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Conheça os desafios da pesquisa agropecuária para 2020 – parte 2

Em vídeo divulgado no canal do Youtube do Conexão Ciência da Embrapa, o presidente da Embrapa, Celso Moretti, comentou sobre os rumos da pesquisa agropecuária em 2020, destacados aqui, no Mais Soja, em duas etapas.

Confira a primeira parte da conversa do presidente da Embrapa comentando sobre os desafios da pesquisa agropecuária para 2020 clicando aqui.

Nesta segunda etapa, Celso comentou sobre a bioeconomia, que trata da substituição de recursos fósseis por recursos biológicos, destacando que inicialmente tínhamos uma economia baseada no extrativismo, que migrou para uma economia baseada em recursos fósseis e atualmente tem-se uma economia de base biológica crescendo muito no nosso país.

Conforme destacado, nosso país, por possuir uma das maiores biodiversidades do mundo, possui oportunidades fantásticas, como o uso da fixação biológica de nitrogênio que possibilita com que possamos produzir mais de 35 milhões de hectares de soja sem utilizar nenhuma grama de nitrogênio apenas com a descoberta de duas bactérias que atuam na fixação do elemento por si só.

Outro fator importante da bioeconomia e desenvolvido recentemente, em 2019 na agricultura é o BiomaPhos, que são bactérias utilizadas para disponibilizar o fósforo que está retido no solo. Nosso país importa cerca de 5,5 milhões de toneladas de adubos fosfatados por ano para o suprimento na agricultura, e possui uma poupança de 40 bilhões de dólares de fósforo retido no solo, e com apenas duas bactérias, trabalhando em conjunto consegue-se disponibilizar a reserva de fósforo presente no nosso solo, possibilitando a redução da importação do insumo. Com isso, Celso destaca que o uso da bioeconomia de soluções que tem como base os microrganismos tornarão o agro do futuro ainda mais sustentável com insumos biológicos.

No que se refere à edição de genoma, o presidente da Embrapa destacou que existem dois projetos principais em andamento com pareceria de empresas privadas que visam, principalmente, a tolerância à seca e a tolerância a nematoides na cadeia produtiva da soja e do feijão.


Veja também: Desafios da pesquisa agropecuária para 2020


Esses projetos visam, no caso da cultura da soja, identificar genes que possam conferir a adaptação e tolerância à seca na cultura e também a resistência a nematoides, que são dois grandes entraves na produção atualmente. No caso da cultura do feijão, busca-se a edição do genoma para retirar o aspecto escurecido que é muito comum atualmente de ser observado no tegumento, prejudicando o consumo do grão.

Em relação ao evento da edição genômica, o presidente ressaltou que provavelmente não iremos necessitar tanto da transgenia, que foi uma técnica muito utilizada no passado, porém, que não foi muito aceita pela população, além de possibilitar a entrada de produtos em países que atualmente não aceitam produtos transgênicos, como os mercados europeu e japonês.

Celso também comentou sobre a nanotecnologia e as novas possibilidades para 2020, destacando o recobrimento nanoestruturado, desenvolvido recentemente para frutas, pensando-se na qualidade e conservação pós-colheita de frutas, aumentando a vida útil após a colheita, reduzindo também as perdas desses alimentos. Alguns adubos também já possuem essa tecnologia, com partículas nanoestruturadas possibilitando a liberação mais lenta dos nutrientes presentes, além de uma série de outras pesquisas que já estão sendo desenvolvidas que certamente contribuirão para o avanço do agro brasileiro.

Quanto questionado em relação ao banco genético da Embrapa, Celso destaca que este é o quinto maior banco genético do mundo, com uma capacidade de armazenamento de 700 mil amostras. Atualmente são armazenadas 120 mil amostras entre elas, animais, vegetais e microrganismos, sendo essa uma estrutura que garante a segurança alimentar brasileira e de outros países que também se beneficiam desse banco, propiciando a variabilidade genética, que garante que em caso de aparecimento de doenças ou pragas severas, tenhamos como reverter essa situação.

Essa questão também auxilia produtores em caso de erosão genética, possibilitando ter-se novamente os acessos e materiais primitivos ou melhorados de uma determinada variedadeque foi perdida, garantindo a segurança nacional.

Em relação ao novo conceito que tem surgido, da carne à base de plantas, Celso destaca que se tratam de alimentos de base vegetal que suprem às necessidades da proteína animal, e em relação a isso, a Embrapa possui duas unidades estudando a fibra de caju, cuja castanha e a polpa são utilizadas na alimentação e o resíduo desse processo acaba sendo descartado, sendo mais de 60 mil toneladas de fibras. Dessa forma, desenvolveu-se um hambúrguer à base de fibra de caju, que mimetiza o sabor da carne de siri. Em relação à pecuária, acredita-se que não haverá nenhuma redução no consumo e produção em virtude deste evento, tendo em vista que quase 1 bilhão de pessoas ainda estão passando fome no mundo, essa é mais uma estratégia para produzir alimentos, não só no nosso país, mas também em outras partes mundo.

Por fim, Celso Moretti destacou que com o advento da agricultura digital, tem-se observado que o campo tem atraído mais os jovens que gostam de estar conectados e utilizando ferramentas digitais, além do crescimento fantástico de startups ligadas ao agro, tem-se uma contribuição muito grande para a fixação do jovem no campo, que esta passando a observar o campo como uma possibilidade para empreender e montar pequenas empresas.

Confira o vídeo completo abaixo. 

https://youtu.be/thDCEgh-URM?t=1548



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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