Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do milho em Chicago romperam o teto dos US$ 4,00/bushel no fechamento da quinta-feira (15), atingindo a US$ 4,03/bushel, contra US$ 3,87 uma semana antes. O valor atual não era visto desde o dia 09/08/2019, portanto, a pouco mais de 14 meses.

O relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no último dia 09/10, trouxe os seguintes números para 2020/21:

  1. Safra estadunidense do cereal em 374 milhões de toneladas, com um recuo de pouco mais de quatro milhões de toneladas em relação a projeção de setembro;
  2. Estoques finais estadunidenses em 55 milhões de toneladas, contra 63,6 milhões em setembro;
  3. Produção argentina de milho projetada em 50 milhões de toneladas e a brasileira em 110 milhões;
  4. Exportações projetadas para o Brasil em 39 milhões de toneladas;
  5. Preço médio aos produtores estadunidenses do cereal em US$ 3,60/bushel, contra US$ 3,50 em setembro e US$ 3,56/bushel na média do ano anterior;
  6. Produção mundial de 1,159 bilhão de toneladas, com recuo de 2,5 milhões de toneladas sobre setembro;
  7. Estoques finais mundiais em 300,4 milhões de toneladas, ou seja, 6,3 milhões abaixo do projetado em setembro.

Dito isso, a colheita da nova safra de milho nos EUA, até o dia 11/10, chegava a 41% da área total, superando o esperado pelo mercado e também os 32% que consistem na média histórica para esta época do ano. Da área ainda a ser colhida, 61% das lavouras se encontravam entre boas e excelentes condições.

Por outro lado, os embarques de milho por parte dos EUA, na semana anterior, atingiram a 632.184 toneladas, ficando abaixo do esperado pelo mercado. Mesmo assim, o total do atual ano comercial recentemente iniciado atinge a 4,3 milhões de toneladas, contra pouco mais de 2,5 milhões registrados em igual momento do ano anterior.

Enquanto isso, o Ministério da Agricultura da Argentina informa que o plantio da nova safra de milho atingia a 29% da área esperada até o início da presente semana.

No Brasil, os preços do milho continuaram subindo nesta semana. A média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 62,21/saco, enquanto nas demais praças nacionais a média ficou em R$ 58,00 na região central de Santa Catarina; R$ 59,00 no Paraná; R$ 53,00 em Campo Novo do Parecis (MT); R$ 60,00 em Maracaju (MS); R$ 66,00 em Itapetininga (SP); R$ 72,00 no CIF Campinas (SP); R$ 59,00/saco em Jataí e Rio Verde (GO).

Já na B3 o início do pregão da quinta-feira (15) apontava o contrato novembro com valor de R$ 73,27/saco; janeiro R$ 73,10; março R$ 72,00; e maio R$ 66,90/saco.



Por outro lado, há possibilidade de forte recuo nos preços do milho na virada do ano caso as exportações não aumentem e a safra de verão venha normal. Isso porque, muitos produtores da safrinha, capitalizados que estão, seguram o produto no momento. Se os mesmos venderem este milho no final do ano, haverá forte pressão de oferta, podendo mudar o cenário do mercado.

Quanto ao plantio da nova safra brasileira de verão, segundo Safras & Mercado, o Centro-Sul brasileiro já havia semeado 43% da área esperada até o dia 09/10. O plantio continua atrasado já que a média histórica é de 45% para esta época. O Rio Grande do Sul está mais avançado com 73% da área plantada, seguido do Paraná com 67% (o Deral aponta 78% da área semeada), Santa Catarina com 62% e São Paulo 1%. Em todos os Estados há atraso, especialmente em São Paulo, quando no ano passado o plantio já atingia a 23% da área, além de outros Estados que ainda não iniciaram adequadamente o mesmo e que no passado atingiam respectivamente 18% no Mato Grosso do Sul; 15% em Goiás; 5% em Minas Gerais; e 3% no Mato Grosso.

Em paralelo, no Mato Grosso a comercialização da safra 2019/20 atingia a 95,2% no início da presente semana, enquanto a nova safra 2020/21 apresentava 55% de venda antecipada. Também no caso do milho já há vendas antecipadas relativas a safra 2021/22, com a mesma atingindo a 2%. O preço médio futuro teria ficado em R$ 46,74/saco, enquanto o milho disponível era cotado em R$ 53,00/saco. (cf. Imea)

No Mato Grosso do Sul, a atual safrinha havia sido comercializada em 65% até o início da presente semana. A média nominal de preços está, neste momento, 85% superior à média de um ano atrás neste Estado. Por outro lado, o Mato Grosso do Sul exportou 847.900 toneladas de milho entre janeiro e setembro, com recuo de 54% em relação ao mesmo período de 2019. (cf. Famasul)

Quanto as exportações brasileiras do cereal, segundo a Secex, o país atingiu, nos sete primeiros dias úteis de outubro um total de 2,06 milhões de toneladas de milho. A média diária é 6,6% menor do que a média de setembro, embora esteja 7,3% acima do registrado em outubro de 2019. O preço médio da tonelada chegou a US$ 171,40.

Considerando o que está programado para o restante de outubro, o Brasil teria em torno de 24 milhões de toneladas comprometidas com a exportação de milho neste ano. Seriam necessárias mais 10 milhões de toneladas para atingir a 34 milhões até janeiro, quando se encerra o atual ano comercial. Porém, analistas julgam que há pouco espaço para se alcançar este volume, pois os preços internos estão muito altos, freando as vendas externas. (cf. Safras & Mercado)

Neste contexto, a Anec estima que o total a ser exportado em outubro fique em 5,3 milhões de toneladas, contra 5,51 milhões em outubro de 2019. De janeiro a setembro o Brasil teria exportado 20,2 milhões de toneladas, com Irã e Japão sendo os maiores compradores e os Estados do Mato Grosso e Goiás os maiores exportadores nacionais.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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