Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do milho em Chicago recuaram um pouco nesta semana, com o primeiro mês fechando a quinta-feira (24) em US$ 3,63/bushel, contra US$ 3,75 uma semana antes.

A pressão da colheita nos EUA igualmente se faz presente no mercado do milho, com a mesma atingindo a 8% da área até o dia 20/09. O mercado esperava um nível de 11%, já que a média histórica é de 10% para esta época do ano. Todavia, isso não se concretizou. Mesmo assim, as cotações recuaram. Por outro lado, 61% das lavouras estavam entre boas a excelentes, melhorando um ponto percentual em relação a semana anterior.

Ao mesmo tempo, os Fundos de Investimento, que possuíam 58.600 contratos comprados de milho, passaram a se desfazer parcialmente dos mesmos, auxiliando na baixa dos preços.

Enquanto isso, as vendas externas de milho estadunidense atingiram a 2,1 milhões de toneladas na semana anterior, sendo que a China comprou a maior parte deste volume. O mesmo ficou acima do esperado pelo mercado. No total acumulado do ano, as exportações estadunidenses de milho alcançam a 22,6 milhões de toneladas, superando largamente os 9 milhões do mesmo período do ano anterior. O governo estadunidense espera que o país exporte 59,1 milhões de toneladas em todo o presente ano comercial 2020/21.

Por sua vez, na Argentina, cerca de 10% da área total esperada para o milho já teria sido semeada até o início da presente semana. Espera-se um total de 9,4 milhões de hectares, com um recuo de 1,3% sobre o ano anterior.

No Brasil, os preços do cereal se mantiveram firmes, embora com algum recuo em determinadas regiões. A média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 54,87/saco, enquanto na região central de Santa Catarina o produto ficou em R$ 54,00. No Paraná o saco de milho registrou valores entre R$ 52,00 e R$ 52,50, enquanto em Campo Novo do Parecis (MT) e Maracaju (MS) o preço atingiu a R$ 48,50 e R$ 51,00 respectivamente. Já em Itapetininga (SP) e no CIF Campinas (SP) os preços registraram valores de R$ 58,00 e R$ 63,00/saco respectivamente. Enfim, em Goiás o saco de milho permaneceu em R$ 52,00 nas regiões de Jataí e Rio Verde.

Por sua vez, na B3 o contrato novembro abriu a quinta-feira (24) em R$ 62,81/saco, enquanto janeiro ficava em R$ 62,89; março em R$ 62,50 e maio em R$ 59,70/saco.



Em termos regionais, o plantio da safra de verão avança no Rio Grande do Sul, com grande parte das lavouras atingidas pela geada de agosto se recuperando. Já no Mato Grosso, o Imea informou que o custo de produção da nova safra aumentou em mais 9,3%, com o hectare atingindo a R$ 3.361,69 no custo ponderado. Mesmo assim, espera-se que a área semeada com milho no Mato Grosso cresça 5,03% em relação ao ano anterior, elevando em 2,4% a produção estadual. No Paraná, conforme o Deral, 98% da safrinha estava colhida no início da corrente semana, ao mesmo tempo em que o plantio da nova safra de milho de verão atingia a 34% da área esperada, sendo que 37% da mesma estava em germinação, com 84% apresentando boas condições. Em Goiás, o preço médio voltou a subir, atingindo a R$ 48,94/saco, com as negociações ficando entre R$ 46,00 e R$ 51,00/saco dependendo da região. Já a safra de milho futura subiu para R$ 40,50/saco. (cf. Ifag)

Enfim, no Mato Grosso do Sul 97,3% da safrinha havia sido colhida, apresentando ainda atraso. Com um recuo pouco superior a 12% na área semeada, e produtividade média em 76 sacos/hectare, a produção final deste Estado atingirá a 8,65 milhões de toneladas. Cerca de 62% deste total já teria sido comercializado. O problema de déficit hídrico no Mato Grosso do Sul é mais grave, já que a totalidade da safra de verão de milho deveria estar semeada, sendo que o já plantado vem sofrendo com a falta de água. (cf. Famasul)

De forma geral, no Brasil, os compradores de milho estão retraídos, esperando recuo nos preços internos do cereal. Já os produtores seguram o produto em função do clima relativamente seco em boa parte do Centro-Sul brasileiro, o qual atrasa o plantio da safra de verão. De forma geral, no Centro-Oeste há baixo excedente do cereal, enquanto no Sudeste a colheita se encaminha para o final. No Paraná os preços estão em alta, enquanto no Rio Grande do Sul e Santa Catarina o quadro também é de alta já que a produção de verão foi frustrada, não há produção de safrinha e os dois Estados são importadores do cereal. (cf. Cepea/Esalq)

Em termos das exportações nacionais de milho, nos 13 primeiros dias úteis de setembro o país exportou 4,55 milhões de toneladas, ou seja, 48,1% acima do registrado até a segunda semana do mês e ficando 70,2% do total registrado em todo o mês de agosto, que foi de 6,5 milhões de toneladas. Na média diária, a mesma está 13,4% acima do registrado em agosto e 14,2% acima de setembro de 2019. Quanto ao preço médio, o mesmo atingiu a US$ 168,20/tonelada neste mês de setembro de 2020. (cf. Secex)


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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