Suprimir os fluxos de emergência das plantas daninhas é uma das principais estratégias de manejo para reduzir a matocompetição nas culturas agrícolas. Espécies consideradas fotoblásticas positivas necessitam de luz para germinar; dessa forma, a manutenção de boa cobertura do solo, por meio do cultivo de espécies de cobertura e/ou forrageiras durante a entressafra, contribui para reduzir a emergência de plantas daninhas. Isso ocorre porque a cobertura vegetal e a palhada atuam como barreiras físicas, limitando a incidência de luz sobre o banco de sementes presente no solo.

Nesse contexto, o uso de culturas de cobertura destaca-se como uma das estratégias mais relevantes para a supressão de plantas daninhas. Entretanto, a escolha das espécies, sejam comerciais ou destinadas exclusivamente à cobertura do solo, deve considerar fatores como aptidão edafoclimática da região, ciclo da cultura, exigências nutricionais e os objetivos do sistema de produção.

Visando o adequado posicionamento das culturas de cobertura, critérios como produção de biomassa e matéria seca, seletividade a herbicidas, capacidade de fixação biológica de nitrogênio, eficiência na cobertura do solo, potencial alelopático e possibilidade de hospedar pragas e patógenos devem ser considerados (Passos et al., 2013).

Quando o foco é o manejo e a supressão de plantas daninhas, especialmente de espécies de difícil controle, como buva (Conyza spp.) e caruru (Amaranthus spp.), a escolha das culturas de cobertura deve priorizar a capacidade dessas espécies em atuar no controle cultural das invasoras. Nesse sentido, características como rápido crescimento inicial, elevada produção de massa seca, uniformidade na cobertura do solo, potencial de produção de compostos alelopáticos e lenta decomposição dos resíduos culturais são atributos desejáveis em espécies de cobertura voltadas ao manejo de plantas daninhas (Custódio & Karam, 2026).

Auxiliando na tomada de decisão, Custódio e Karam (2026) reuniram informações sobre o efeito de diferentes espécies de cobertura na supressão das principais plantas daninhas presentes nos sistemas de produção de grãos. Essas informações podem contribuir para o melhor posicionamento das culturas de cobertura, especialmente em áreas onde predominam espécies daninhas de difícil controle em pós-emergência. Essa estratégia possibilita potencializar o controle cultural das plantas daninhas, conciliando os benefícios agronômicos proporcionados pelas espécies de cobertura com as demandas do sistema produtivo.

Confira, a seguir, a tabela com o efeito de algumas das principais culturas de cobertura sobre espécies daninhas de difícil controle.



Tabela 1. Culturas de cobertura com efeito negativo sobre espécies de plantas daninhas.
Fonte: Custódio e Karam (2026)

Confira o conteúdo completo do Comunicado Técnico n. 264 da Embrapa Milho e Sorgo, desenvolvido por Custódio e Karam (2026) clicando aqui!

Referências:

CUSTÓDIO, I. G.; KARAM, D. ASSOCIAÇÃO DE PLANTAS DE COBERTURA E HERBICIDAS CONTRIBUI COM O MANEJO DE PLANTAS DANINHAS NA ENTRESSAFRA DA SOJA. Embrapa Milho e Sorgo, Comunicado Técnico, n. 264, 2026. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1186436/1/Associacao-de-plantas-de-cobertura-e-herbicidas.pdf >, acesso em: 08/05/2026.

PASSOS, A. M. A. et al. SISTEMA PLANTIO DIRETO: PLANTAS DE COBERTURA. Embrapa Rondônia. Porto Velho – RO, 2013. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/126122/1/folder-plantiodireto.pdf >, acesso em: 08/05/2026.

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