Autor: Dr. Argemiro Luís Brum

As cotações do trigo, em Chicago, para o primeiro mês cotado, após voltarem a ultrapassar os US$ 7,00/bushel durante a semana, recuaram na quinta-feira (22), fechando em US$ 6,92/bushel, contra US$ 6,72 uma semana antes. No ano passado, nesta mesma data, o bushel de trigo valia US$ 5,29. Por outro lado, a média de junho caiu em 6,2% em relação a maio, ficando em US$ 6,66/bushel.

Dito isso, a colheita do trigo de inverno nos EUA, no dia 18/07, atingia a 73% da área total, contra 74% na média histórica. Já as condições do trigo de primavera chegavam a apenas 11% entre boas a excelentes, 26% regulares e 63% entre ruins a muito ruins.

Por sua vez, os embarques estadunidenses de trigo, na semana encerrada em 15/07, somaram 490.626 toneladas, ficando acima do esperado pelo mercado. Com isso, o volume total embarcado pelos EUA, neste ano comercial 2021/22, atinge a 2,82 milhões de toneladas, ficando 21% abaixo do registrado na mesma época do ano anterior.

Já no Brasil, os preços do cereal se mantiveram mais firmes, após novo episódio de geadas nesta semana. Mesmo que elas não tenham feito estragos no Rio Grande do Sul, e aparentemente teriam atingido o Paraná somente de forma pontual, o mercado se inquieta. No caso do Paraná, ainda se busca melhores avaliações sobre os efeitos desta última geada. E no Rio Grande do Sul, em muitas regiões há preocupações com a falta de chuvas adequadas para o desenvolvimento da lavoura.

Em sendo assim, a semana fechou com a média gaúcha no balcão atingindo a R$ 78,77/saco, com algumas regiões de referência pagando nominalmente R$ 80,00/saco. Um ano atrás, nesta época, a média gaúcha era de R$ 55,22/saco. E no Paraná, os preços atuais subiram para níveis entre R$ 83,00 e R$ 87,00/saco.

De forma geral, há pouca disponibilidade de trigo nacional, com os moinhos bem abastecidos e as importações sendo beneficiadas pelo maior valor do Real em relação ao dólar nestas últimas semanas. Mesmo assim, as condições climáticas pressionam para cima os preços locais. Além disso, as novas altas em Chicago elevam os preços internacionais do cereal.

Quanto aos derivados, as negociações estão aquecidas no mercado interno de farelo de trigo, devido à maior demanda das indústrias de ração, o que resultou em leve alta de preços nos últimos dias. Já no mercado de farinhas, a procura segue estável.

Segundo o Deral, no Paraná 90% das lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo, outros 9% estão em fase suscetível às geadas. Portanto, quebras houve, a questão é definir a dimensão das perdas. Além disso, as geadas desta semana não estão computadas nas análises à campo feitas até o momento. No final de julho este quadro deverá estar mais claro.


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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1)

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUI).

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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