A necessidade de as fiações recomporem estoques garantiu firmeza para as cotações do algodão no mercado doméstico. Na média do CIF de São Paulo a pluma fechou quinta a R$ 3,83/libra-peso, com alta de 1,06% em relação ao dia anterior. Comparado ao mesmo momento do mês e do ano passado acumula ganhos de 6,5% e de 49,4%, respectivamente.

No FOB exportação do porto de Santos/SP a fibra brasileira fechou a 71,66 cents de dólar por libra-peso (c/lb). Em relação ao contrato spot na Ice Futures a pluma brasileira é cotada por um valor 3,4% superior. Há uma semana era 1,2% superior e há um mês de 9,6% inferior.

Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, durante a fase mais crítica da pandemia do covid-19, muitas indústrias precisaram interromper ou operar de forma parcial. “A demanda por têxteis, mesmo que de forma mais lenta, continuou. Com isso, passou a faltar fios no mercado. A necessidade de entrar de forma mais agressiva no mercado faz com que os preços domésticos estejam operando acima da paridade de exportação neste momento”, comenta.

Com um grande excedente de produção em relação ao consumo interno de pluma, esse atual comportamento tende a persistir até o momento em que a produção de fio conseguir gerar excedentes, conclui.

Safra baiana

Os agricultores da Bahia estão na expectativa para iniciar a nova safra de algodão. A previsão é que a partir desta sexta-feira (20), quando se encerra o período do vazio sanitário, as plantadeiras entrem em campo para dar início à semeadura do ciclo 2020/2021.

Apesar de uma previsão de redução de área plantada em torno de 15%, com 264.614 mil hectares, os produtores que decidiram manter os investimentos na cultura estão otimistas com os resultados em produtividade, incremento do preço no mercado e a retomada da atividade econômica pelos países asiáticos, principal mercado internacional da fibra brasileira.

Com as boas perspectivas do mercado, o produtor Paulo Schmidt decidiu pela manutenção da área de algodão na próxima safra. “Ainda faltamos comercializar parte da safra passada, e também estamos otimistas no aumento da produtividade”, reforça ele, que planta algodão há cerca de 20 anos na região, nos municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.

Ainda segundo ele, as chuvas regulares, o trabalho de combate a pragas, desenvolvido pelos produtores, reunidos na Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), e o uso de tecnologia em sementes e fertilizantes, cada vez mais adequados ao solo e clima do Oeste da Bahia, são diferenciais que vem elevando a produção na região.

Segundo a Abapa, os produtores baianos ainda têm em estoque 20% da safra para comercializar, o que também pressionou os cotonicultores na redução da área. Para o presidente da entidade, Júlio Cézar Busato, esta definição foi uma resposta imediata à desaceleração econômica no setor têxtil diante do período da pandemia da Covid-19.

“O câmbio favorável no momento da comercialização da fibra, a partir de setembro, mudou o clima entre os produtores, principalmente entre aqueles que seguraram os estoques para negociar em momento mais adequado”, reforça.

Fonte: Agência SAFRAS

Texto originalmente publicado em:
Safras e Mercados
Autor: Dylan Della Pasqua - Agência SAFRAS

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