Pensado no senário atual do manejo e controle de plantas daninhas, onde essas plantas impõe uma elevada dificuldade de controle em virtude de suas características morfofisiológicas e também, dos crescentes casos de resistência a herbicidas, a diversificação de culturas é uma das principais estratégias para “frear” populações de planta daninhas impedindo maiores interferências na produtividade da soja.

Isso porque a maior parte das plantas daninhas são fotoblásticas positivas, ou seja, necessitam de luz para germinar. Sendo assim, a cobertura do solo, seja como palhada residual ou culturas de cobertura é essencial para reduzir o fluxo de emergência de plantas daninhas e com isso reduzir a matocompetição.

Dentre as plantas daninhas mais encontradas em lavouras brasileiras, podemos destacar o capim-amargoso (Digitaria insularis), a buva (Conyza spp.) e o caruru (Amaranthus spp), ambas com potencial em causar danos na soja de respectivamente 21%, 14% (Supra Pesquisa) e 32% (Klingaman & Oliver, 1994).

Em vídeo o professor da Universidade Federal do Paraná e supervisor do Grupo Supra Pesquisa, Alfredo Albrecht destaca que embora a diversificação e culturas possa implicar substituição de algumas culturas de valor econômico, a diversificação de cultural é fundamental para reduzir os custos com herbicidas e melhorar o manejo de plantas daninhas.



Em parte, um dos fatores que dificulta o cultivo de plantas de cobertura é o baixo retorno econômico trazido por algumas delas, entretanto, é possível cultivar plantas de cobertura em modalidade de consórcio com culturas de maior valor econômico, aliando a diversificação dos cultivos com a rentabilidade da lavoura, um exemplo é o consórcio milho – braquiária.

Após colhido o milho, a braquiária permanece no sistema servindo como fonte de cobertura do solo, dificultando a emergência de plantas daninhas e com isso possibilitando a redução dos custos de controle e a redução da matocompetição.

Figura 1. Consórcio milho-braquiária.

Fonte: Agência de Notícias – Embrapa

Entretanto, se tratando do consórcio milho-braquiária, deve-se levar em consideração alguns fatores para que não haja competição entre ambas as culturas. A semeadura da braquiária pode ser realizada antes, durante ou depois da semeadura do milho. Quando antecipada e sem a supressão com herbicidas, a forrageira pode causar reduções significativas na produtividade do milho, sendo assim, recomenda-se a implantação simultânea de milho e braquiária (Ceccon et al., 2013).

Além do consórcio milho-braquiária, outras culturas e plantas de cobertura podem ser inseridas no sistema de rotação de culturas com a finalidade de cobertura do solo e controle de plantas daninhas, sendo que algumas plantas apresentam particularidades, como é o caso de crotalária que pode reduzir a populações de nematóides fitopatogênicos do solo. Cabe ao agricultor e técnico responsável definir o melhor esquema de rotação de culturas que beneficie a propriedade e traga retorno econômico. Do ponto de vista de manejo, deve-se desconsiderar a adoção do pousio, sendo esse um sistema altamente prejudicial, tanto do ponto de vista produtivo quanto econômico.


Veja também: Soja após Crotalária – aumento da produtividade e controle de nematoides


Confira abaixo o vídeo com as dicas do professor e pesquisador Alfredo Albrecht.


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Referências:

CECCON, G. et al. CONSÓRCIO MILHO-BRAQUIÁRIA. Embrapa, cap. 2, 2013. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/982597/1/LVCONSORCIOMB.pdf >, acesso em: 03/03/2021.

EMBRAPA. NOTÍCIAS: CONSÓRCIO MILHO-BRAQUIÁRIA BENEFICIA O SOLO E O AGRICULTOR. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1473003/consorcio-milho-braquiaria-beneficia-o-solo-e-o-agricultor >, acesso em: 03/03/2021.

KLINGAMAN, E. T.; OLIVER, L. R. Palmer Amaranth (Amaranthus palmeri) Interferência na soja (Glycine max). Weed Science, vol. 42, n. 4, 1994. Disponível em: < https://www.jstor.org/stable/4045448?seq=1 >, acesso em: 03/03/2021.

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