A Soja Bt é uma excelente ferramenta de controle de pragas. Geneticamente modificado, o grão Bt possui o gene da bactéria Bacillus thuringiensis, que age como inseticida natural contra as principais pragas que atacam as lavouras, tornando-se um grande aliado do agricultor.

Essa tecnologia confere proteção contra importantes lagartas que atacam as plantas da cultura de soja. A proteção contra as lagartas é conferida por uma proteína Bt (Cry1Ac) que possui alta eficácia contra as seguintes pragas: lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens e Rechiplusia nu), lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens) e broca das axilas (Epinotia aporema).


Veja também: Soja Bt: quais as espécies controladas?


Contudo, outras lagartas de importância na cultura da soja não são controladas pela tecnologia, que são as lagartas do gênero Spodoptera ou lagartas das vagens (Spodoptera eridania, Spodoptera cosmioides e Spodoptera frugiperda), que tem atacado a cultura da soja crescentemente.

Figura 1: Complexo de lagartas do gênero Spodoptera que têm atacado a cultura da soja.

Fonte: Mais Soja.

Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, o Dr. Juliano Farias, professor e pesquisador da URI – Campus Santo Ângelo, comentou sobre o complexo de Spodopteras, como manejar e quais são os seus danos na cultura da soja.



O pesquisador destacou que a tecnologia de soja Bt que foi introduzida no país recentemente solucionou parte dos problemas que tínhamos no campo com lagartas, porém, um grupo de lagartas continua nos sistemas produtivos e têm aumentado significativamente nas últimas safras, que são as lagartas do gênero Spodoptera, também chamadas de lagartas pretas, que são a Spodoptera cosmioides, Spodoptera eridania e a Spodoptera frugiperda, conforme já destacado.

Danos

Os danos causados pelas três espécies basicamente se resumem em desfolha, ataque das estruturas reprodutivas, principalmente as estruturas mais jovens, como as flores, e o canivete. Porém, elas podem eventualmente atacar também estruturas mais desenvolvidas, conforme destacado.

No caso da Spodoptera frugiperda, que é a mesma lagarta conhecida como lagarta-do-cartucho do milho, cabe destacar que a mesma possui uma diversidade maior de danos em relação às outras duas espécies, podendo atacar a soja das seguintes maneiras:

  • Atacar as plantas na fase inicial;
  • Pode cortar os ponteiros da cultura ao longo de todo o seu desenvolvimento;
  • Atacar flores e canivete;
  • Atacar plantas bem desenvolvidas com hábito de rosca, onde normalmente ela não consegue cortar a planta, mas atrasa o seu desenvolvimento.

Veja também: Manejo de pragas: como evitar a resistência?


Opções de manejo

Entre as opções de manejo, o pesquisador destaca que há no mercado, atualmente, diversos inseticidas que tem apresentado um bom efeito sobre essas lagartas, dentre eles, destacam-se os seguintes:

  • Diamidas;
  • Alguns ativos Reguladores de crescimento;
  • Carbamatos.

Conforme citado pelo pesquisador, deve-se ter cuidado com o grupo dos Piretróides, pois  o mesmo vem apresentando alguns casos de falhas de controle.

Com isso, tem-se uma série de produtos que podem ser utilizados para controlar essas lagartas e que tem apresentado bons resultados e eficiência no controle, devendo-se atentar ao momento ideal de aplicação a fim de evitar os danos dessas pragas na lavoura de soja.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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