Autores: Maiara dos Santos Sousa¹; Letícia do Socorro Cunha²; Ozanira Alves das Flores³; Janes Silva da Costa4

Introdução 

A agricultura esta sendo submetida a grandes desafios, como a produção de alimentos, energia, fibras e outros bens para a humanidade com o mínimo distúrbio ambiental, fator este associados uso de insumos reduzido, que apresentam reservas finitas no planeta, tais como fósforo, potássio e petróleo. Isto se torna mais complexo com a inserção de fatores sociais. Nesse aspecto, a obtenção de produtividades maiores por área e por tempo é fundamental para a sustentabilidade da agricultura mundial (Garcia, 2017).

A soja (Glycine max L. Merril) é um dos principais cultivos da agricultura mundial e brasileira, devido ao seu potencial produtivo e a sua alta composição química, que lhe confere além de aplicações na alimentação humana e animal, tendo relevante papel econômico.

Segundo Komatsu (2010) o potencial produtivo da soja é determinado geneticamente e o quanto deste potencial vai ser atingido, depende do efeito de fatores limitantes que estarão atuando durante o ciclo da cultura em algum momento. O efeito desses fatores pode ser inimizado pela adoção de práticas de manejo que fazem com que a comunidade de plantas venha maximizar o aproveitamento possível dos recursos ambientais.

Assim como várias outras culturas a soja, responde significativamente a mudanças de arranjos espaciais. O simples fato de se utilizar um espaçamento entre linhas maior ou menor provoca mudanças na altura da planta, no número de vagens, na uniformidade das plantas, no número de ramificações, além de mudanças no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas (BARON, 2013).

Arranjos especiais na produtividade 

Para Tourinho (2002) o espaçamento entre as linhas e a densidade de plantas nas linhas podem ser manipulados, com a finalidade de estabelecer o arranjo mais adequado à obtenção de adaptação à colheita e consequentemente maior produtividade. Além do arranjo mais adequado, a uniformidade de espaçamento entre as plantas distribuídas na linha também pode influir na produtividade dessa cultura. Plantas em distribuição desuniforme implicam em aproveitamento ineficiente dos recursos disponíveis, como luz, água e nutrientes.

Em relação ao espaçamento entre as fileiras, as principais alternativas ao que é utilizado pelos agricultores (0,45 m a 0,50 m entre linhas), é a redução do espaçamento (0,20 m a 0,30 m), a utilização de fileiras duplas (por ex.: 0,25 m/0,75 m) ou o uso da semeadura cruzada, na qual se realiza a primeira operação de semeadura e, posteriormente, realiza se operação adicional, perpendicular à primeira. Essa última alternativa foi estudada, mas desde o princípio sabia-se das limitações técnicas, operacionais e ambientais de tal estratégia, as quais serão discutidas adiante. Adicionalmente, outras duas formas de alterar o arranjo de plantas na área é o ajuste na densidade de plantas e na uniformidade espacial de deposição das sementes no sulco de semeadura (GARCIA, 2017).

Segundo Garcia (2017) em um estudo em Campo Mourão no estado do Paraná verificou- se que em espaçamento de 0,45 m entre fileiras a produtividade foi superior à obtida em espaçamento de 0,30m (Tabela 1). Dados estes que corroboram com Duarte (2015), em comenta que para a cultura atingir altas produtividades, além de necessitar de condições ambientais favoráveis em todos os estádios de seu ciclo, é necessário que sofra o mínimo de competição.

Em seus resultados Tourino (2002) enfatiza que a maior disponibilidade de espaços nas entrelinhas no espaçamento de 60 cm, pode ter compensado a redução dos espaços dentro das linhas, e houve maior emissão de ramos laterais. O que não ocorreu no menor espaçamento, onde esta compensação deve ter sido menor, e assim, contribuindo aumento da densidade causando maior competição entre as plantas, reduzindo a produtividade de cada planta.

No estudo de Duarte (2015) onde avaliou-se isoladamente o fator de variação arranjo espacial simples e de fileiras duplas, onde o arranjo simples foi superior ao arranjo fileira dupla para o estande final, altura de inserção da primeira vagem e produtividade. Desta forma a produtividade da soja não é influenciada pelos sistemas de plantio convencional, linha dupla, adensado e cruzado (MOREIRA, 2013).

Conclusão 

Os ganhos de produtividade nos espaçamentos reduzidos são pontuais sendo dependentes do genótipo utilizado e das condições climáticas, portanto, não se justifica recomendar a alteração dos espaçamentos usuais de 0,45 a 0,50 cm, de acordo com estudos já realizados. Os estudos ressaltam ainda a escolha correta das cultivares de soja, considerando-se épocas e população de plantas, acompanhado de uma distribuição de plantas adequada no arranjo convencional (45 cm a 50 cm), já são suficientes para a obtenção de altas produtividades.

Referências 

BARON, E. B. Resposta da cultura da soja a diferentes arranjos espaciais. Brasilia, DF, 2013.

DUARTE, T.C.; SOARES, G. F.; CRUZ, S. C.; JUNIOR, D.G.D.S.; MACHADO, C. G. & SANTOS, D.M.A D. Componentes de Produção e Produtividade da Soja Cultivada em Diferentes Arranjos Espaciais e Níveis de Adubação. Congresso Brasileiro de Ciências do Solo. 2015.

GARCIA, R. A.; PROCOPIO, S. de O.; BALBINOT JUNIOR, A. A. Produção de soja em diferentes arranjos espaciais de plantas no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Embrapa Agropecuária Oeste-Documentos (INFOTECA-E), 2017.

KOMATSU, R.A.; GUADAGNIN, D.D.; BORGO, M.A. Efeito do espaçamento de plantas sobre o comportamento de cultivares de soja de crescimento determinado. Campo Digit@l, v.5, n.1, p.50-55, Campo Mourão, dez., 2010.

MOREIRA, C. A. F. Depósitos de pulverização em diferentes sistemas de semeadura de soja no manejo da ferrugem asiática. 2013. 55f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, SP.

TOURINO, M.C.C.; REZENDE, P.M.; SALVADOR, N. Espaçamento, densidade e uniformidade de semeadura na produtividade e características agronômicas da soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.37, n.8. 2002.

Informações dos autores:

  • ¹ Agrônoma e Mestranda do Programa de Pós Graduação em Agronomia, Universidade do Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR. E- mail: maiaraifet@gmail.com
  • ² Engenheira Agrônoma e Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Agronomia, Universidade do Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR. Email: leticiacunhaufra2013@hotmail.com
  • ³ Agrônoma e Mestranda do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Rural e Gestão de Empreendimentos Agroalimentares, Instituto Federal do Pará (IFPA) Castanhal/PA. E- mail: ozanira.alves@gmail.com
  • 4 Agrônoma e Mestranda do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Rural e Gestão de Empreendimentos Agroalimentares, Instituto Federal do Pará (IFPA) Castanhal/PA. E- mail: janeagro.silva@gmail.com

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