Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do trigo em Chicago igualmente subiram nesta semana, sendo que o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (02/07) em US$ 4,90/bushel, chegando a bater em US$ 4,98 na véspera, contra US$ 4,86 uma semana antes. A cotação do cereal, inclusive, no dia 26/06 havia recuado para US$ 4,74/bushel, seu nível mais baixo desde a segunda semana de setembro de 2019.

O motivo desta recuperação também foi os relatórios de plantio e de estoques trimestrais anunciados em 30/06. No primeiro caso, a área semeada com trigo recuou 2%, ficando em 17,9 milhões de hectares. Seria a área mais baixa desde 1919. Já em relação aos estoques trimestrais, posição em 1º de junho, o relatório mostrou um recuo de 3%. Com isso, tais estoques ficam em 28,3 milhões de toneladas, contra a média de 26,6 milhões esperadas pelo mercado.

Por outro lado, a colheita do trigo de inverno nos EUA, até o dia 28/06, atingia a 41% da área semeada, ficando exatamente dentro da média histórica. Já as condições das lavouras que faltavam colher chegavam a 52% entre boas a excelentes; 31% regulares e 17% entre ruins a muito ruins. Enquanto isso, o trigo de primavera estava com 75% das lavouras entre boas a excelentes, 21% regulares e 4% entre ruins a muito ruins.

Em paralelo, analistas russos estimam uma colheita de trigo ainda maior na Rússia para 2020/21, apontando um volume de 82,7 milhões de toneladas. Em se confirmando este número a safra russa será 11% maior do que a do ano anterior, que teria sido de 74,5 milhões de toneladas.

Dito isso, a colheita está atrasada, com apenas 597.000 hectares colhidos até o final de junho, contra 1,2 milhão em igual momento do ano anterior. Por enquanto, a produtividade média não está boa, ficando em 2.400 quilos/hectare, contra 4.400 quilos na média histórica. Como se nota, a previsão do setor privado russo é bem maior do que o Ministério da Agricultura local vem apontando, que é de 75 milhões de toneladas, enquanto o USDA dos EUA fala em 77 milhões de toneladas a serem produzidas na Rússia neste ano.



Por sua vez, os EUA embarcaram, na semana anterior, um total de 515.359 toneladas de trigo, ficando o volume dentro do esperado pelo mercado. No total do atual ano comercial, iniciado em 1º de junho, o volume alcança 2 milhões de toneladas, ou seja, 0,9% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

No Brasil, os preços do trigo se mantém firmes, com o balcão gaúcho fechando a semana na média de R$ 53,86/saco. No Paraná os preços ficaram em R$ 58,00/saco, enquanto na região catarinense de Palma Sola o valor do saco de trigo fechou em R$ 56,00/saco.

A semeadura do trigo no Paraná, estando praticamente encerrada, leva o mercado a acompanhar com mais detalhes o clima nas regiões produtoras. O grande volume de chuva desta semana, devido ao chamado ciclone-bomba, trouxe prejuízos a algumas lavouras do Estado, porém, ainda difíceis de serem contabilizados até o momento. Até então, 88% das lavouras estavam em boas condições naquele Estado. O Paraná espera colher 3,67 milhões de toneladas de trigo, em uma área semeada que cresceu 16,4% passando a 1,13 milhão de hectares, segundo últimas projeções do Deral.

Já no Rio Grande do Sul, o plantio teria chegado a mais de 80% da área, porém, sofreu interrupção com as fortes e constantes chuvas desta semana. As mesmas, inclusive, causaram estragos em muitas áreas semeadas devido a erosão, granizo e inundações localizadas.

Em termos de mercado, os preços se mantém firmes porque não há praticamente oferta interna de produto de qualidade, enquanto as importações continuam caras devido a desvalorização do Real. Este quadro deve se manter até a entrada da nova safra em setembro. A partir daí, em o clima permitindo, a oferta interna será importante, devendo derrubar os preços, mesmo com as importações se mantendo caras. Somente o Paraná deverá ter um aumento na oferta de trigo, neste ano, de 72% em relação a frustrada safra passada. Os paranaenses estão esperando uma produtividade média de 3.250 quilos/hectare, ou seja, 54,2 sacos/hectare.

Neste contexto, e considerando que o Rio Grande do Sul aumentou sua área de trigo em 20%, o volume final no Brasil, em clima normal, poderá chegar acima de 6 milhões de toneladas. Todavia, é preciso esperar ainda muito, pois o clima no sul do país, e especialmente no Estado gaúcho, seguidamente provoca frustrações importantes na safra de inverno local.


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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