O solo é o principal meio de cultivo das culturas agrícolas, servindo como fonte de sustentação, água, ar e nutrientes para as plantas e suas raízes. Embora muitas vezes ótimas tecnologias como qualidade genética, insumos e defensivos agrícolas auxiliem na busca por altas produtividade, o solo é um dos principais fatores responsáveis por proporcionar condições adequadas para o crescimento e desenvolvimento das plantas, desempenhando função básica mas não menos importante no sistema de produção.

Um bom solo deve conter boas características físicas, estruturais, químicas e biológicas, proporcionando um ambiente adequado para o crescimento e desenvolvimento vegetal.

Dentre as características mais importantes da parte física e estrutural do solo, a compactação do solo exerce notória influencia na capacidade produtiva das plantas. Um solo compactado tente e impor restrições físicas ao crescimento radicular, afetando assim a capacidade da planta em absorver água e nutrientes das camadas mais profundas do solo.

A compactação do solo pode ser observada até mesmo a olho nu, sendo possível observar a dificuldade com que ocorre o crescimento radicular em solos compactados, uma técnica prática que permite identificar a presença da compactação em áreas de cultivo, entretanto através dessa não é possível quantificar a compactação do solo.

Figura 1. Sistema radicular de soja sob efeito da compactação do solo.

Foto: Herique Debiasi.

Medidas de Resistência à Penetração (RP) são a forma mais usual de quantificar a compactação do solo. As medidas podem ser realizadas com equipamentos próprios denominados Penetrômetros.

Em culturas anuais, a perda de produtividade decorrente da compactação do solo é ainda maior. Além de dificultar o crescimento radicular das plantas a compactação do solo dificulta a absorção de nutrientes do solo, além de reduzir a taxa de infiltração de água no solo, por consequência, menos água infiltra no solo e menores quantidades de água ficam armazenadas e disponíveis para consumo das plantas.



Conforme observado por Freddi et al. (2007), para um Latossolo Vermelho distrófico, o valor crítico de resistência à penetração do solo para a cultura do milho é de 1,65 MPa causando uma redução de produtividade de 38% (figura 2).

Figura 2. Regressão entre a resistência mecânica à penetração e a produtividade de grãos do milho. As barras referem-se ao erro-padrão da média, e a não-sobreposição delas indica diferença significativa entre os tratamentos.

Fonte: Freddi et al. (2007).

Para a cultura da soja Girardello et al. (2014) observarão que o limite crítico de resistência à penetração para um Latossolo Vermelho é de 3,0 MPa, ocasionando perda de 10% na produtividade. Entretanto, embora o valor observado pelos autores pareça relativamente alto, é possível observar na figura 3 que valores de RP superiores a 1,5 MPa já causam perda de produtividade da soja.

Figura 3. Produtividade da cultura da soja em função da resistência da penetração, determinada após o manejo da cultura de cobertura e classificada de acordo com Arshad et al. (1996), em Latossolo Vermelho na safra de 2008/09.

Fonte: Girardello et al. (2014).

Avaliando a produtividade de culturas e a resistência a penetração de Argissolo Vermelho sob diferentes manejos, Lima et al. (2010) encontraram valores críticos de resistência à penetração de 1,7 MPa para as culturas do feijão e soja. Os resultados encontrados por Lima et al. (2010) corroboram a afirmação de Girardello et al. (2014) de os valores críticos de Resistência à penetração podem variar de acordo com o tipo de solo, sistema de manejo, rotação de culturas entre outros fatores. Os autores ainda destacam que o trafego de maquinas pode ser um dos principais causadores da compactação do solo. Além disso, operações agrícolas em umidade inadequadas do solo, aliadas a um sistema de monocultivos podem favorecer a compactação do solo.

De maneira geral, o ideal é trabalhar com valores de RP inferiores a 1,5 MPa para a maioria das culturas agrícolas. Práticas de manejo como a rotação de culturas com plantas com potencial de descompactação do solo como o nabo-forrageiro também podem proporcionar resultados satisfatórios no manejo da compactação do solo. Em casos mais severos, é necessário intervir mecanicamente por meio da escarificação ou subsolagem em casos mais extremos.


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 Outra opção é a utilização de estratégias como o trafego controlado de máquinas, possibilitando delimitar a compactação a áreas de transito de máquinas, as quais podem ser descompactadas com o auxílio de plantas de cobertura adequadas ou até mesmo com a utilização controlada da escarificação.

Figura 4. Sistema de tráfego controlado, utilização de nabo forrageiro para a descompactação do solo nas linhas de transito.

Fonte: BERTOLLO (2018).

A compactação do solo pode diminuir consideravelmente a produtividade de uma cultura limitando a absorção de nutrientes a água por parte das plantas. Sendo assim, é fundamental pensar em estratégias que auxiliem na conservação do solo, melhorando sua qualidade estrutural, além dos atributos químicos, físicos e biológicos. Dentre as alternativas disponíveis, a rotação de cultura é a que agrega maiores benefícios ao sistema produtivo, possibilitando além do manejo da compactação do solo, o controle de plantas daninhas, pragas e doenças. O uso da escarificação ou subsolagem traz bons resultados, entretanto proporciona maior mobilização do solo além de representar elevado custo operacional.


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Referências:

FREDDI, O. S. et al. COMPACTAÇÃO DO SOLO NO CRESCIMENTO RADICULAR E PRODUTIVIDADE DA CULTURA DO MILHO. R. Bras. Ci. Solo, 31:627-636, 2007.

GIRARDELLO, V. C. et al. RESISTÊNCIA À PENETRAÇÃO, EFICIENCIA DE ESCARIFICADORES MECÂNICOS E PRODUTIVIDADE DA SOJA EM LATOSSOLO ARGILOSO MANEJADO SOB PLANTIO DIRETO DE LONGA DURAÇÃO. R. Bras. Ci. Solo, 38:1234-1244, 2014.

LIMA, C. L. R. et al. PRODUTIVIDADE DE CULTURAS E RESISTENCIA À PENETRAÇÃO DE ARGISSOLO VERMELHO SOB DIFERENTES MANEJOS. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.45, n.1, p.89-98, jan. 2010.

 

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