O trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia de inseticidas químicos e biológicos no controle de Helicoverpa armigera, e o custo benefício desses dois métodos de controle, considerando o custo da aplicação, eficácia, e a expectativa de produtividade adicional.

Palavras-chave:Old world bollworm”, controle de pragas, inseticidas químicos, inseticidas biológicos

Desde a invasão e a ampla ocorrência no Brasil na safra 2013/14, a Helicoverpa armigera (Hübner, 1809) (Lepidoptera: Noctuidae) trouxe sérias implicações para o manejo nos principais cultivos de grãos, fibras e hortifrúti, devido a sua elevada capacidade de causar danos e pela falta de informações sobre o seu correto manejo.

Naquele período, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) adotou medidas imediatas, como o registro emergencial de inseticidas biológicos e químicos. Entretanto, houve a necessidade de pesquisa regional e aplicada ao produtor para a tomada de decisão de qual método e inseticida utilizar no controle de H. armigera. Para isso, foram realizados experimentos na cultura da soja, em dois locais, com o objetivo de avaliar o desempenho de inseticidas químicos e biológicos, considerando a eficácia de controle, à produtividade e à relação custo/benefício dos tratamentos.

Os experimentos foram conduzidos durante a safra 2013/14 em Restinga Seca e Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul (RS). Foram testados oito inseticidas químicos de diferentes mecanismos de ação, e quatro inseticidas biológicos a base de baculovírus (H. zea nucleopoliedrovírus) e Bacillus thuringiensis Berliner. A densidade populacional de lagartas pequenas (< 1,5 cm) e grandes (> 1,5 cm) foi avaliada aos 3, 7, 10 e 14 dias após a aplicação dos tratamentos a fim de verificar o efeito dos inseticidas. Também, foi avaliado a produtividade (kg/ha) de cada tratamento.



Os inseticidas químicos apresentaram eficácia semelhante entre lagartas pequenas e grandes de H. armigera. Clorantraniliprole, flubendiamida, clorfenapir e espinosade apresentaram eficácia média ao longo das avaliações de 85%, 86%, 94% e 85%, respectivamente.

Além disso, observou-se que os inseticidas químicos proporcionaram uma rápida mortalidade de lagartas logo após a aplicação. Por outro lado, a eficácia dos inseticidas biológicos diferiu entre o tamanho das lagartas pequenas e grandes, demonstrando a necessidade de um plano de monitoramento frequente e eficiente nas lavouras de soja para o uso desse método.

Os inseticidas Bt Control®, Gemstar® e HzNPV CCAB® foram os mais eficientes no controle de lagartas pequenas de H. armigera, com percentual de mortalidade acima de 80% aos 10 dias e de 100% aos 14 dias após a aplicação. O inseticida Bt Control® também apresentou elevada eficácia para lagartas grandes aos 7 e 10 dias após a aplicação. A eficácia dos inseticidas biológicos foi maior apenas após 7 dias da aplicação, devido às particularidades dos mecanismos de ação do baculovírus e do Bt e do tempo da contaminação até a morte das lagartas.

Ambos inseticidas necessitam ser ingeridos pela lagarta por meio de um tecido vegetal contaminado. Após serem ingeridos, encontraram no mesêntero condições ideais (pH 9-11) para iniciar o processo de ativação das toxinas. No caso dos inseticidas a base de B. thuringiensis, as toxinas ativas se ligam em receptores específicos na membrana epitelial do mesêntero (como a caderina e o ABCC2) e posteriormente a receptores secundários (alcalina fosfatase e aminopeptidades), resultando na perfuração da membrana, extravasamento da hemolinfa e consequente morte das lagartas (Wu, 2014). Para os baculovírus, os corpos de oclusão dissolvidos danificam as proteínas da membrana peritrófica e entram nas células do mesêntero.

Em seguida, os vírions são desrevestidos, entram no núcleo e os genes virais são expressos de maneira controlada. A infecção progride para diferentes células e tecidos com posterior expressão de enzimas virais, chitinases e catepsinas, responsáveis pela liquefação da cutícula das lagartas (Rohrmann, 2013).

A análise de custo benefício dos tratamentos, considerando o custo do controle e a expectativa de produtividade adicional em relação a testemunha não tratada, informa o quanto de retorno econômico o produtor pode ter com o investimento da aplicação, para cada inseticida químico ou biológico (Tabela 1).

Os inseticidas químicos clorantraniliprole (1:6,6) e flubendiamida (1:5,3) e os inseticidas biológicos Bt Control® (1:6,6), Gemstar® (1:5,0) e HzNPV CCAB® (1:6,7), apresentaram a maior relação custo / benefício. Ou seja, o método de controle biológico com inseticidas a base de baculovírus e B. thuringiensis apresentam desempenho semelhante ou melhor que alguns inseticidas químicos. Além de serem seletivos aos inimigos naturais e não contaminarem o meio ambiente.

Tabela 1: Produtividade de soja em resposta a eficácia de controle e a relação custo benefício de inseticidas químicos e biológicos.

Valores da época do estudo (2014/15): *Preço por quilograma de soja (R$ 1,355).**Custo do inseticida adicionado ao custo da aplicação (R$ 19,30).

Portanto, esses experimentos indicam que o manejo de H. armigera em soja pode ser realizado com métodos químicos e biológicos. Ambos os métodos apresentaram elevada eficácia, com proteção aos danos de H. armigera e bom retorno econômico para o produtor. A escolha do método e do inseticida deve estar sempre amparada nas bases do Manejo Integrado de Pragas (MIP), considerando a identificação correta da praga, o monitoramento e os níveis de dano econômico e de controle.



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