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

Site: CEEMA UNIJUÍ

Equipe Mais Soja
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